A França saiu derrotada por 1-2 frente à Costa do Marfim em Nantes, no último amigável antes do Mundial 2026, num jogo que expôs problemas físicos preocupantes na seleção de Didier Deschamps. A maior preocupação não foi o resultado, mas a confirmação de que William Saliba agravou uma lesão nas costas durante a final da Liga dos Campeões entre Arsenal e PSG, com exames a apontarem para uma possível necessidade de cirurgia após o torneio. Os Bleus estreiam-se a 16 de junho contra o Senegal, no Grupo I do Mundial.
O diagnóstico de Saliba expõe uma realidade do futebol moderno
A lesão do central de 25 anos não é um caso isolado. Os jogadores das ligas europeias chegam ao Mundial 2026 com cargas acumuladas de mais de 60 jogos oficiais por época, somando Premier League, Liga dos Campeões, Liga Europa, Taça e seleções. Saliba terminou a temporada com 53 jogos pelo Arsenal, mais 8 pela seleção francesa.
A lesão nas costas em futebolistas profissionais — tipicamente hérnia discal lombar, lesão muscular do quadrado lombar ou espondilólise — exige avaliação especializada precoce. Segundo o Colégio da Especialidade de Ortopedia da Ordem dos Médicos, mais de 70% das hérnias discais lombares em atletas recuperam com tratamento conservador em 6 a 12 semanas, mas casos com radiculopatia persistente ou défice motor podem exigir microdiscectomia. A página da Direção-Geral da Saúde sobre saúde desportiva descreve os protocolos de avaliação clínica recomendados.
A decisão entre jogar o Mundial e operar imediatamente
Deschamps confirmou que Saliba será avaliado nos próximos dias. A questão clínica é simples mas dolorosa: arriscar o Mundial com infiltrações e tratamento sintomático, ou operar agora e perder o torneio?
Para um leitor português, o paralelo é direto. Pepe sofreu o mesmo tipo de dilema em 2018 e optou por adiar a cirurgia até depois do Mundial da Rússia. Este tipo de gestão clínica é comum em atletas de elite, como descrito no artigo England vs Uruguay em Wembley: a lesão de Phil Foden. A decisão depende de três fatores:
- Grau da lesão: protrusão simples vs hérnia extrudida com compressão radicular
- Resposta inicial à medicação: anti-inflamatórios, infiltração peri-radicular, fisioterapia
- Risco de agravamento irreversível: lesões com défice neurológico exigem decisão urgente
Quando deve procurar um especialista para dores nas costas
A lesão de Saliba serve de alerta para qualquer pessoa que pratique desporto regularmente. As dores lombares afetam cerca de 80% dos adultos em alguma fase da vida, segundo dados da Direção-Geral da Saúde, e muitas vezes são desvalorizadas até se tornarem crónicas.
Sinais que justificam consulta médica especializada:
- Dor que irradia para a perna abaixo do joelho (potencial ciática)
- Formigueiros ou dormência num membro inferior
- Perda de força muscular no pé ou perna
- Dor que não melhora após 4 semanas de repouso e medicação
- Dor noturna intensa ou perda de peso associada
Um médico ortopedista ou especialista em coluna pode pedir ressonância magnética e definir o tratamento adequado. Em Portugal, o tempo médio de espera para consulta de ortopedia no SNS é de 4 a 6 meses, o que justifica recorrer a consultas privadas para casos urgentes.
O que os adeptos portugueses devem saber sobre o Grupo I
Embora Portugal esteja no Grupo K (com RD do Congo, Usbequistão e Colômbia), a derrota da França pode reconfigurar o quadro das eliminatórias. Se a França terminar em segundo lugar do Grupo I — algo plausível dada a paragem na preparação — pode cruzar-se com Portugal nos oitavos ou quartos de final.
A Costa do Marfim, vencedora desta noite em Nantes, vai para o Grupo E. Mas para Portugal, a leitura importante é outra: mesmo as grandes seleções chegam ao Mundial com lesões mal resolvidas. A gestão clínica dos jogadores nas últimas semanas pode definir o torneio.
Recuperação pós-operatória: o que esperar
Caso Saliba opte pela microdiscectomia após o Mundial, o tempo de recuperação habitual para retorno à competição é de 3 a 5 meses. O protocolo típico envolve:
- Semanas 1-2: repouso relativo, controlo da dor, mobilização precoce
- Semanas 3-6: fisioterapia ativa, fortalecimento do core, exercícios de estabilização lombar
- Semanas 7-12: retorno gradual à corrida e treinos com bola
- Mês 4-5: regresso à competição com monitorização
Para atletas amadores e adultos ativos, o mesmo protocolo aplica-se mas com tempos mais alargados. A reabilitação acompanhada por fisioterapeutas com especialização em desporto reduz significativamente o risco de recidiva.
Procurar o especialista certo faz a diferença
A lesão de Saliba é um lembrete: dores nas costas em pessoas ativas não devem ser desvalorizadas. Encontrar um ortopedista ou médico desportivo com experiência em patologias da coluna lombar é o primeiro passo para evitar que um problema agudo se transforme em incapacidade crónica. A ExpertZoom liga-o a especialistas verificados em todo o país, com consultas disponíveis em prazos curtos.
Quem pratica desporto com regularidade — mesmo a nível amador — beneficia também de avaliação por fisioterapeuta especializado em desporto antes de iniciar planos de treino intensos. Prevenção compensa muito mais do que tratamento.

Ricardo Rodrigues