Copa do Mundo 2030: o que os proprietários portugueses devem fazer já

Estádio do Dragão no Porto, sede do Campeonato do Mundo de Futebol de 2030

Photo : Edgar Jiménez from Porto, Portugal / Wikimedia

Beatriz Beatriz MartinsGestão de Património
7 min de leitura 31 de julho de 2026

Portugal vai receber o Campeonato do Mundo de Futebol de 2030 em três estádios confirmados — a Luz em Lisboa, o Dragão no Porto e o Municipal de Braga — e um estudo da PwC estima que o evento vai gerar um impacto económico de 800 milhões de euros no país, criando cerca de 20 mil postos de trabalho. Em julho de 2026, com o torneio a quatro anos de distância, os especialistas em gestão de património alertam: a janela de oportunidade para proprietários e investidores imobiliários não é 2029. É agora.

Os números por detrás do Mundial 2030 em Portugal

O impacto económico estimado de 800 milhões de euros, calculado pela PwC num estudo encomendado pela UEFA e pela FIFA, inclui despesas de visitantes, investimento em infraestruturas e benefícios indiretos para o turismo e o comércio local. Por cada euro investido em infraestruturas desportivas relacionadas com o evento, o estudo estima um retorno de 8,5 euros em bem-estar económico e social.

Os três estádios portugueses estão já a receber investimentos para cumprir os requisitos FIFA. O Estádio do Dragão, no Porto, está situado numa das zonas de regeneração urbana mais ativas do país: novos projetos residenciais, melhoria de acessos e uma procura crescente de arrendamento de curta duração já se fazem sentir na envolvente. Em Lisboa, os bairros de Príncipe Real, Estrela, Campo de Ourique e Avenidas Novas são apontados pelos consultores imobiliários como as áreas com maior potencial de valorização para o período do torneio.

O padrão histórico é claro: os Mundiais anteriores geraram valorizações imobiliárias significativas nas cidades anfitriãs, com o maior crescimento a ocorrer nos dois a três anos que antecedem o evento — não durante o torneio em si. Quem age em 2026 paga o preço de desenvolvimento; quem esperar por 2029 paga o preço de expectativa.

Porque os gestores de património aconselham a agir antes de 2028

A lógica do investimento antecipado não é especulativa — é documentada. No Qatar (2022), as rendas comerciais em West Bay subiram 25% nos 18 meses que precederam o torneio. Em 2021, o mercado registou mais de 5.000 transações imobiliárias avaliadas em conjunto superior a 25 mil milhões de riais qataris. No Brasil (2014), as zonas próximas dos estádios em São Paulo e Rio de Janeiro valorizaram entre 15% e 30% nos três anos anteriores ao campeonato. Na Rússia (2018), as rendas de alojamento de curta duração em Moscovo e São Petersburgo subiram 40% durante o torneio.

O ponto comum: os ganhos de capital realizam-se antes, não depois. Os investidores que compraram no Qatar em 2020 — dois anos antes do Mundial — beneficiaram da maior valorização. Os que compraram em 2022, já no pico, ficaram com margens muito mais apertadas.

Em Portugal, julho de 2026 é equivalente ao Qatar em 2020: tempo suficiente para agir com vantagem, mas não tempo ilimitado. O padrão repete-se: as oportunidades comerciais geradas pelo Mundial 2026 para as empresas portuguesas já demonstraram que os preparativos com antecedência são determinantes para maximizar o retorno.

Caso concreto: o proprietário de um T2 em Campo de Ourique

Para tornar este cenário tangível, considere o seguinte caso representativo.

Uma proprietária de um apartamento T2 em Campo de Ourique, Lisboa, arrendado a longo prazo por 1.400 €/mês, está a ponderar a sua estratégia para os próximos quatro anos. Tem três opções:

Opção A — Manter o arrendamento tradicional: rendimento mensal de 1.400 €, estável mas sem exposição ao evento.

Opção B — Converter para alojamento local (AL) antes do Mundial: um T2 em Campo de Ourique bem equipado gera entre 180 € e 250 € por noite em plataformas como Airbnb, com taxa de ocupação média de 75% ao longo do ano, segundo dados do Turismo de Portugal. Numa semana com dois jogos em Lisboa durante o verão de 2030, a projeção é de 1.400 € a 1.750 € em sete dias — equivalente à renda mensal inteira de arrendamento tradicional.

Se a proprietária converter o imóvel para AL em 2026, então o processo exige: obtenção de licença AL junto da Câmara Municipal de Lisboa (em zonas não condicionadas), seguro de responsabilidade civil obrigatório, cumprimento das normas ANPC de segurança contra incêndios e aprovação em assembleia de condóminos quando aplicável.

Opção C — Vender antes de 2029: com base no histórico dos Mundiais anteriores, a valorização esperada em zonas de jogo pode situar-se entre 10% e 20% entre 2026 e 2028. Num imóvel avaliado hoje a 320.000 €, isso representa uma mais-valia potencial de 32.000 a 64.000 € — sujeita a tributação em IRS se o imóvel não for habitação própria e permanente.

Cada uma destas opções tem implicações fiscais, legais e patrimoniais distintas. A modelização correta requer análise da situação específica da proprietária, do estado do licenciamento AL na sua zona e do seu horizonte temporal de investimento.

Alojamento local: o que mudou e o que está em aberto para 2030

O regime de alojamento local em Portugal passou por alterações significativas em 2023 e 2024. As câmaras municipais de Lisboa e Porto estabeleceram zonas de contenção onde não são emitidas novas licenças AL. Fora dessas zonas, o licenciamento continua disponível.

De acordo com o Turismo de Portugal, o RNAL (Registo Nacional de Alojamento Local) é obrigatório para qualquer exploração de AL, independentemente da modalidade. O pedido de licença é feito junto da câmara municipal através do portal Balcão Único Eletrónico, e o prazo de resposta é de 10 dias úteis.

Para os proprietários que ainda não têm licença AL mas pretendem obtê-la antes de 2030, o tempo útil de candidatura é 2026-2027 — antes de uma eventual revisão do mapa de zonas condicionadas que muitas autarquias preveem rever em 2028, em antecipação ao torneio.

Um detalhe frequentemente ignorado: a aprovação em assembleia de condóminos é obrigatória para AL em frações de prédios constituídos em propriedade horizontal, e o processo pode demorar vários meses. Iniciar o processo agora dá margem para superar eventuais obstáculos administrativos.

Fiscalidade do arrendamento de curta duração: o que o IRS prevê

Os rendimentos de alojamento local são tributados na categoria B do IRS (rendimentos empresariais e profissionais). No regime simplificado — o mais comum para proprietários individuais —, o coeficiente aplicável é de 0,35: apenas 35% do rendimento bruto de AL entra para o cálculo do IRS, o que representa uma vantagem significativa face ao arrendamento tradicional (categoria F, com dedução de despesas limitada).

Para imóveis geridos por um único proprietário com rendimentos anuais de AL abaixo de 200.000 €, o regime simplificado é automático. Acima desse limiar, passa a ser obrigatória a contabilidade organizada — e um gestor de património ou contabilista especializado torna-se indispensável para otimizar a carga fiscal.

A tributação da mais-valia em caso de venda é calculada sobre 50% da diferença entre o valor de aquisição (atualizado por coeficientes de desvalorização monetária) e o valor de venda. A isenção por reinvestimento em habitação própria aplica-se em condições específicas que variam caso a caso.

O que fazer antes de 2028

A lista de ações prioritárias para proprietários e investidores com imóveis em zonas próximas dos estádios do Mundial 2030:

  • Verificar o zonamento AL do imóvel junto da câmara municipal — disponível online nos portais municipais de Lisboa e Porto
  • Avaliar o imóvel ao preço atual de mercado com referência às valorizações esperadas para as zonas de jogo, para escolher entre as três opções (AL, arrendamento, venda)
  • Consultar um especialista em gestão de património para modelizar o retorno líquido de cada cenário, considerando o perfil fiscal, o estado do licenciamento e o horizonte temporal
  • Verificar o título de propriedade e eventuais encargos hipotecários ou ónus que possam condicionar uma futura transação ou licença AL
  • Iniciar o processo de AL agora, se essa for a opção preferida — antes de eventuais restrições adicionais em 2027-2028

Os proprietários que agirem em 2026 têm, pela análise dos ciclos anteriores, uma vantagem real face aos que esperarão por 2028. Quatro anos é horizonte suficiente para planear, executar e beneficiar — mas não é horizonte ilimitado.


Este artigo tem caráter informativo e não substitui aconselhamento profissional em gestão de património, fiscalidade ou direito imobiliário. As estimativas de valorização baseiam-se em precedentes históricos de outros Mundiais e não garantem resultados equivalentes.

Para perceber como a sua situação específica se enquadra nestes cenários, um especialista em gestão de património no Expert Zoom pode modelizar as suas opções com base nos dados reais do seu imóvel e perfil fiscal.

Vantagens

Respostas rápidas e precisas para todas as suas questões e pedidos de assistência em mais de 200 categorias.

Milhares de utilizadores obtiveram uma satisfação de 4,9 em 5 para os conselhos e recomendações fornecidas pelos nossos assistentes.