Jovem portuguesa num festival de música ao ar livre com proteção auditiva, multidão ao fundo

Chappell Roan e o Lollapalooza Brasil: os riscos reais para a sua audição em concertos

5 min de leitura 22 de março de 2026

metaTitle: Polémica com Chappell Roan no Lollapalooza Brasil: Os riscos reais dos concertos para a audição metaDescription: A cantora Chappell Roan está no centro de uma controvérsia após alegado comportamento agressivo da sua equipa de segurança. Mas há outro risco nos concertos: os danos auditivos permanentes. metaKeywords: chappell roan, lollapalooza brasil, audição, perda auditiva, concertos, saúde auditiva, ruído, otorrinolaringologista language: pt country: PT


A cantora norte-americana Chappell Roan, conhecida pelos seus espetáculos vibrantes e guarda-roupa extravagante, tornou-se no centro de uma polémica no Brasil. A 21 de março de 2026, o futebolista Jorginho acusou publicamente a equipa de segurança da artista de comportamento agressivo para com a sua família num hotel durante o Lollapalooza Brasil, no Rio de Janeiro. A reação foi imediata: o presidente da Câmara do Rio, Eduardo Cavaliere, declarou que Roan "nunca mais se apresentará no festival" enquanto estiver no cargo.

Mas enquanto as manchetes se concentram no incidente de segurança, existe outro risco associado aos concertos de grande dimensão que raramente recebe atenção mediática: os danos auditivos permanentes causados pela exposição a níveis de ruído extremos. E ao contrário de polémicas que se esbatem com o tempo, a perda auditiva induzida por ruído é irreversível.

O verdadeiro perigo escondido nos concertos ao vivo

Os concertos modernos, incluindo festivais como o Lollapalooza onde Chappell Roan atuou tanto no Brasil como na Argentina com figurinos elaborados, atingem regularmente níveis sonoros entre 100 e 120 decibéis (dB). Para contextualizar, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda uma exposição máxima de 85 dB durante oito horas.

A matemática é assustadora: a 100 dB, danos auditivos podem ocorrer após apenas 15 minutos de exposição. Num concerto típico de duas a três horas, os espectadores nas primeiras filas estão a submeter os seus ouvidos a níveis de stress acústico equivalentes ao de uma britadeira ou motosserra.

A perda auditiva induzida por ruído (PAIR) é cumulativa e permanente. As células ciliadas da cóclea, responsáveis por converter vibrações sonoras em sinais nervosos, não se regeneram quando danificadas. Cada concerto sem proteção adequada representa um risco acrescido de dano irreparável.

1,1 mil milhões de jovens em risco

Segundo dados da OMS, cerca de 1,1 mil milhões de jovens em todo o mundo estão em risco de perda auditiva devido à exposição a ruído recreativo, incluindo concertos, clubes e dispositivos de áudio pessoais. Em Portugal, onde a cultura de festivais de música ao ar livre tem crescido exponencialmente na última década, os números são particularmente preocupantes.

Os sintomas mais comuns após exposição a níveis elevados de ruído incluem:

  • Acufenos (zumbidos): um som persistente de campainha, assobio ou zumbido nos ouvidos
  • Audição temporariamente abafada: dificuldade em ouvir conversas normais nas horas seguintes ao concerto
  • Dificuldade em compreender a fala: especialmente em ambientes ruidosos
  • Sensação de pressão ou plenitude nos ouvidos

Muitos jovens consideram estes sintomas "normais" após um concerto e ignoram-nos. Mas são sinais de alerta de que ocorreram danos.

Proteção auditiva: não tem de sacrificar a experiência

Contrariamente ao mito popular, proteger a audição não significa sacrificar a qualidade da experiência musical. Existem duas opções principais:

Protetores auriculares de espuma: disponíveis em farmácias e lojas de desporto, reduzem o ruído em 20 a 30 dB. São económicos (geralmente menos de 5 euros por par) e eficazes, embora possam abafar ligeiramente certas frequências.

Protetores auriculares para músicos: moldados à medida do canal auditivo, utilizam filtros acústicos que reduzem uniformemente todas as frequências, mantendo a claridade e qualidade do som. Custam entre 150 e 250 euros, mas são um investimento para quem frequenta concertos regularmente.

Alguns festivais internacionais já começaram a distribuir protetores auriculares gratuitos à entrada. Em Portugal, ainda não é prática comum, pelo que a responsabilidade recai sobre o próprio espectador.

Quando consultar um especialista

Se após um concerto — seja de Chappell Roan, que a 8 de março de 2026 também marcou presença no desfile da Alexander McQueen na Semana da Moda de Paris, ou de qualquer outro artista — experimentar acufenos persistentes por mais de 24 horas, dificuldade em ouvir conversas normais ou sensação de ouvidos tapados que não desaparece, deve consultar um otorrinolaringologista ou audiologista.

Estes especialistas podem realizar testes audiométricos para avaliar o grau de perda auditiva e recomendar estratégias de proteção ou reabilitação. Em alguns casos, aparelhos auditivos ou terapias de habituação para acufenos podem ser necessários.

A plataforma ExpertZoom permite encontrar especialistas em saúde auditiva qualificados na sua área, facilitando a marcação de consultas com profissionais experientes em perda auditiva induzida por ruído.

A mensagem de Boy George e a responsabilidade pessoal

Recentemente, Boy George aconselhou Chappell Roan a "assumir a sua fama" em meio à cobertura mediática. Mas para os fãs que enchem pavilhões e festivais, a mensagem deveria ser diferente: assumam a responsabilidade pela vossa saúde auditiva.

A polémica no Lollapalooza Brasil eventualmente desvanecerá. As declarações do presidente da Câmara do Rio poderão ou não materializar-se. Mas os danos auditivos causados por anos de exposição desprotegida a concertos permanecerão, afetando a qualidade de vida, a capacidade de comunicação e até as perspetivas profissionais de milhões de jovens.

A ironia é cruel: a música que tanto amamos pode, sem as devidas precauções, roubar-nos gradualmente a capacidade de a apreciar plenamente no futuro.

Conclusão: proteja o que ama

Os concertos ao vivo são experiências inesquecíveis que conectam artistas e públicos de formas únicas. Chappell Roan, com os seus espetáculos teatrais e energia contagiante, representa exatamente esse tipo de experiência imersiva que define uma geração.

Mas proteger a audição não é apenas sensato — é essencial para garantir que possa continuar a desfrutar dessas experiências nas próximas décadas. Um par de protetores auriculares de 5 euros pode fazer a diferença entre uma vida inteira de boa audição e décadas de zumbidos constantes e perda progressiva da capacidade auditiva.

A próxima vez que for a um concerto, leve protetores auriculares. Os seus ouvidos de 50 anos agradecer-lhe-ão.


Aviso Legal: Este artigo tem fins informativos e não substitui aconselhamento médico profissional. Se suspeita de perda auditiva ou experimenta sintomas persistentes, consulte um otorrinolaringologista ou audiologista qualificado.

Health
Yassine Marshall

Coloque a sua questão a Yassine Marshall

Health
Mia Arjun

Olá,
sou Mia Arjun o/a assistentee de Yassine Marshall como posso ajudar?

Nos experts

Avantages

Des réponses rapides et précises pour toutes vos questions et demandes d'assistance dans plus de 200 catégories.

Des milliers d'utilisateurs ont obtenu une satisfaction de 4,9 sur 5 pour les conseils et recommandations prodiguées par nos assistants.