Certificados de Aforro: taxa sobe para 2,138% em abril — o que os aforradores devem saber

Consultor financeiro português a analisar gráficos de poupança com cliente em escritório em Lisboa

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Beatriz Beatriz MartinsGestão de Património
4 min de leitura 27 de março de 2026

A taxa de juro dos Certificados de Aforro vai subir para 2,138% em abril de 2026 — a maior subida em mais de dois anos —, depois de três meses consecutivos de descidas. A inversão deve-se à subida da Euribor a 3 meses, e levanta uma questão que muitos aforradores não sabem responder: vale realmente a pena investir agora?

A maior subida em mais de dois anos

Publicada pelo Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) a 26 de março de 2026, a taxa bruta para novas subscrições em abril passa de 2,012% para 2,138% — uma variação de 12,6 pontos base, segundo dados do jornal Público.

Este aumento contrasta com a tendência dos últimos meses: a taxa base tinha caído consecutivamente em janeiro, fevereiro e março de 2026, acompanhando a descida da Euribor a 3 meses, que é o índice de referência para o cálculo da remuneração.

O que mudou? A Euribor a 3 meses registou uma subida recente, impulsionada por expectativas de revisão da política monetária do Banco Central Europeu, o que se traduz diretamente num aumento da taxa dos Certificados de Aforro Série F.

Paralelamente, o IGCP expandiu a rede de distribuição dos Certificados de Aforro: desde 23 de março de 2026, cinco novos Espaços do Cidadão — em Coimbra, Penafiel, Setúbal, Faro e Viseu — passaram a oferecer o serviço, elevando o total para 12 locais em todo o país.

O que são os Certificados de Aforro e para quem fazem sentido

Os Certificados de Aforro Série F são um produto de dívida pública gerido pelo Estado português, acessível a qualquer cidadão residente em Portugal. As suas características principais:

  • Investimento mínimo: 100 euros, com reforços a partir de 10 euros
  • Liquidez: possibilidade de reembolso antecipado após 3 meses
  • Bónus de fidelização: a taxa aumenta progressivamente quanto mais tempo o dinheiro permanecer investido
  • Capitalização de juros: trimestral, o que melhora o rendimento efetivo ao longo do tempo
  • Risco: zero de incumprimento, garantido pelo Estado português

A taxa líquida para subscrições em abril será de aproximadamente 1,54% após retenção na fonte de 28%.

O problema da inflação: o que a taxa não diz

Aqui está o ponto que muitos aforradores ignoram: uma taxa bruta de 2,138% não é sinónimo de ganho real.

A Deloitte e o Banco de Portugal estimam que a taxa de inflação em Portugal em 2026 se situe entre 2,0% e 2,2%. Isso significa que o rendimento líquido dos Certificados de Aforro (cerca de 1,54%) está abaixo da inflação esperada, o que implica uma perda de poder de compra real, mesmo recebendo juros.

Dito de outra forma: ao deixar 10 000 euros em Certificados de Aforro durante um ano, poderá receber cerca de 154 euros líquidos de juros — mas os mesmos 10 000 euros valerão em termos reais cerca de 200 euros menos no final do ano, devido à inflação.

Este cálculo muda com o bónus de fidelização (que eleva a taxa para aforradores de longo prazo) e com a comparação com alternativas, mas é essencial tê-lo em conta.

Vale a pena subscrever agora?

A resposta depende do perfil de cada aforrador. Um consultor de gestão de património analisa habitualmente três variáveis:

1. Prazo de investimento Para dinheiro que pode ser necessário nos próximos 3 a 12 meses, os Certificados de Aforro são uma das melhores alternativas no mercado português para capital garantido e liquidez razoável.

2. Comparação com alternativas Os depósitos a prazo nas principais instituições bancárias portuguesas oferecem em março de 2026 taxas brutas entre 1,5% e 2,5%, dependendo do prazo e do montante. Algumas obrigações do Tesouro de curto prazo rendem acima de 2,5% brutos, mas sem a mesma liquidez.

3. Contexto patrimonial global Para um aforrador com €50 000 ou mais para alocar, a concentração total em Certificados de Aforro representa um risco de oportunidade: existe um mercado obrigacionista europeu com yields superiores e fundos de tesouraria com perfis de risco igualmente conservadores.

Segundo a Direção-Geral do Tesouro e Finanças, os Certificados de Aforro representam um instrumento de poupança de baixo risco dirigido ao pequeno aforrador. Para montantes mais significativos ou objetivos de longo prazo — como reforma, herança ou proteção patrimonial —, a consulta a um especialista permite comparar e estruturar as opções de forma objetiva.

Quando consultar um consultor financeiro

Muitos portugueses continuam a tomar decisões de poupança sem aconselhamento especializado, confiando apenas na informação disponível nos media ou nos balcões bancários. No entanto, um consultor de gestão de património independente pode:

  • Comparar Certificados de Aforro com outras alternativas de capital garantido ou de baixo risco
  • Calcular o impacto fiscal real do investimento, considerando outros rendimentos do agregado familiar
  • Desenhar uma estratégia de poupança alinhada com os objetivos de vida: educação dos filhos, reforma antecipada, compra de imóvel
  • Identificar produtos que otimizem a taxa efetiva líquida, tendo em conta o escalão de IRS

A subida da taxa em abril é uma boa notícia para os aforradores conservadores. Mas a melhor decisão nem sempre é a mais óbvia — e é precisamente aí que o aconselhamento profissional faz a diferença.

Este artigo tem caráter informativo e não constitui aconselhamento financeiro. As decisões de investimento devem ser tomadas com base no perfil de risco individual. Consulte um profissional habilitado antes de investir.

Créditos de fotografia : Esta imagem foi gerada por inteligência artificial.

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