O Atlético-MG recebe o City Torque esta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, às 19h (horário de Brasília), na Arena MRV, em Belo Horizonte, no jogo de ida da meia-final da Copa Sul-Americana. A segunda mão joga-se a 21 de outubro, no Estádio Centenário, em Montevideu — e é nesse segundo jogo que muitos adeptos vão enfrentar perguntas muito práticas sobre documentos, seguros e direitos.
O que sabemos sobre o confronto
Segundo a Trivela, o Atlético-MG chega à meia-final depois de se qualificar nos penáltis e de vencer o Santos por 2-1 no Brasileirão. O City Torque disputa a primeira meia-final continental da sua história e, de acordo com a mesma fonte, voltou à liderança do Clausura uruguaio.
O jogo de volta realiza-se em Montevideu porque o Torque fez melhor campanha na fase de grupos. A transmissão da ida está prevista para a ESPN e o Disney+.
Quem acompanha o clube já conhece a vertente jurídica do futebol sul-americano; analisámos o que está em jogo para os contratos no Atlético-MG vs Santos na Sul-Americana. Desta vez, o foco é outro: o adepto que decide atravessar a fronteira.
A pergunta que os adeptos fazem: posso viajar para o Uruguai só com o RG?
A resposta curta é: para turismo, em regra sim, mas com condições. De acordo com guias de viagem que citam a Polícia Federal e o Itamaraty, os brasileiros podem entrar no Uruguai com passaporte ou com Registo Geral (RG) em bom estado e emitido recentemente, ao abrigo dos acordos do Mercosul.
Há limites que apanham muita gente de surpresa:
- a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), as carteiras profissionais e as certidões de nascimento não são aceites para entrada;
- um RG muito antigo, rasgado ou desgastado pode ser recusado na fronteira ou na companhia aérea;
- viagens por motivos de trabalho, estudo ou tratamento de saúde exigem passaporte.
Como as regras podem mudar, convém confirmar os requisitos atuais no portal da Polícia Federal antes de comprar qualquer bilhete.
Porque é que um advogado ou consultor de viagens importa aqui
Parece um tema menor, mas uma recusa de embarque ou de entrada gera perdas reais: bilhete de avião, alojamento, ingresso e, sobretudo, o jogo. Um especialista em direito do consumidor ajuda a perceber quem responde quando a companhia recusa o embarque por causa do documento (em regra, a responsabilidade pelo documento é do passageiro) e quando, pelo contrário, há direito a reembolso ou reacomodação (alteração de voo, cancelamento, overbooking).
Também faz diferença na compra do ingresso. Os ingressos de jogos internacionais são, muitas vezes, vendidos por canais oficiais do clube anfitrião e o revendedor não oficial não oferece qualquer garantia. Um profissional pode explicar como documentar a compra, que provas guardar e como contestar um pagamento fraudulento junto do banco.
Caso concreto: o adepto de Belo Horizonte e o RG de 2014
Imagine o Rodrigo, 34 anos, de Belo Horizonte, que decide viajar a Montevideu para o jogo de 21 de outubro. Compra um voo com escala por R$ 2.400 e reserva três noites de alojamento por R$ 1.350, num total de R$ 3.750 sem contar o ingresso.
O RG dele foi emitido em 2014, tem o plástico dobrado e a foto já não se parece com ele. Aplicam-se aqui duas situações possíveis:
- Se a companhia aérea aceitar o documento no check-in, então o risco passa para a fronteira uruguaia, onde o agente pode recusar a entrada por estado do documento. Nesse caso, Rodrigo regressa por conta própria e perde os R$ 3.750, mais o custo do voo de volta.
- Se Rodrigo renovar o RG na semana anterior (os prazos variam por estado, por vezes alguns dias, noutros semanas) ou, em alternativa, usar o passaporte, então o risco cai praticamente para zero, por um custo de poucas dezenas de reais de taxa, quando aplicável.
Um seguro de viagem com cobertura de cancelamento e de assistência médica de, por exemplo, R$ 150 a R$ 250 para quatro dias pode cobrir cancelamentos por motivos listados na apólice, mas não cobre, em regra, uma recusa causada por documento inadequado. O Rodrigo deve ler as exclusões antes de pagar — é exatamente aqui que um consultor poupa o dinheiro de uma viagem.
A diferença entre as duas decisões, tomada com uma semana de antecedência, é de R$ 3.750 contra uma taxa simbólica. Esse é o tipo de contas que um especialista consegue fazer em dez minutos.
Voo cancelado ou alterado: que direitos tem o passageiro
Em jogos decisivos, as companhias aéreas aumentam a procura e os voos enchem depressa. Se o voo for cancelado, sofrer um atraso longo ou for alterado de forma que o faça perder o jogo, o passageiro brasileiro pode ter direito a reacomodação, reembolso integral ou assistência material (alimentação, comunicação e, quando necessário, hospedagem), conforme as normas da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Código de Defesa do Consumidor.
O passo mais importante é guardar provas desde o primeiro minuto: capturas de ecrã da alteração, e-mails da companhia, recibos de despesas extra e o número de protocolo de qualquer reclamação. Sem esses documentos, um pedido de indemnização fica muito mais frágil, mesmo quando o direito existe. Se a companhia não resolver em prazo razoável, a reclamação pode seguir pelas plataformas oficiais de consumidor e, em último caso, pelos juizados especiais.
Quem compra o pacote por uma agência deve ainda perguntar quem responde pelo quê: a agência, a companhia ou o hotel. A divisão de responsabilidades nem sempre é óbvia, e é aqui que a opinião de um especialista evita meses de troca de e-mails.
Seguro de viagem e saúde: o que perguntar antes de ir
Um jogo de meia-final em estádio cheio traz aglomeração, longas esperas e deslocações a pé. Antes de partir, vale a pena responder a três perguntas:
- O seguro cobre assistência médica no Uruguai e qual é o limite de despesas médicas?
- Existem exclusões para eventos desportivos ou para desacatos em estádios?
- A apólice cobre extravio de bagagem e de documentos?
Se tem uma condição de saúde pré-existente, peça confirmação por escrito à seguradora. Esta informação é de caráter geral e não substitui aconselhamento jurídico ou médico individual.
Conduta no estádio: o que muda ao cruzar a fronteira
Em dia de jogo, as regras do estádio e a lei local aplicam-se ao adepto estrangeiro. Isso inclui proibições de objetos, controlo de acessos e sanções por desacatos. Quem for detido ou multado no estrangeiro precisa de contactar o consulado e, se necessário, de um advogado local; saber antecipadamente a quem recorrer é muito mais fácil do que improvisar à porta de uma esquadra.
Para quem acompanha o campeonato de longe, vale a pena ler também o que os adeptos devem saber sobre viagem e direitos no jogo Corinthians x Peñarol, onde já abordámos o tema de deslocações para o Uruguai.
O que fazer agora
Se pensa ir a Montevideu a 21 de outubro, siga esta lista curta:
- confirme hoje a validade e o estado do seu RG ou passaporte;
- compre ingressos apenas por canais oficiais e guarde todos os comprovativos;
- leia as exclusões do seguro de viagem antes de pagar;
- guarde os contactos do consulado brasileiro em Montevideu e da sua seguradora;
- se tiver dúvidas sobre reembolsos, recusa de embarque ou conduta no estádio, consulte um especialista.
Na ExpertZoom, pode falar com um profissional jurídico ou de consumo antes de comprar a viagem e evitar que uma meia-final se transforme num prejuízo difícil de recuperar.

Sofia Costa