Hans Zimmer atua em Lisboa na noite de 31 de março de 2026 — e novamente a 1 de abril — na MEO Arena, como parte da sua tour europeia The Next Level. Dois concertos que prometem ser uma experiência sonora de grande intensidade, com inovações electrónicas e uma produção de luz e som que vai além do que o compositor alemão já apresentou ao vivo. Mas antes de se juntar a milhares de fãs no recinto de Belém, há algo que os médicos querem que saiba sobre a saúde dos seus ouvidos.
O que acontece aos seus ouvidos num concerto ao vivo
Um concerto de orquestra amplificada, como os de Hans Zimmer, pode atingir volumes entre 90 e 110 decibéis (dB) na plateia, dependendo da posição do espectador e do sistema de som utilizado. Para referência, a Organização Mundial de Saúde considera que a exposição a sons acima de 85 dB durante mais de oito horas é prejudicial — e que a cada 3 dB acima desse limiar, o tempo seguro de exposição é reduzido para metade.
Num concerto de duas horas com picos de 100 dB, o ouvido humano pode sofrer fadiga auditiva temporária — uma perda de audição a curto prazo que, na maioria dos casos, se resolve em 24 a 48 horas. Mas exposições repetidas ou especialmente intensas podem causar danos permanentes nas células ciliadas do ouvido interno, que não se regeneram.
Segundo a Direção-Geral da Saúde, o ruído excessivo em eventos de lazer é uma das causas de perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR) em jovens adultos que mais cresceu na última década em Portugal — um problema silencioso que se manifesta frequentemente apenas anos depois da exposição.
Os grupos mais vulneráveis
Nem todos os espectadores correm o mesmo risco. Os otorrinolaringologistas identificam grupos particularmente vulneráveis:
Pessoas com histórico de exposição prolongada a ruído. Músicos, trabalhadores em indústrias ruidosas, utilizadores habituais de auscultadores a volume elevado — todos eles chegam ao concerto com uma "reserva auditiva" já reduzida. Uma exposição intensa adicional pode ter consequências maiores do que numa pessoa sem histórico de exposição.
Jovens entre 15 e 30 anos. A perceção de risco nesta faixa etária é frequentemente baixa. Estudos europeus mostram que jovens adultos tendem a subestimar a intensidade do volume em concertos e a não utilizar proteção auditiva mesmo quando disponível.
Pessoas com zumbido (tinnitus) pré-existente. O zumbido é um sinal de alerta: indica que o sistema auditivo já está sob pressão. Exposição a volumes elevados pode agravar permanentemente este sintoma. Qualquer pessoa com zumbido diagnosticado deveria consultar o seu médico antes de frequentar eventos musicais de grande dimensão.
O que pode fazer para proteger a audição — antes, durante e depois
A boa notícia é que a proteção auditiva em concertos não implica perder qualidade sonora. As tampões auditivos de alta fidelidade, desenvolvidos especificamente para uso musical, atenuam o volume de forma uniforme em todas as frequências, preservando a clareza e a textura do som enquanto reduzem a exposição a níveis seguros.
Médicos especialistas em otorrinolaringologia recomendam as seguintes precauções:
Antes do concerto:
- Se utiliza auscultadores regularmente, considere fazer uma audiometria preventiva antes da temporada de concertos
- Adquira tampões auditivos de alta fidelidade (disponíveis em farmácias e lojas de música, entre 15 e 40 euros)
- Evite exposição a ambientes ruidosos nas 24 horas anteriores ao evento
Durante o concerto:
- Mantenha distância das colunas de som principais sempre que possível
- Utilize os tampões auditivos sem receio — a qualidade sonora é preservada
- Faça pausas em zonas mais silenciosas do recinto se sentir pressão ou desconforto nos ouvidos
Depois do concerto:
- Evite música com auscultadores nas horas seguintes
- Se sentir zumbido que persiste mais de 24 horas após o concerto, marque consulta com otorrinolaringologista
- Descanse os ouvidos com ambientes silenciosos durante pelo menos 12 a 24 horas
Hans Zimmer e a saúde auditiva dos músicos
O próprio Hans Zimmer, 68 anos, compõe e produz com sistemas de som profissional há décadas. Os músicos de topo são, paradoxalmente, um dos grupos profissionais com maior taxa de perda auditiva ocupacional — um estudo publicado no British Medical Journal em 2014 estimou que os músicos têm 3,6 vezes mais risco de desenvolver perda auditiva induzida pelo ruído em comparação com a população geral.
A tour The Next Level incorpora inovações eletrónicas que, segundo os promotores, tiram partido das mais recentes tecnologias de som espacial. Sistemas modernos de line array distribuem o som de forma mais homogénea pela sala, potencialmente reduzindo os picos de exposição junto às colunas — uma melhoria técnica com benefícios reais para a saúde do público.
Quando consultar um médico
Se após o concerto de Hans Zimmer em Lisboa sentir qualquer um destes sintomas, não espere para consultar um otorrinolaringologista:
- Zumbido que não desaparece após 24 horas
- Sensação de ouvidos "tapados" persistente
- Dificuldade em compreender conversas em ambientes normais
- Hipersensibilidade a sons do quotidiano
A perda auditiva é frequentemente irreversível, mas o diagnóstico precoce permite travar a progressão e adaptar estratégias de proteção. Um especialista pode avaliar o seu perfil auditivo e recomendar as medidas preventivas mais adequadas ao seu estilo de vida.
Os concertos de Hans Zimmer em Lisboa são uma oportunidade rara de experienciar música cinematográfica ao vivo. Com a proteção adequada, pode vivê-los plenamente — sem comprometer a saúde que o vai levar ao próximo.
