Na última jornada da La Liga 2025-26, a 24 de maio de 2026, o Villarreal surpreendeu ao golear o Atlético de Madrid por 5-1 no Estadio de la Ceramica. O resultado catapultou os "Submarinos Amarelos" para o terceiro lugar da classificação final, enquanto a equipa de Diego Simeone encerrou a época com uma derrota pesada. Para os milhares de apostadores portugueses que acompanham a liga espanhola, este resultado levanta uma questão fundamental: o que diz a lei portuguesa sobre as suas apostas desportivas?
Uma goleada que ninguém esperava
A 38.ª jornada da La Liga ficou marcada por resultados surpreendentes, mas a vitória do Villarreal por 5-1 frente ao Atlético de Madrid foi a grande surpresa da última ronda. O clube de Castellón garantiu o terceiro lugar na classificação final de 2025-26, uma posição que lhe vale acesso à fase de grupos da Champions League na próxima época.
Para o Atlético, habituado a terminar nas posições mais altas da tabela, a derrota representa uma má notícia final numa temporada irregular. Diego Simeone e a sua equipa terão de recuperar a forma na pré-época de 2026-27.
Este tipo de resultado — uma equipa que derrota um favorito de forma expressiva na última jornada — é exatamente o tipo de acontecimento que pode impactar significativamente os apostadores desportivos em Portugal. Mas o que acontece, do ponto de vista legal, quando o resultado foge completamente às previsões dos analistas e das odds?
Apostas desportivas em Portugal: o enquadramento legal atual
Em Portugal, as apostas desportivas online são reguladas pelo Decreto-Lei n.º 66/2015, que estabelece o Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online (RJO). O órgão responsável pela supervisão é o SRIJ — Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, integrado no Turismo de Portugal.
Atualmente, existem 13 operadores com licença ativa para apostas desportivas de quota fixa em Portugal. Estes operadores são os únicos autorizados a oferecer apostas em eventos como a La Liga, a Champions League ou outros campeonatos internacionais reconhecidos pelo regulador.
A regulação é clara: os apostadores só podem apostar em competições que constem da lista aprovada pelo SRIJ, elaborada em articulação com as respetivas federações desportivas, conforme previsto na legislação em vigor. Apostas em eventos não listados, ou através de plataformas não licenciadas, são ilegais — e os apostadores não têm qualquer proteção legal em caso de litígio.
Um advogado especializado em direito do jogo pode ajudá-lo a perceber se uma plataforma onde apostou é realmente licenciada em Portugal e quais os seus direitos em caso de reclamação ou retenção de ganhos.
O novo portal de autoexclusão: o que muda para si
A 8 de abril de 2026, o SRIJ lançou um portal centralizado de autoexclusão, que permite a qualquer jogador — ou a um familiar — solicitar a suspensão do acesso a todos os sites de apostas e jogos de fortuna ou azar licenciados em Portugal.
Esta é uma medida importante de proteção dos jogadores. Uma vez registado no portal, o apostador fica automaticamente impedido de criar novas contas ou de aceder às existentes em todos os operadores licenciados. O processo é gratuito e pode ser feito online.
No entanto, muitos apostadores desconhecem este mecanismo ou as suas implicações legais. Por exemplo, um apostador autoexcluído que conseguiu contornar o sistema para continuar a apostar pode enfrentar dificuldades em reclamar os seus ganhos — a questão da responsabilidade legal é complexa e pode requerer assessoria jurídica especializada.
Tal como explicámos na análise do impacto legal das apostas no Aston Villa vs Liverpool 2026, o desconhecimento da lei não é argumento válido perante o SRIJ ou os tribunais portugueses.
O alerta Polymarket: uma lição sobre plataformas ilegais
Em janeiro de 2026, o SRIJ ordenou o encerramento do acesso à plataforma Polymarket em Portugal. A plataforma processou mais de 103 milhões de euros em apostas sobre as eleições presidenciais portuguesas — um tipo de aposta completamente ilegal no enquadramento jurídico nacional.
O caso serviu de alerta para muitos apostadores que, atraídos por odds elevadas ou mercados exóticos, recorriam a plataformas não licenciadas. Quem apostou no Polymarket em Portugal não tem qualquer proteção legal para reclamar ganhos ou obter reembolso de perdas em caso de litígio.
A lição é simples e direta: apostar em plataformas não licenciadas coloca o apostador numa posição de total vulnerabilidade legal. Um advogado especializado em jogos online pode avaliar a situação específica e aconselhar sobre as opções disponíveis para cada caso.
Quando os resultados surpreendem: o que pode reclamar
Um resultado como o 5-1 do Villarreal sobre o Atlético de Madrid pode gerar múltiplas situações de litígio entre apostadores e operadores: odds alteradas após confirmação das escalas, apostas canceladas sem justificação adequada, ou atrasos no pagamento de ganhos.
De acordo com o RJO, os apostadores têm direito a:
- Receber os seus ganhos no prazo definido nas condições gerais do operador
- Apresentar reclamação formal ao operador, com resposta obrigatória num prazo razoável
- Escalar a reclamação ao SRIJ, que tem poderes sancionatórios sobre os operadores licenciados
- Recorrer aos tribunais portugueses em casos de maior gravidade
Os prazos e os procedimentos são determinantes. Um erro na reclamação ou um atraso pode comprometer o direito a receber os ganhos. Para apostas de montante elevado, a consulta a um advogado especializado pode ser a diferença entre receber ou não o que é legalmente devido.
Quando deve consultar um advogado especializado
Não é necessário contratar um advogado para cada aposta perdida. No entanto, existem situações em que a assessoria jurídica é indispensável:
- Ganhos retidos ou cancelados por suspeita de irregularidade
- Conta bloqueada sem justificação suficiente pelo operador
- Apostas realizadas em plataformas não licenciadas no valor de centenas ou milhares de euros
- Dívidas de jogo e situações de dependência com implicações legais e familiares
Na plataforma ExpertZoom, encontra advogados especializados em direito do jogo e apostas desportivas que podem analisar o seu caso de forma confidencial. Uma consulta inicial clarifica os seus direitos e as opções disponíveis sem qualquer compromisso prévio.
O desporto é imprevisível — como provou o Villarreal ao golear o Atlético por 5-1 no último jogo da época de La Liga 2025-26. As leis que protegem os apostadores portugueses, essas, são bem mais previsíveis. Conhecê-las é o primeiro passo para apostar com segurança e com os direitos garantidos.
AVISO LEGAL: Este artigo tem carácter informativo e não constitui aconselhamento jurídico. Para questões específicas relacionadas com apostas desportivas ou direito do jogo em Portugal, consulte um advogado especializado.

Sofia Costa