David Guetta anunciou um concerto em Portugal a 2 de agosto de 2026 no Parque Papa Francisco, em Loures — e os bilhetes para "The Monolith Tour" abriram a 9 de abril. Mas antes de comprar o seu bilhete, há algo que os médicos querem que saiba sobre os riscos auditivos nos grandes festivais de música eletrónica.
"The Monolith Tour": o espetáculo mais ambicioso de Guetta
A nova digressão de David Guetta promete uma estrutura central de LED gigante como palco e centro visual, combinando som, imagem e emoção numa escala sem precedentes. O Parque Papa Francisco, em Loures, é um dos maiores espaços de eventos ao ar livre de Portugal, com capacidade para dezenas de milhares de espectadores.
Este tipo de concerto de música eletrónica — com sistemas de som de grande potência, subwoofers e pressão sonora elevada durante horas — coloca o público numa situação de exposição acústica que os especialistas em saúde auditiva identificam como um risco real e prevenível.
O que dizem os médicos sobre o volume dos concertos
Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 1,1 mil milhões de jovens adultos em todo o mundo estão em risco de perda auditiva devido à exposição a ruído recreativo excessivo. Os grandes concertos de música eletrónica estão frequentemente entre os ambientes mais ruidosos a que os cidadãos se expõem voluntariamente.
Os sistemas de som profissionais utilizados em concertos de grande escala podem atingir volumes superiores a 110 decibéis (dB) junto à zona frontal do público. Para referência, a exposição a 100 dB durante apenas 15 minutos já excede os limites considerados seguros pela OMS para a saúde auditiva.
Num concerto de duas horas com pressão sonora de 105 dB, a exposição cumulativa é equivalente, em termos de risco auditivo, ao trabalho numa fábrica sem proteção durante uma semana inteira.
Que tipo de dano auditivo pode ocorrer?
Os otorrinolaringologistas descrevem dois tipos principais de consequências de uma exposição sonora excessiva em concertos:
Perda auditiva temporária (TTS - Temporary Threshold Shift): É o fenómeno mais comum. Após um concerto com volume elevado, muitas pessoas sentem os sons abafados e têm dificuldade em ouvir conversas normais. Este efeito desaparece geralmente em 24 a 48 horas — mas a sua ocorrência repetida ao longo dos anos pode originar danos permanentes.
Zumbido (acufenos): Um assobio ou zumbido persistente no ouvido após o concerto é um sinal de alerta. Em casos graves, os acufenos podem tornar-se crónicos, afetando o sono, a concentração e a qualidade de vida de forma significativa.
Perda auditiva permanente: Com exposições repetidas sem proteção adequada, as células ciliadas da cóclea — responsáveis pela conversão do som em sinais elétricos para o cérebro — podem ser destruídas de forma irreversível. Ao contrário de outros tecidos, estas células não se regeneram.
Protetores auditivos: muito mais do que tampões de espuma
A solução mais eficaz é também a mais simples: usar proteção auditiva adequada. No entanto, muitos festivaleiros associam os protetores auriculares a uma experiência musical degradada. Esta ideia está desatualizada.
Os protetores de alta fidelidade, disponíveis em lojas de música e farmácias, são desenvolvidos especificamente para atenuar o volume de forma uniforme em todas as frequências. Ao contrário dos tampões de espuma comuns, estes dispositivos reduzem o volume sem distorcer a qualidade sonora — tornando a experiência musical igualmente rica, mas a um nível seguro.
Para quem frequenta concertos regularmente, os protetores auditivos moldados sob medida, fabricados a partir de moldes do canal auditivo, oferecem o melhor compromisso entre proteção, conforto e fidelidade sonora.
Quando consultar um médico depois de um concerto
A maioria das pessoas não consulta um médico após um concerto, mesmo quando os sintomas são preocupantes. Os otorrinolaringologistas recomendam uma avaliação médica nas seguintes situações:
- Zumbido que persiste mais de 48 horas após o concerto
- Sensação de ouvido tapado que não melhora ao fim de dois dias
- Dificuldade em ouvir conversas normais por mais de 24 horas
- Episódios repetidos de perda auditiva temporária após concertos
Um audiograma simples — um exame audiométrico não invasivo — permite detectar alterações precoces na capacidade auditiva antes que se tornem permanentes. Para quem frequenta múltiplos concertos por ano, uma avaliação anual da audição é uma medida de saúde preventiva recomendada.
O concerto como oportunidade de cuidar da saúde
A chegada de David Guetta a Portugal em agosto de 2026 é uma ocasião de celebração. Mas é também um bom momento para rever os seus hábitos de proteção auditiva — especialmente se é fã regular de música ao vivo ou frequenta festivais de verão.
Consultar um médico especialista em saúde auditiva antes da temporada de festivais permite fazer um ponto de situação e receber recomendações personalizadas para cada situação. A música eletrónica não tem de custar a audição. Com os cuidados certos, é possível desfrutar de concertos ao longo de toda a vida sem comprometer a capacidade auditiva — e The Monolith Tour pode ser apenas o primeiro de muitos espetáculos inesquecíveis e saudáveis.
Se já sentiu algum dos sintomas mencionados neste artigo após concertos anteriores, aproveite os meses que antecedem agosto para fazer uma avaliação auditiva. Uma consulta com um otorrinolaringologista pode revelar informações importantes sobre o estado atual da sua audição e orientá-lo sobre as melhores estratégias de proteção para o futuro.
