Facebook sob ataque em Portugal: como proteger a sua conta e página da nova vaga de burlas

Empresário preocupado a olhar para um alerta de segurança falso do Facebook num portátil, num escritório em casa em Portugal.
João João SantosInformática
4 min de leitura 19 de julho de 2026

Uma vaga de burlas informáticas dirigidas a contas de Facebook atingiu utilizadores e empresas em Portugal em julho de 2026, com criminosos a fazerem-se passar pela equipa do Meta para roubar credenciais em tempo real. Especialistas de segurança alertam que o alvo preferencial passou a ser os administradores de páginas de negócio, cujas contas dão acesso a orçamentos publicitários e a milhares de seguidores. O esquema combina mensagens falsas no Messenger, links clonados do Meta Business e perfis com o símbolo azul de "verificado" imitado.

O que está a acontecer

Segundo o portal de tecnologia 4gnews, foi detetada uma campanha de phishing sofisticada que procura capturar contas de Facebook enquanto a vítima escreve a palavra-passe. Os atacantes enviam mensagens que parecem vir do próprio Facebook, avisando que a página vai ser "restrita" ou "eliminada" por alegada violação das regras. O link conduz a uma página idêntica à do Meta Business, onde as credenciais são intercetadas de imediato.

Em paralelo, a PSP voltou a alertar para a "burla do perfil clonado": os criminosos copiam nome e fotografias de um utilizador real e contactam os seus amigos a pedir transferências urgentes de dinheiro, invocando uma emergência ou a troca de telemóvel. E chegou a Portugal o esquema de "aluguer de conta" do Marketplace, já comum no Brasil, em que perfis falsos prometem pagamentos em troca do acesso à conta da vítima — que acaba a servir de fachada para vender produtos inexistentes.

Estas ondas de ataque surgem depois de várias falhas de acesso ao Facebook, Instagram e Messenger registadas em junho de 2026, um clima de confusão que os burlões aproveitam para enviar falsos avisos de "recuperação de conta".

Porque é que isto importa

Para um particular, perder a conta significa expor conversas privadas e arriscar que amigos e familiares sejam enganados em seu nome. Para uma empresa, o prejuízo é maior: quem controla a página passa a controlar as campanhas pagas, podendo esgotar o saldo publicitário em poucas horas, publicar conteúdos fraudulentos ou exigir resgate para devolver o acesso.

O Gabinete de Cibercrime da Procuradoria-Geral da República classifica estas práticas como burla informática e acesso ilegítimo, crimes previstos na lei portuguesa. Recuperar uma página tomada por terceiros pode demorar dias e, sem uma cópia de segurança das provas, torna-se difícil demonstrar a titularidade junto do Meta ou das autoridades.

A leitura de um especialista

Um especialista em informática e cibersegurança explica que quase todos estes ataques exploram o mesmo ponto fraco: a pressa. "A mensagem cria urgência — a página vai ser eliminada, a conta foi comprometida — para que a pessoa clique sem verificar o endereço", resume o tipo de análise que estes profissionais fazem. A defesa técnica é conhecida, mas raramente aplicada a tempo.

As recomendações concretas de quem trabalha em segurança digital incluem:

  • Ativar a verificação em dois passos em todas as contas, de preferência com uma aplicação autenticadora e não por SMS, mais vulnerável à troca de cartão SIM.
  • Confirmar sempre o endereço do link antes de introduzir a palavra-passe. O Meta nunca pede credenciais fora dos domínios oficiais facebook.com ou business.facebook.com.
  • Separar administradores de uma página de empresa através do Meta Business Suite, atribuindo permissões mínimas a cada colaborador e removendo acessos antigos.
  • Desconfiar de qualquer pedido de dinheiro feito por mensagem, mesmo vindo de um contacto conhecido; ligar para o número habitual antes de transferir.
  • Guardar provas — capturas de ecrã das mensagens, endereços e datas — que serão úteis numa queixa.

Numa empresa, um consultor pode ainda auditar quem tem acesso às contas, configurar alertas de início de sessão a partir de dispositivos desconhecidos e criar um plano de resposta para o caso de a página ser efetivamente tomada. É a diferença entre recuperar o controlo em horas ou perder semanas de faturação.

O que fazer se já foi vítima

Se suspeita que a sua conta foi comprometida, o primeiro passo é tentar alterar a palavra-passe e encerrar todas as sessões ativas através das definições de segurança do Facebook. Caso já não consiga entrar, deve iniciar o processo oficial de recuperação de conta do Meta e reunir toda a documentação que prove a titularidade.

Em situações de burla com prejuízo financeiro — transferências enviadas, saldo publicitário gasto ou dados bancários partilhados — a denúncia deve ser feita às autoridades. O Gabinete de Cibercrime disponibiliza os canais oficiais para reportar estes crimes em cibercrime.ministeriopublico.pt. Quanto mais cedo for apresentada a queixa, maiores são as hipóteses de travar movimentos de dinheiro e de identificar os responsáveis.

Recuperar uma conta ou proteger a presença digital de um negócio nem sempre é intuitivo, sobretudo quando o tempo conta. Falar com um especialista em informática pode ajudar a repor os acessos, reforçar as defesas e evitar que o mesmo aconteça de novo. Na Expert Zoom encontra profissionais de cibersegurança prontos a orientar cada passo, do diagnóstico à recuperação.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui aconselhamento profissional individualizado em segurança informática ou apoio jurídico.

Os nossos especialistas

Vantagens

Respostas rápidas e precisas para todas as suas questões e pedidos de assistência em mais de 200 categorias.

Milhares de utilizadores obtiveram uma satisfação de 4,9 em 5 para os conselhos e recomendações fornecidas pelos nossos assistentes.