A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) confirmou a 4 de dezembro de 2025 a circulação da Febre do Nilo Ocidental (FNO) em Portugal continental, depois de suspeitas notificadas em equídeos. A doença, transmitida por mosquitos, coloca os cavalos entre os animais mais vulneráveis e levou a autoridade a recomendar a vacinação nas zonas afetadas. Para os milhares de proprietários de cavalos no país, 2026 começa com uma pergunta prática: como proteger o animal antes do pico de mosquitos do verão.
O que aconteceu e porque importa agora
A FNO é causada por um vírus (West Nile Virus) cujo reservatório natural são várias espécies de aves selvagens. Segundo a DGAV, a transmissão faz-se pela picada de mosquitos, sobretudo do género Culex — em concreto Culex pipiens, Culex modestus e Culex perexiguus na Europa. O cavalo e o ser humano são considerados "hospedeiros terminais": podem adoecer, mas não transmitem o vírus a outros.
O sinal de alarme não é novo. Até abril de 2024 tinham sido notificados em Portugal 13 casos de cavalos positivos, concentrados nas regiões de Lisboa e do Alentejo, de acordo com dados oficiais. A confirmação de dezembro de 2025 mostra que o vírus continua a circular no território, e não apenas de forma esporádica. Com o aquecimento das temperaturas e o aumento da atividade dos mosquitos entre a primavera e o outono, o risco tende a subir precisamente nos meses em que os cavalos passam mais tempo ao ar livre.
Sintomas nos cavalos: quando desconfiar
Nem todos os cavalos infetados adoecem, mas quando surgem sinais clínicos estes afetam sobretudo o sistema nervoso. Os proprietários e tratadores devem estar atentos a alterações que aparecem de forma relativamente súbita:
- Descoordenação dos movimentos, tropeções ou dificuldade em manter-se de pé;
- Tremores musculares, sobretudo na cabeça e no pescoço;
- Fraqueza nos membros posteriores, que pode evoluir para paralisia;
- Febre, apatia e perda de apetite;
- Hipersensibilidade ao toque e ao som.
Nos casos mais graves, a doença provoca uma encefalite (inflamação do cérebro) que pode ser fatal. A taxa de mortalidade entre cavalos com sintomas neurológicos é significativa, o que explica a insistência das autoridades na prevenção. Perante qualquer um destes sinais, o dono não deve esperar: um médico-veterinário deve ser contactado com urgência, tanto para dar apoio ao animal como porque a FNO é uma doença de declaração obrigatória em Portugal — a suspeita tem de ser comunicada à DGAV.
A vacinação é a principal defesa
Ao contrário do que sucede com as pessoas, existem vacinas licenciadas contra a FNO para cavalos, e é essa a medida que a DGAV coloca em primeiro plano. A recomendação oficial é vacinar os animais nas zonas onde o vírus foi identificado, garantindo que a proteção está ativa antes do período de maior atividade dos mosquitos.
Na prática, isto significa planear com antecedência. O esquema vacinal inicial exige normalmente duas doses separadas por algumas semanas, seguidas de reforços anuais. Um cavalo vacinado apenas em julho, já em plena época de mosquitos, pode não ter tempo de desenvolver imunidade suficiente. O calendário é uma decisão clínica: cabe ao veterinário avaliar o historial do animal, a região onde vive e o momento certo para iniciar ou reforçar a vacinação. É também o profissional que confirma que a vacina utilizada está adequada à situação epidemiológica do país.
Para além da vacina, a DGAV sublinha duas medidas complementares que qualquer proprietário pode aplicar de imediato: proteger os animais das picadas de insetos — com repelentes adequados a equídeos, mantas e a colocação dos cavalos em abrigo nas horas de maior atividade dos mosquitos, ao amanhecer e ao anoitecer — e eliminar as águas paradas nas imediações das cavalariças, uma vez que são o principal criadouro de mosquitos. Baldes, bebedouros, calhas entupidas e pneus velhos acumulam água e transformam-se em focos de reprodução em poucos dias.
Porque é que um veterinário faz a diferença
Face a uma doença emergente e sazonal, a informação avulsa não substitui o acompanhamento profissional. Um médico-veterinário de equinos ajuda o proprietário a tomar decisões que dificilmente se resolvem por conta própria: definir se a exploração está numa zona de risco, escolher e calendarizar a vacinação, distinguir os sintomas da FNO de outras causas de problemas neurológicos e cumprir as obrigações legais de notificação.
Este acompanhamento é ainda mais relevante em explorações com vários cavalos, em centros hípicos e em coudelarias, onde uma gestão preventiva bem feita protege todo o efetivo. Marcar uma consulta antes da primavera — e não durante um surto — é a forma mais eficaz de chegar ao verão com os animais protegidos. Numa plataforma como a Expert Zoom é possível encontrar veterinários especializados em equídeos para esse planeamento, sem esperar pela emergência.
E as pessoas correm perigo?
A FNO também pode infetar seres humanos, igualmente através da picada de mosquito e nunca por contacto direto com o cavalo. Na maioria dos casos a infeção é assintomática ou ligeira, mas uma minoria pode desenvolver formas graves. As mesmas medidas contra os mosquitos — repelente, roupa que cubra a pele e eliminação de águas paradas — reduzem o risco para toda a família. Quem tenha dúvidas sobre sintomas próprios deve consultar um médico e informar-se sobre quando procurar apoio médico face a vírus em circulação em Portugal.
O que fazer já em 2026
O calendário joga a favor de quem se antecipa. Antes de os mosquitos regressarem em força, vale a pena rever com o veterinário o estado vacinal de cada cavalo, limpar e drenar tudo o que possa acumular água na exploração e reforçar as barreiras físicas contra picadas. A informação oficial e atualizada sobre a situação da doença está disponível na página da DGAV dedicada à Febre do Nilo Ocidental. Agir agora custa uma consulta; agir tarde pode custar o animal.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário ou, no caso da saúde humana, de um médico. Perante sintomas, contacte um profissional.

Maria Silva