A taxa dos Certificados de Aforro da Série F subiu para 2,138% em abril de 2026 — o maior salto mensal em mais de dois anos, segundo dados oficiais do IGCP publicados a 31 de março de 2026. Em simultâneo, o Instituto Nacional de Estatística revelou que a taxa de poupança das famílias portuguesas se mantém nos 12,1% do rendimento disponível. Com rendimentos a crescer mais devagar e a incerteza geopolítica a aumentar, os portugueses poupam mais — mas poupam bem?
A maior subida dos Certificados de Aforro em dois anos
Os Certificados de Aforro são o produto de poupança mais popular em Portugal, com um stock total de quase 41 mil milhões de euros no final de fevereiro de 2026, segundo o IGCP — Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública. Os números são expressivos: fevereiro foi o 17.º mês consecutivo de subscrições líquidas positivas, com entradas de 291,2 milhões de euros.
O salto de abril — de 2,012% para 2,138%, uma subida de 12,6 pontos base — reflete a manutenção da Euribor a 3 meses acima de 2,1% durante os dez dias úteis de referência, influenciada pela escalada da tensão geopolítica no Médio Oriente em finais de fevereiro de 2026. É a maior variação mensal desde fevereiro de 2023.
Para quem os subscreve há mais de dois anos, a taxa efetiva é ainda superior: acumula um bónus de permanência de 0,25 pontos percentuais por ano a partir do segundo ano. O mínimo de subscrição é de 100 euros e o máximo por titular é de 100.000 euros.
Depósitos bancários: taxa real negativa para a maioria
O outro lado da equação é menos animador. Em fevereiro de 2026, a taxa média dos depósitos a prazo em Portugal fixou-se em apenas 1,36%, segundo dados do Banco de Portugal publicados em abril — tornando Portugal o 5.º país com taxas mais baixas de toda a Zona Euro.
Com a inflação de fevereiro de 2026 nos 2,1%, quem tem o dinheiro num depósito bancário médio está a perder poder de compra em termos reais — e a pagar 28% de imposto sobre os juros por cima disso.
Os Certificados de Aforro superam os depósitos bancários em cerca de 80 pontos base (2,138% vs 1,36%), mas mesmo essa taxa positiva pode não ser suficiente, dependendo da situação financeira e dos objetivos de cada pessoa. As melhores taxas disponíveis no mercado bancário em abril de 2026 rondam os 3% para prazos de três meses em bancos online, mas com liquidez condicionada.
Por que estão os portugueses a poupar mais?
O Banco de Portugal, no seu Boletim Económico de março de 2026, projeta que a taxa de poupança das famílias se mantenha acima da média pré-pandemia (9,3%) ao longo de 2026-2028, com uma média estimada de 11,7%.
Dois fatores explicam esta tendência:
- Incentivo das taxas de juro — ainda que em queda face ao pico de 2023-2024, as taxas continuam suficientemente atrativas para tornar a poupança financeiramente racional
- Poupança de precaução — a incerteza geopolítica (conflito no Médio Oriente, tarifas norte-americanas sobre exportações europeias) está a levar as famílias a guardarem mais dinheiro por precaução
O mesmo relatório alerta, porém, para a desaceleração do rendimento disponível: de um crescimento de 7,2% em 2024, passa para 3% em 2025 e apenas 0,9% em 2026. Poupar mais com menos rendimento implica consumir menos — um equilíbrio delicado que coloca novas pressões sobre o orçamento familiar.
Quando faz sentido consultar um especialista em gestão de património
Ter dinheiro poupado é a primeira parte da equação. Fazê-lo trabalhar de forma eficiente é a segunda — e é aqui que muitas famílias perdem terreno.
Consultar um consultor financeiro ou especialista em gestão de património faz sentido quando:
- O montante poupado ultrapassa os 20.000-30.000 euros e a questão deixa de ser apenas "onde poupo" e passa a ser "como diversifico"
- Os objetivos de poupança têm horizontes diferentes: emergência (liquidez imediata), médio prazo (3-7 anos) e reforma (10+ anos) exigem instrumentos distintos
- A fiscalidade começa a ser relevante: Certificados de Aforro, depósitos, PPRs e outros produtos têm tratamentos fiscais diferentes que um especialista sabe otimizar
- Há rendimentos adicionais (arrendamento, herança, mais-valias) que tornam o planeamento mais complexo
Para quem está a começar a comparar produtos, pode ser útil ler como outros portugueses estão a abordar as decisões sobre Certificados de Aforro e a taxa de março de 2026 ou a maior subida da taxa em abril.
O que fazer agora: um guia prático
Se ainda não reviu a sua estratégia de poupança em 2026, este é um bom momento:
- Compare a taxa atual dos seus depósitos com os 2,138% dos Certificados de Aforro — se estiver abaixo, o diferencial tem custo real
- Verifique o prazo de vencimento dos seus depósitos: reinvestir em momento de subida de taxas pode ser vantajoso
- Reveja a sua emergência financeira: a recomendação padrão é ter 3 a 6 meses de despesas mensais em instrumentos líquidos e seguros
- Considere um PPR se o horizonte for a reforma e quiser beneficiar de dedução fiscal no IRS
- Fale com um especialista antes de mover montantes significativos — as comissões, a fiscalidade e a liquidez de cada produto têm implicações que um comparador online não captura
Nota: Este artigo tem carácter exclusivamente informativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. As decisões de investimento e poupança devem ser tomadas com base na sua situação financeira específica, preferencialmente com o apoio de um consultor financeiro certificado. Dados de taxa e stock dos Certificados de Aforro baseados em informação oficial do IGCP de março de 2026.
