A Infanta Sofia de Espanha iniciou o segundo ano do seu percurso universitário na Forward College no início de setembro de 2026 — mas desta vez trocou Lisboa por Paris. A filha mais nova dos Reis de Espanha, que residiu quase anonimamente em Benfica durante o ano letivo anterior, instalou-se na Cité Internationale Universitaire, no 14.º arrondissement, onde partilha um quarto de 17 metros quadrados com uma colega. A notícia gerou grande interesse em Portugal e trouxe para debate uma questão que afeta diretamente muitas famílias portuguesas: quanto custa realmente estudar num programa universitário internacional, e quando é que vale a pena procurar ajuda especializada?
O Modelo da Forward College e o Que o Torna Diferente
A Forward College é uma universidade privada com um modelo de rotação geográfica: ao longo do curso de Ciência Política e Relações Internacionais, os estudantes passam por três capitais europeias — Lisboa, Paris e Berlim — em anos consecutivos. É este percurso que a Infanta Sofia está a seguir desde o ano letivo 2025/2026.
As propinas na Forward College rondam os 18.500 euros anuais, de acordo com informação publicada pela imprensa portuguesa e espanhola em maio de 2026. A isso juntam-se os custos de alojamento: em Lisboa, a residência universitária custou entre 9.880 e 13.520 euros por ano (820 a 1.127 euros mensais). Em Paris, os valores sobem ligeiramente — 820 a 1.200 euros mensais — mas a cidade é significativamente mais cara em alimentação, transportes e quotidiano.
No total, um ano letivo neste programa pode custar entre 30.000 e 35.000 euros entre propinas e despesas correntes. Um valor que coloca o programa entre os mais caros disponíveis em Portugal ou para estudantes portugueses, mas que está a par com programas equivalentes noutras capitais europeias.
A Tendência que a Infanta Sofia Representa
A história da princesa espanhola não é um caso isolado. Segundo dados do portal infocursos.mec.pt, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior registou, em 2025, mais de 28.000 estudantes portugueses inscritos em universidades estrangeiras — um crescimento de cerca de 14% face a 2022. O interesse por programas internacionais, especialmente em França, Alemanha e Reino Unido, tem crescido de forma consistente entre estudantes de ensino secundário em Portugal.
As razões são variadas: maior competitividade curricular no mercado de trabalho, aprendizagem de idiomas em contexto real, acesso a redes internacionais e, em alguns casos, propinas mais baixas do que nas universidades privadas portuguesas de prestígio. No entanto, a preparação para estes programas é complexa e, frequentemente, subestimada pelas famílias.
O Papel do Especialista: Orientação Universitária Não é Luxo
Candidatar a universidades internacionais não se resume a traduzir o boletim de notas. Cada instituição tem os seus próprios critérios de admissão, provas específicas e expectativas culturais. Para Sciences Po Paris, por exemplo, o processo inclui um teste de cultura geral e uma entrevista conduzida em francês e inglês — e a preparação recomendada é de 12 a 18 meses. Para programas anglófonos em Paris ou no Reino Unido, o nível de inglês exigido é geralmente IELTS 7.0 ou superior.
Um consultor de orientação universitária ou tutor especializado pode fazer a diferença em várias frentes: identificar os programas mais adequados ao perfil do estudante, preparar os testes de admissão, estruturar as cartas de motivação e garantir que o dossier de candidatura cumpre os critérios de cada instituição. Para estudantes que enfrentam barreiras linguísticas — seja o francês para Paris, o alemão para Berlim ou o inglês para Londres —, o acompanhamento antecipado é ainda mais determinante.
Uma vez admitido, o estudante enfrenta novos desafios: acompanhar um currículo exigente num ambiente linguístico diferente, com metodologias de avaliação distintas das portuguesas. O apoio de um tutor durante o próprio curso — para reforço de línguas, metodologia de escrita académica ou preparação para exames — é muitas vezes o fator que distingue os estudantes que conseguem manter boas classificações dos que ficam pelo caminho.
Caso Prático: O Que Acontece se a Marta Quiser Seguir o Mesmo Caminho?
Imagine a Marta, 17 anos, a frequentar o 11.º ano num colégio em Lisboa. Os pais querem que ela candidature a um programa de Ciências Sociais ou Direito numa universidade francesa em 2027. O que precisam de planear agora, em setembro de 2026?
Cenário A — Universidade pública francesa (Sciences Po Paris):
- Propinas para candidatos da UE: 6.000 a 14.000 euros/ano (Sciences Po tem propinas variáveis por rendimento)
- Alojamento em Paris: 900 a 1.300 euros/mês
- Alimentação, transportes e outros: 600 a 800 euros/mês
- Custo total estimado: 24.000 a 32.000 euros por ano
Cenário B — Universidade privada internacional (modelo Forward College):
- Propinas: 18.500 euros/ano
- Alojamento + vida: 12.000 a 16.000 euros/ano
- Custo total estimado: 30.500 a 34.500 euros por ano
O que acontece se a família começar a preparação agora vs. daqui a um ano?
Se os pais da Marta contactarem um consultor de orientação universitária em setembro de 2026, ela terá entre 12 e 18 meses para:
- Elevar o nível de francês de B1 para C1 (o mínimo exigido por Sciences Po Paris)
- Preparar as disciplinas opcionais do 12.º ano que maximizam o perfil de candidatura
- Construir o portfólio de atividades extracurriculares esperado por universidades francesas
Se esperarem até à primavera de 2027, a janela de preparação reduz-se para menos de seis meses — e as candidaturas à maioria das universidades francesas abrem entre outubro e janeiro para o ano seguinte. Neste caso, a probabilidade de admissão numa instituição de primeira escolha cai significativamente. Para programas como Sciences Po ou uma escola de Sciences Politiques regional, a taxa de admissão de candidatos internacionais está entre 8% e 15% — pelo que cada mês de preparação conta.
E o Reconhecimento do Diploma em Portugal?
Uma questão que muitas famílias ignoram na fase de candidatura é o reconhecimento do diploma em Portugal. Se a Marta se formar num programa como o da Forward College (registado em Espanha, com campus em vários países), como é que o grau é reconhecido para efeitos profissionais ou de continuação de estudos em Portugal?
De acordo com o Decreto-Lei n.º 66/2018, os graus académicos obtidos em instituições da União Europeia beneficiam de reconhecimento automático ao abrigo da Convenção de Lisboa — mas com condicionantes. Para cursos com estruturas não convencionais (como os de rotação geográfica), pode ser necessário um processo de reconhecimento individual, que pode demorar vários meses junto da DGES (Direção-Geral do Ensino Superior). Um consultor jurídico especializado em direito da educação pode ajudar a antecipar e resolver este processo antes de ele se tornar um obstáculo à vida profissional.
O Que Fazer a Seguir
A Infanta Sofia está em Paris. Muitos jovens portugueses gostariam de seguir um percurso semelhante — e as condições para o fazer nunca foram tão acessíveis, desde que a preparação comece cedo o suficiente.
Se tem um filho no ensino secundário e está a ponderar programas universitários no estrangeiro, o momento ideal para agir é agora — antes do início oficial das candidaturas. Um especialista em apoio escolar e orientação universitária pode ajudá-lo a:
- Avaliar o perfil académico e identificar os programas mais adequados
- Preparar os testes de admissão com antecedência (SAT, IELTS, DALF/DELF, GMAT)
- Estruturar cartas de motivação que respondam aos critérios de cada instituição
- Identificar bolsas de estudo disponíveis, incluindo o programa Erasmus+ e as bolsas Gulbenkian
- Garantir que o diploma obtido terá reconhecimento válido em Portugal
Na plataforma Expert Zoom, pode contactar diretamente tutores e consultores especializados em orientação universitária internacional para uma primeira consulta e perceber qual o caminho mais adequado para o seu filho.

Miguel Gomes