Alexandra Leitão, candidata do Partido Socialista à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, assumiu em 2026 uma meta ambiciosa: atingir 20% de habitação pública no parque habitacional da cidade. A declaração, feita no contexto das eleições autárquicas e das presidenciais de 2026, alimentou um debate intenso sobre o futuro do mercado imobiliário da capital. Para proprietários, inquilinos e quem pensa comprar casa em Lisboa, a questão é direta: o que muda — e quando convém consultar um advogado ou consultor imobiliário?
A proposta de Alexandra Leitão: o que significa 20% de habitação pública
A meta de 20% de habitação pública para Lisboa representa um aumento significativo em relação ao parque público atual. Em 2026, as habitações municipais em Lisboa correspondem a cerca de 6 a 8% do total de fogos habitacionais da cidade, segundo estimativas do Instituto Nacional de Estatística. Atingir 20% exigiria um programa de construção e aquisição de imóveis de larga escala ao longo de vários anos.
Na prática, esta proposta implicaria:
- Compra de imóveis privados pelo município, possivelmente com recurso a direito de preferência ou expropriação por utilidade pública mediante justa indemnização;
- Construção nova em terrenos públicos, aproveitando parcelas disponíveis nos baldios e zonas de requalificação urbana;
- Parcerias público-privadas para financiar habitação acessível com rendas controladas.
Para os proprietários em Lisboa, especialmente aqueles com imóveis em zonas visadas por estas políticas, compreender os mecanismos legais de expropriação e direito de preferência é essencial. Um advogado especializado em direito imobiliário pode esclarecer quais os direitos disponíveis em caso de processo de expropriação.
O que a lei portuguesa diz sobre expropriação e habitação pública
Em Portugal, a expropriação por utilidade pública está regulada pelo Código das Expropriações (Lei n.º 168/99, de 18 de setembro, e subsequentes alterações). Qualquer proprietário tem direito a uma indemnização justa pelo valor de mercado do imóvel, avaliado por peritos independentes. O processo pode ser negociado (expropriação amigável) ou judicial.
A IHRU — Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana é a entidade pública responsável pela coordenação da política de habitação em Portugal, incluindo os programas de arrendamento acessível e habitação social. Consultar as suas orientações é o ponto de partida para qualquer proprietário ou inquilino que queira entender como estas políticas podem afetar a sua situação específica.
Para além da expropriação, há outro instrumento que os municípios podem usar: o direito de preferência. Quando um imóvel em zonas de reabilitação urbana ou habitação acessível é posto à venda, o município tem o direito de o adquirir nas mesmas condições do comprador identificado. Para proprietários que pretendam vender, isto pode alterar o processo e os prazos da transação.
O impacto no mercado de arrendamento em Lisboa
As políticas de habitação pública têm um efeito indireto no mercado de arrendamento privado. Quando o parque público aumenta, a procura por arrendamento privado tende a diminuir nos segmentos mais acessíveis — o que pode aliviar a pressão de preços. Porém, o impacto real depende do ritmo de execução das medidas.
Em 2026, Lisboa regista ainda pressão sobre as rendas. Segundo dados recentes do portal da habitação do INE, o valor mediano das rendas nas zonas centrais da cidade continua a subir, afastando famílias de baixos e médios rendimentos. O controlo de rendas e a renovação automática de contratos são temas que muitos inquilinos desconhecem — e que podem protegê-los legalmente.
Sobre os direitos dos inquilinos em caso de atualização de renda, vale consultar o artigo sobre Atualização de rendas 2026: o que o senhorio pode fazer — um guia atualizado com as regras em vigor este ano.
Candidatos e habitação: o que cada proposta significa para si
As eleições autárquicas e presidenciais de 2026 colocam a habitação no topo da agenda política. Diferentes candidatos propõem abordagens distintas:
- PS (Alexandra Leitão): Expansão do parque público para 20%; pressão sobre senhorios para rendas acessíveis; uso do direito de preferência municipal.
- PSD (Carlos Moedas): Foco em parcerias público-privadas; incentivos fiscais a proprietários que arrendem a preços moderados; reabilitação urbana.
- Outras forças: Medidas de controlo de rendas mais estritas ou maior liberalização do mercado, conforme a orientação ideológica.
Para quem está a ponderar comprar, vender ou arrendar um imóvel em Lisboa nos próximos meses, o contexto político importa. Um consultor de gestão patrimonial ou um advogado imobiliário pode ajudá-lo a planear a sua decisão tendo em conta os cenários prováveis pós-eleições.
O que fazer agora: proprietário, inquilino ou comprador
Se é proprietário num município como Lisboa, verifique se o seu imóvel está em zona de reabilitação urbana ou em área visada por programas de habitação pública. Consulte a Câmara Municipal ou um advogado para perceber se existem direitos de preferência ativos.
Se é inquilino, certifique-se de que o seu contrato está atualizado e que os termos de renovação são os legalmente previstos. Em caso de pressão para saída do imóvel, um advogado especializado pode esclarecer os seus direitos.
Se está a pensar comprar em Lisboa, a incerteza política de 2026 pode criar tanto riscos como oportunidades. Um consultor imobiliário ou de gestão de património pode analisar a sua situação e recomendar o melhor timing para agir.
Na ExpertZoom, encontra advogados e consultores especializados em direito imobiliário e habitação que acompanham as políticas de 2026 em tempo real. Uma consulta inicial pode fazer a diferença entre uma decisão informada e uma que lamente mais tarde.
A habitação em Lisboa é um campo de batalha político. Proteger a sua posição legal é a melhor estratégia independentemente de quem ganhar as eleições.
Nota legal: Este artigo é de carácter informativo. Propostas eleitorais podem sofrer alterações. Para análise da sua situação específica, consulte um advogado especializado em direito imobiliário.

Sofia Costa