Vulcão nos Açores 2026: o que o seu seguro cobre em caso de catástrofe natural?

Atividade geotérmica nas Furnas do Enxofre, ilha Terceira, Açores, Portugal

Photo : Diego Delso / Wikimedia

Sofia Sofia CostaJurídico
4 min de leitura 10 de abril de 2026

A 16 de março de 2026, as autoridades portuguesas emitiram um alerta sísmico-vulcânico para a ilha Terceira, nos Açores. O vulcão de Santa Bárbara e o Sistema Fissural Ocidental permanecem em nível de alerta V2 — "sistema vulcânico em fase de instabilidade". Mas quando o vulcão acorda, o seu seguro habitação está mesmo preparado para o pior?

A situação atual nos Açores

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a atividade sísmica na Terceira mantém-se acima dos níveis de referência desde novembro de 2025, quando o alerta subiu temporariamente para V3 — "fase de reativação". Em fevereiro de 2026 voltou a V2, mas a monitorização contínua está ativa.

Os Açores têm 26 vulcões ativos e registam atividade sísmica regular. A última grande erupção no arquipélago ocorreu em 1957-1958, na ilha do Faial, destruindo centenas de habitações. A memória coletiva desta catástrofe — e a crescente atividade sísmica de 2026 — explica por que razão muitos açorianos voltam a perguntar: "O meu seguro cobre isto?"

O que cobre (e o que não cobre) o seu seguro habitação

Em Portugal, a cobertura de catástrofes naturais não é automática na maioria das apólices de seguro habitação. Existe uma distinção crucial entre o que está incluído por lei e o que exige coberturas adicionais.

O que está tipicamente incluído:

O que geralmente requer cobertura adicional:

Nos Açores, dado o risco sísmico reconhecido, algumas companhias de seguros oferecem apólices regionais específicas. No entanto, os prémios são mais elevados e as exclusões mais frequentes do que no continente.

A cláusula que muitos não leram

Um advogado especializado em direito do consumidor pode rever a sua apólice e identificar cláusulas abusivas ou ambíguas. Um erro comum: a palavra "catástrofe natural" aparece na apólice, mas com uma definição tão restrita que exclui a maioria dos eventos sísmicos reais.

Segundo informação disponível na página da ANACOM e nos relatórios da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), os consumidores têm direito a:

  • Receber cópia integral da apólice em linguagem clara antes de assinar
  • Contestar a recusa de indemnização por escrito, com fundamentação legal
  • Recorrer ao Provedor do Cliente de cada seguradora antes de iniciar processo judicial
  • Apresentar queixa à ASF em caso de prática abusiva

Muitas reclamações são resolvidas sem tribunal — desde que o segurado conheça os seus direitos e os exerça corretamente.

O que acontece durante um estado de emergência?

Se as autoridades decretarem evacuação preventiva devido a atividade vulcânica, os seus direitos como proprietário ou arrendatário podem ser afetados de formas que a maioria das pessoas desconhece.

Para proprietários:

  • A habitação pode ser interdita pela Proteção Civil sem compensação imediata
  • O seguro multi-riscos habitação pode não cobrir o período de interdição se não houver dano físico
  • Obras de reforço estrutural ordenadas pelas autoridades podem não estar cobertas

Para arrendatários:

  • O contrato de arrendamento não é automaticamente suspenso durante uma evacuação
  • O senhorio tem obrigação legal de manter a habitação em condições habitáveis
  • Se a habitação for declarada inabitável, tem direito a rescindir o contrato sem penalidade

Estes são cenários onde a consulta com um advogado especializado em direito imobiliário pode evitar perdas financeiras significativas.

Dicas práticas para residentes dos Açores em 2026

1. Leia a sua apólice agora — não espere pela crise. Identifique as coberturas incluídas e as exclusões explícitas relacionadas com sismos e vulcanismo.

2. Contacte a sua seguradora por escrito — pergunte especificamente se a sua apólice cobre danos causados por atividade sísmica ou vulcânica. Guarde a resposta escrita.

3. Faça um inventário fotográfico — documente o estado atual da sua habitação, incluindo eventuais fissuras já existentes. Este registo pode ser crucial para separar danos pré-existentes de danos causados por um evento sísmico futuro.

4. Verifique o plano de emergência municipal — a Câmara Municipal da Terceira e a Proteção Civil dos Açores disponibilizam planos de evacuação e pontos de encontro oficiais.

5. Consulte um especialista antes da crise — um advogado em direito dos seguros pode rever a sua apólice e identificar lacunas por uma fração do custo de um litígio posterior.

A plataforma Expert Zoom tem especialistas jurídicos disponíveis que podem ajudar a interpretar a sua apólice e orientá-lo sobre os seus direitos em caso de catástrofe natural.

Açores 2026: um destino seguro, mas com riscos reais

A atividade vulcânica nos Açores não é nova — é parte da identidade geológica do arquipélago. A maioria dos alertas não resulta em erupção. Mas a diferença entre um susto e uma catástrofe pessoal muitas vezes está na preparação jurídica e financeira de cada família.

Conhecer os seus direitos hoje custa pouco. Descobri-los durante uma emergência pode custar muito mais.

Aviso: Este artigo tem caráter informativo e não substitui aconselhamento jurídico personalizado. Para uma análise da sua situação específica, consulte um advogado especializado.

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