A Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco divulgou, a 8 de julho de 2026, a sua oferta formativa profissionalizante para o ano letivo 2026/2027, com candidaturas já abertas para os cursos profissionais. A lista inclui um Curso de Bombeiro, além de percursos de dupla certificação como Técnico de Contabilidade e Técnico de Turismo, pensados para responder às necessidades reais das empresas da região. O anúncio reacendeu uma dúvida que milhares de famílias portuguesas enfrentam nesta altura do ano: vale a pena escolher o ensino profissional em vez do percurso regular do secundário?
O que a escola anunciou
A oferta da Gonçalves Zarco cobre formação em horário diurno e noturno, ensino regular do 2.º e 3.º ciclos e do secundário, e um conjunto de Cursos de Educação e Formação com dupla certificação. Na prática, "dupla certificação" significa que o aluno termina o curso com uma qualificação escolar (equivalente ao 12.º ano) e, ao mesmo tempo, uma qualificação profissional de nível 4, reconhecida no mercado de trabalho.
O ponto que mais interessa às famílias é este: segundo a informação divulgada pela escola, esta via não fecha portas ao ensino superior. Um aluno que conclua um curso profissional pode candidatar-se à universidade ou ao politécnico, desde que realize os exames nacionais exigidos como provas de ingresso. É aqui que a decisão deixa de ser simples.
Porque é que esta escolha importa agora
As candidaturas para 2026/27 têm prazos curtos, e a decisão é tomada frequentemente no fim do 9.º ano, quando o aluno tem 14 ou 15 anos. A escolha condiciona os três anos seguintes e, muitas vezes, o próprio acesso ao superior.
O ensino profissional tem vantagens claras: mais horas de prática, um estágio em contexto de trabalho e uma qualificação que permite empregabilidade imediata. Segundo a Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP), organismo público que tutela estes percursos, os cursos profissionais têm uma forte componente prática e uma formação em contexto de trabalho de várias centenas de horas — informação disponível no portal oficial anqep.gov.pt.
O reverso da medalha está no acesso ao superior. Nos cursos profissionais, disciplinas como Matemática ou Português nem sempre têm a mesma carga horária que na via científico-humanística. Um aluno que decida, no 11.º ou 12.º ano, candidatar-se a Medicina, Engenharia ou Direito pode descobrir que precisa de preparar exames nacionais para os quais a sua turma não foi tão intensamente treinada.
O ângulo do especialista: preparar o exame que faz a diferença
É aqui que o apoio escolar deixa de ser um luxo e passa a ser uma peça estratégica. Um explicador ou professor de apoio pode fazer a diferença entre um percurso profissional que termina no mercado de trabalho e outro que abre a porta da universidade.
Na prática, um especialista em apoio escolar ajuda em três frentes:
Diagnóstico precoce. Logo no 10.º ano, um professor de apoio consegue identificar se o aluno tem ambições de prosseguir para o superior e mapear que provas de ingresso serão necessárias. Antecipar esta conversa evita a corrida de última hora no 12.º ano.
Preparação específica para exames nacionais. As provas de ingresso — por exemplo, o exame de Matemática A ou de Português — seguem programas próprios. Um explicador experiente conhece a estrutura do exame, os critérios de correção e os temas mais cobrados, e trabalha precisamente as lacunas que a carga horária do curso profissional pode deixar.
Gestão do tempo e do estágio. Os cursos profissionais incluem formação em contexto de trabalho. Conciliar o estágio com a preparação para exames exige método. Um professor de apoio ajuda a organizar o estudo em torno dos períodos de estágio, sem que uma coisa prejudique a outra.
Como decidir: perguntas que as famílias devem fazer
Antes de submeter a candidatura, vale a pena responder a três perguntas com honestidade:
O aluno tem um objetivo profissional claro? Se sim, e se esse objetivo se alinha com um curso como Bombeiro, Contabilidade ou Turismo, o ensino profissional é uma via sólida e valorizada.
Existe intenção de seguir para o ensino superior? Se a resposta for "talvez" ou "sim", é essencial verificar, desde o início, que exames nacionais serão exigidos pelo curso pretendido e planear a preparação em conformidade.
Que apoio existe para os exames? A escola prepara para a certificação profissional, mas a preparação intensiva para provas de ingresso é, muitas vezes, uma responsabilidade que fica do lado da família.
O que fazer a seguir
Se está a ponderar inscrever o seu educando num curso profissional — na Gonçalves Zarco ou noutra escola — o primeiro passo é consultar a oferta formativa e os prazos de candidatura junto da própria escola. O segundo é conhecer, desde já, as provas de ingresso do curso superior que possa vir a interessar, informação disponível nos serviços oficiais de acesso ao ensino superior.
Em paralelo, considere falar com um especialista em apoio escolar ainda antes de o ano letivo começar. Um diagnóstico feito em julho ou agosto permite montar um plano para os três anos seguintes, em vez de correr atrás do prejuízo no último trimestre do 12.º ano.
O ensino profissional deixou de ser a "via de recurso" que já foi. Com a dupla certificação, um aluno pode sair com uma profissão na mão e, ainda assim, entrar na universidade. Mas essa dupla porta só se abre por inteiro com planeamento — e é aí que o acompanhamento certo faz toda a diferença.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui o aconselhamento personalizado sobre percursos educativos. Para decisões concretas, consulte a escola e um profissional de apoio escolar.

Miguel Gomes