IPMA e as praias: o que verificar antes de entrar no mar com aviso vermelho de calor

Praia de Sagres em Portugal no verão com oceano Atlântico e calor extremo

Photo : pictures Jettcom / Wikimedia

5 min de leitura 4 de julho de 2026

Com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a emitir aviso vermelho de calor para 12 dos 18 distritos do continente na primeira semana de julho de 2026 — com máximas a atingir os 44°C no Vale do Tejo e no Alentejo —, milhares de portugueses dirigiram-se às praias para fugir ao calor extremo. Mas o IPMA não alerta apenas para temperaturas elevadas: a sua rede de monitorização costeira fornece dados diários sobre o estado do mar que muitos banhistas ignoram, com consequências potencialmente graves para a saúde.

O que o IPMA monitoriza além das temperaturas

O IPMA tem um papel que vai muito além das previsões de temperatura. A instituição pública portuguesa — sob tutela do Ministério do Ambiente — produz diariamente previsões costeiras que incluem altura de ondas, período de swell, temperatura da água do mar, correntes e o Índice Ultravioleta (IUV) para cada ponto da costa.

Nos primeiros dias de julho de 2026, o IPMA registou valores de IUV entre 10 e 11 — classificados como "muito elevado a extremo" —, segundo os boletins oficiais da instituição. Estes valores significam que a exposição solar não protegida durante apenas 10 a 15 minutos pode causar queimaduras solares graves, com risco acrescido para crianças e pessoas de pele clara.

Ao mesmo tempo, as condições do mar ao longo da costa atlântica portuguesa apresentavam variações significativas: enquanto o litoral alentejano registava ondas de 1 a 1,5 metros com swell de noroeste, o Minho e a Costa Verde mantinham condições mais agitadas, com ondas a superar os 2 metros em algumas estações.

Os riscos específicos de ir à praia durante uma onda de calor

Quando o corpo humano está sobreaquecido a temperaturas superiores a 38°C e entra subitamente numa água atlântica cuja temperatura média em julho ronda os 19-21°C, o contraste térmico pode induzir um fenómeno conhecido como choque térmico ou hidrocussão. O coração abranda abruptamente em resposta à diferença de temperatura, podendo causar perda de consciência e, nos casos mais graves, paragem cardíaca — mesmo em nadadores experientes.

Segundo dados do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), as ondas de calor intensas estão associadas a um aumento estatístico de afogamentos, precisamente porque aumentam o número de pessoas nas praias e diminuem a capacidade de julgamento pelo efeito da desidratação e do calor.

A isto acrescem outros fatores de risco específicos do verão:

  • Desidratação antes da entrada no mar: temperaturas de 40°C aceleram a transpiração. Uma pessoa desidratada tem reflexos mais lentos e maior suscetibilidade a cãibras musculares na água.
  • Correntes de retorno (rip currents): mais frequentes em praias abertas do litoral oeste, estas correntes horizontais puxam o banhista para longe da margem com velocidades até 8 km/h. Cansaço físico por calor extremo aumenta o risco de pânico e afogamento.
  • Exposição UV extrema: com IUV 10-11, o risco de queimadura solar grave é elevado em menos de 15 minutos. A cumular com desidratação, pode precipitar um golpe de calor (temperatura corporal superior a 40°C) mesmo na praia.

Como verificar as condições do mar antes de sair de casa

O IPMA disponibiliza, gratuitamente no seu sítio oficial ipma.pt/pt/maritima/costeira, a previsão costeira diária para todas as zonas do litoral continental, Açores e Madeira. Antes de ir à praia, vale a pena verificar:

  1. Altura significativa de onda (Hs): valores acima de 1,5m merecem precaução para banhistas não experientes; acima de 2m, as bandeiras vermelhas são frequentes.
  2. Período de onda (Tp): períodos longos (acima de 12s) indicam swell oceânico energético, mais perigoso do que aparenta visualmente.
  3. IUV previsto: acima de 8, use protetor solar FPS 50+ e evite o mar entre as 11h e as 16h.
  4. Avisos costeiros ativos: o IPMA emite avisos específicos para costa com vento forte, agitação intensa ou correntes perigosas.

Na própria praia, o sistema de bandeiras fornece uma leitura imediata: verde indica condições seguras para banho; amarela exige precaução; vermelha proíbe o banho; roxa sinaliza a presença de medusas ou outros animais marinhos perigosos.

Sinais de alerta que exigem consulta médica

A combinação de calor extremo e banho de mar cria um contexto de risco médico real. Após uma ida à praia durante uma onda de calor, deve procurar um profissional de saúde se apresentar:

  • Temperatura corporal acima de 39,5°C persistente após arrefecer à sombra — sinal de possível golpe de calor;
  • Palpitações irregulares ou dor no peito após entrada brusca em água fria — possível sequela de choque térmico;
  • Desorientação, confusão ou sonolência excessiva — sintomas clássicos de hipertermia grave ou hipoglicemia por desidratação;
  • Picada de medusa com reação generalizada: urticária em todo o corpo, dificuldade em respirar ou inchaço dos lábios/língua indicam reação alérgica grave (anafilaxia) que exige cuidados de urgência imediatos. As praias portuguesas registam também presença crescente de organismos marinhos potencialmente perigosos — saiba mais sobre os riscos de bactérias nas praias em 2026;
  • Tosse persistente com expectoração cor-de-rosa após quase afogamento — sinal de edema pulmonar que requer avaliação hospitalar urgente.

Em caso de golpe de calor na praia, o INEM recomenda arrefecer a pessoa com água fria (não gelada), colocá-la à sombra e ligar imediatamente para o 112. Não espere que a situação melhore por si só.

Para sintomas menos urgentes mas persistentes — exaustão prolongada, queimaduras solares extensas ou mal-estar gástrico após ingestão de água do mar —, uma teleconsulta com um médico pode evitar uma deslocação ao serviço de urgência. Plataformas como o ExpertZoom permitem marcar consulta com médicos em menos de 24 horas, sem sair de casa.

O que fazer quando o IPMA emite aviso vermelho

Os avisos vermelhos do IPMA para calor extremo foram alargados a 12 distritos no início de julho de 2026 e prolongados até terça-feira, 7 de julho, segundo o Diário de Notícias. Nestes períodos, as autoridades de saúde recomendam:

  • Evitar a praia entre as 11h e as 16h, mesmo com bandeira verde;
  • Beber pelo menos 2 litros de água antes de entrar no mar;
  • Nunca entrar no mar se sentir tonturas, fadiga intensa ou dor de cabeça;
  • Acompanhar sempre crianças e idosos — os grupos mais vulneráveis ao choque térmico.

A tendência do IPMA para as próximas semanas aponta para temperaturas acima da média sazonal, com noites tropicais (mínimas superiores a 20°C) a dificultar o arrefecimento noturno. Isto significa que, durante vários dias consecutivos, o organismo não recupera completamente — aumentando o risco acumulado para quem vai à praia todos os dias.


Este artigo tem fins informativos. Não substitui aconselhamento médico. Em caso de emergência, ligue 112. Para sintomas persistentes após exposição solar ou banho de mar, consulte um médico através do SNS 24 (808 24 24 24) ou de plataformas de teleconsulta como o ExpertZoom.

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