Adriana Lima desfila aos 45 anos: o que os médicos dizem sobre treino e recuperação

Modelo de 45 anos a alongar nos bastidores de um desfile com fisioterapeuta

Créditos de fotografia

6 min de leitura 19 de outubro de 2026

Adriana Lima, de 45 anos, voltou a desfilar na passerela da Victoria's Secret no domingo, 18 de outubro de 2026, em Culver City, na Califórnia, de acordo com a Hello! Magazine. A modelo brasileira surgiu com um conjunto de renda verde néon e uma estrutura de flores cor-de-rosa nas costas. A imagem correu o mundo e fez do nome dela um dos mais pesquisados em Portugal.

O que aconteceu em Culver City

O desfile de 2026 decorreu nos Sony Pictures Studios, em Culver City, e juntou várias "Angels" históricas ao lado de caras mais recentes da marca. Adriana Lima trabalha com a Victoria's Secret desde 1998 e estreou-se no desfile em 1999, segundo a Hello! Magazine, o que significa quase três décadas de ligação à mesma passerela.

O regresso desta semana segue-se a uma presença no tapete vermelho de Cannes, em maio, e a uma campanha de Dia da Mãe com as filhas, em abril, de acordo com a lista de notícias da CNN Brasil. Para muitos leitores, a pergunta não é sobre a marca. É sobre o corpo: como é que alguém chega aos 45 anos e continua a desfilar ao mais alto nível?

Não existe uma resposta única, e não vamos fingir conhecer a rotina privada da modelo. O que podemos fazer é ouvir a lógica dos profissionais de saúde sobre o que acontece ao corpo depois dos 40 e o que realmente ajuda a manter força, energia e recuperação.

O que muda no corpo depois dos 40

Segundo a Direção-Geral da Saúde, a atividade física regular reduz o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e perda de massa muscular. Depois dos 40, a massa muscular tende a diminuir de forma gradual se não for estimulada, e a recuperação entre esforços fica mais lenta.

Os médicos de medicina geral e familiar e de medicina desportiva repetem três ideias simples.

A primeira é que o treino de força importa tanto como a corrida ou a caminhada. Músculo e osso respondem a carga, e essa resposta protege articulações e equilíbrio.

A segunda é que o sono é parte do treino. Dormir sete a nove horas por noite é a recomendação habitual para adultos, e dormir pouco compromete a recuperação e o apetite.

A terceira é que a regularidade vence a intensidade. Quem treina três vezes por semana durante um ano ganha mais do que quem faz um mês de esforço extremo e depois desiste.

A análise do especialista: o que a passerela não mostra

Uma passerela é uma montra de poucos minutos. Por trás de cada desfile há semanas de preparação com treinadores, nutricionistas e equipas médicas, algo que a esmagadora maioria das pessoas não tem à disposição.

Por isso, um especialista alertaria para dois erros comuns depois de ver imagens como estas. O primeiro é copiar dietas restritivas ou "detox" vistas nas redes sociais, que podem causar défices de proteína, ferro ou cálcio. O segundo é retomar o exercício como se tivessem 25 anos, o que explica muitas lesões de tendões e joelhos entre os 40 e os 50.

Um médico de medicina desportiva começa por perguntar três coisas: que doenças e medicação existem, que exercício foi feito nos últimos dois anos e que objetivo concreto a pessoa quer alcançar. Só depois propõe um plano. Quem tem hipertensão, problemas de tiroide ou antecedentes familiares de doença cardíaca deve fazer uma avaliação antes de aumentar a carga.

Esta lógica aplica-se também ao bem-estar mental. A pressão da imagem corporal afeta homens e mulheres de todas as idades, e já escrevemos sobre o tema a propósito de Sara Sampaio e a imagem corporal. Se a comparação com figuras públicas gera ansiedade, falar com um psicólogo ou com o médico de família é um passo legítimo.

Um caso concreto: 45 anos, dez anos sem treinar

Imagine a Marta, de 45 anos, que trabalha num escritório em Lisboa e não faz exercício regular desde os 35. Depois de ver as imagens do desfile, decide começar a correr e inscreve-se num ginásio. Vamos seguir o que um médico lhe diria.

Se a Marta começar logo com corridas de 40 minutos, cinco vezes por semana, o risco de uma lesão por sobrecarga, como tendinite do tendão de Aquiles ou dor no joelho, aumenta de forma clara. A regra prática mais usada na medicina desportiva é aumentar o volume de treino no máximo 10% por semana.

O plano seguro seria este. Nas semanas 1 e 2, três sessões de 20 minutos de caminhada rápida alternada com corrida suave. Nas semanas 3 a 6, subir para 30 minutos por sessão, mais duas sessões de força de 25 minutos por semana, com exercícios simples como agachamentos e remadas com elástico. À semana 8, a Marta deverá acumular cerca de 150 minutos de atividade moderada por semana, valor que as orientações da Organização Mundial da Saúde e da DGS apontam como mínimo para adultos.

Se a Marta sentir dor que dura mais de duas semanas, dor no peito, falta de ar desproporcionada ou tonturas, então deve parar e marcar consulta. Se, pelo contrário, só sentir cansaço muscular que passa em 48 horas, a progressão pode continuar. Repare que o número que conta aqui não é a velocidade, mas sim os 10% de aumento semanal e os 150 minutos de meta.

Este exemplo é hipotético e serve apenas para ilustrar o raciocínio. Cada pessoa tem um ponto de partida diferente, e é isso que a consulta deve avaliar.

O que dizem os casos de longevidade desportiva

Não é preciso olhar só para as passerelas. Em Portugal, já analisámos o caso de Thiago Silva, campeão aos 41 anos, e o que a medicina desportiva diz sobre carreiras longas. Os fatores repetem-se: gestão da carga, descanso, alimentação ajustada e acompanhamento médico regular.

Ou seja, a longevidade de quem vive da imagem ou do desempenho físico assenta em estrutura e apoio profissional, não em truques milagrosos. O que cada leitor pode copiar não é a aparência, mas o método: objetivos realistas, progressão lenta e orientação adequada.

Nutrição, pele e saúde hormonal: o que perguntar ao médico

A partir dos 40, muitas mulheres entram na perimenopausa, uma fase em que as alterações hormonais podem afetar o sono, o humor, o peso e a densidade óssea. Os sintomas variam muito e nem todas as mulheres os sentem da mesma forma.

Há questões práticas que vale a pena levar à consulta de medicina geral e familiar ou de ginecologia. Os ciclos menstruais estão a mudar? O sono piorou de forma persistente? Há cansaço que não passa com descanso? As análises de ferro, vitamina D e função da tiroide estão em dia?

Também é sensato perguntar sobre rastreios. Em Portugal, o Serviço Nacional de Saúde tem programas de rastreio organizados, e o médico de família pode confirmar quais se aplicam à sua idade e historial.

Nada disto substitui uma avaliação individual. A informação desta notícia é geral, não constitui aconselhamento médico e não deve ser usada para diagnosticar ou tratar qualquer problema de saúde.

O que fazer agora

Se as imagens de Adriana Lima o motivaram a mexer-se mais, aproveite essa energia de forma inteligente. Marque uma consulta com o seu médico de família antes de aumentar a carga de treino, sobretudo se tem mais de 40 anos, não faz exercício há muito tempo ou toma medicação regular.

Defina um objetivo concreto e mensurável, como caminhar 30 minutos cinco dias por semana ou fazer duas sessões de força semanais durante dois meses. Registe o sono e o cansaço, e ajuste o plano em função dos sinais do corpo.

Na Expert Zoom pode encontrar médicos e especialistas de saúde disponíveis para o ajudar a montar um plano seguro e adaptado à sua idade e ao seu historial. Uma boa pergunta é sempre mais útil do que uma comparação com quem desfila em Culver City.

Para informação oficial sobre atividade física e prevenção, consulte a Direção-Geral da Saúde.

Créditos de fotografia : Esta imagem foi gerada por inteligência artificial.

Vantagens

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