CGD lucra 1,9 mil milhões em 2025: o que significa para os seus aforramentos?

Consultora financeira portuguesa analisa opções de poupança e investimento num escritório em Lisboa
Beatriz Beatriz MartinsGestão de Património
4 min de leitura 2 de abril de 2026

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) anunciou lucros recordes de 1,9 mil milhões de euros em 2025, um aumento de 10% face ao ano anterior, e vai entregar ao Estado português um dividendo histórico de 1,25 mil milhões de euros — o maior de sempre no setor bancário nacional, segundo o CEO Paulo Macedo na apresentação dos resultados a 26 de fevereiro de 2026. Para os aforradores portugueses, a questão é direta: o banco do Estado está a ganhar muito dinheiro. Mas está a remunerar bem as suas poupanças?

Os lucros recordes da CGD e o que significam para o país

A CGD registou lucros de 1,9 mil milhões de euros em 2025, superando o recorde anterior de 1,73 mil milhões de 2024. O crescimento foi suportado por uma combinação de fatores: descida do custo do risco, expansão da carteira de crédito, e o impacto positivo da venda da participação nas Águas de Portugal.

Destes lucros, 1,25 mil milhões serão transferidos para o Estado — o acionista único. Trata-se de capital que regressa aos cofres públicos e pode, em teoria, financiar políticas sociais ou reduzir a dívida pública. Para o contribuinte português, este desempenho é inequivocamente positivo.

Paralelamente, a CGD anunciou também que não aumentará as comissões sobre serviços em 2026 pelo quarto ano consecutivo — uma decisão que beneficia diretamente os clientes particulares que utilizam o banco no quotidiano.

Mas o que pagam os produtos de poupança da CGD?

O paradoxo dos lucros bancários é bem conhecido: quanto mais o banco lucra com a diferença entre o que paga nos depósitos e o que cobra nos créditos, menor tende a ser a remuneração ao aforrador.

No caso da CGD, os dados mais recentes disponíveis no seu precário de taxas de juro (com vigência a partir de março de 2026) indicam:

  • Depósitos a prazo standard: taxa de remuneração de 1,00% ao ano (TANB)
  • Remuneração preferencial (com domiciliação de rendimento ou cartão de crédito ativo): 1,25% ao ano (TANB)
  • Depósito Boas-Vindas para novos clientes: 3,00% a seis meses — a oferta mais competitiva do banco, mas temporária

Para comparação, os Certificados de Aforro — o instrumento de poupança do Estado gerido pelo IGCP — oferecem taxas indexadas à Euribor, que oscilaram entre 2,1% e 2,5% nos primeiros meses de 2026. Trata-se de um produto sem risco e sem comissões, disponível diretamente no Portal das Finanças, que continua a superar os depósitos standard da maioria dos bancos.

O que está a acontecer com a CGD no Brasil?

Um desenvolvimento recente que gerou atenção foi o processo de venda do banco da CGD no Brasil — o Banco Caixa Geral Brasil. A 1 de abril de 2026, o Governo português avançou para a fase seguinte do processo, tendo selecionado quatro candidatos à compra, com propostas vinculativas a apresentar nos próximos 60 a 90 dias.

A decisão de alienar a filial brasileira faz parte de uma estratégia de concentração nos mercados ibérico e africano, onde a CGD mantém uma posição de liderança. Para os clientes da CGD em Portugal, esta operação não tem impacto direto nos produtos ou serviços disponíveis a nível doméstico.

Quando faz sentido diversificar além da CGD?

Ter conta na CGD é conveniente e seguro — os depósitos até 100.000 euros estão cobertos pelo Fundo de Garantia de Depósitos, tal como em qualquer banco europeu regulamentado pelo Banco de Portugal. Mas concentrar todas as poupanças num único banco, ainda que seja o banco do Estado, pode não ser a estratégia financeira mais eficaz.

Um consultor financeiro pode ajudá-lo a avaliar:

Diversificação de produtos: Comparar depósitos a prazo, Certificados de Aforro, obrigações do Tesouro e fundos de investimento de baixo risco para encontrar a combinação mais adequada ao seu perfil de risco e horizonte temporal.

Fiscalidade das poupanças: Os rendimentos de depósitos e Certificados de Aforro são sujeitos a retenção na fonte de 28% em sede de IRS. Dependendo do escalão de rendimento, pode valer a pena englobá-los na declaração anual. Um consultor financeiro ou contabilista pode ajudar a otimizar esta decisão.

Poupança reforma: Com a sustentabilidade do sistema público de pensões em discussão, planos poupança reforma (PPR) e outros instrumentos de longo prazo oferecem benefícios fiscais que poucos portugueses aproveitam na sua totalidade. A dedução até 400 euros por sujeito passivo em sede de IRS é uma vantagem concreta que muitas famílias desconhecem.

Preservação de capital em contexto de inflação: Uma taxa de juro de 1,25% num contexto de inflação de 2 a 3% representa uma perda de poder de compra em termos reais. Saber quando e como migrar para produtos com maior rentabilidade esperada, sem assumir riscos desnecessários, é o trabalho central de um bom consultor financeiro.

O que fazer agora se quer otimizar as suas poupanças

Os lucros recordes da CGD são uma boa notícia para o Estado — mas são também um sinal de que o banco está a extrair valor significativo da diferença entre o que paga nos depósitos e o que cobra nos créditos. Para o aforrador individual, isso é um convite à ação.

Consulte as taxas atuais dos produtos disponíveis, compare com alternativas como os Certificados de Aforro, e se o seu volume de poupanças justificar, agende uma conversa com um consultor financeiro independente que possa avaliar a sua situação sem conflito de interesses.

A CGD é um banco sólido e de confiança. Mas gerir o seu dinheiro da melhor forma possível é uma responsabilidade pessoal que beneficia de acompanhamento profissional.

Aviso: Este artigo tem carácter informativo e não constitui aconselhamento financeiro individual. Consulte um consultor financeiro certificado para orientação personalizada sobre as suas poupanças e investimentos.

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