Lojas de apps alternativas chegam ao Android: como proteger o telemóvel de malware em 2026

Homem a usar um smartphone Android com um aviso de segurança durante o download de uma aplicação

Créditos de fotografia

João João SantosInformática
4 min de leitura 22 de julho de 2026

A partir da semana de 22 de julho de 2026, o Android vai permitir que os utilizadores instalem lojas de aplicações alternativas — como a Epic Games Store ou a Amazon Appstore — diretamente a partir do Google Play, sem os avisos de segurança que até agora afastavam a maioria das pessoas. A mudança resulta de uma decisão judicial de concorrência e representa, segundo o Pplware, uma das maiores alterações de sempre no sistema operativo móvel mais usado em Portugal.

Para o utilizador comum, a novidade tem duas faces. Por um lado, mais concorrência pode significar apps mais baratas e menos comissões. Por outro, abrir a porta a lojas fora do controlo direto da Google exige atenção redobrada à segurança do telemóvel.

O que muda no Android a partir de julho

Até agora, instalar uma loja de aplicações que não fosse o Google Play obrigava a passar por vários avisos e a ativar manualmente a opção de "fontes desconhecidas". O processo era intencionalmente incómodo e afastava a esmagadora maioria dos utilizadores.

Com a nova regra, o Google passa a ser obrigado a permitir que essas lojas concorrentes sejam descarregadas "de forma tão simples como descarregar o WhatsApp ou qualquer outra aplicação", de acordo com a informação avançada pelo Pplware. A empresa terá ainda de partilhar o seu catálogo de aplicações com esses concorrentes.

A alteração decorre de um processo antitrust nos Estados Unidos. Segundo a decisão do juiz James Donato, o Google e a Epic Games retiraram o recurso, deixando a sentença em vigor. Até aqui, estima-se que a loja oficial da Google concentrava cerca de 90% dos descarregamentos, uma posição que os tribunais consideraram excessiva.

O Google impôs, mesmo assim, requisitos às lojas terceiras: auditorias anuais com um custo aproximado de 5.000 dólares e uma taxa de malware que tem de ficar abaixo de 1%. São travões pensados para limitar abusos, mas não eliminam o risco.

Porque é que isto aumenta o risco de malware

O modelo fechado do Google Play não é perfeito — passam por lá aplicações fraudulentas todos os anos —, mas oferece uma camada de verificação centralizada. Quando o utilizador passa a poder instalar várias lojas com poucos toques, essa camada única deixa de existir.

O risco não está tanto nas grandes lojas conhecidas, que têm reputação a defender. Está nas imitações. Historicamente, sempre que uma novidade abre caminho, surgem cópias falsas: uma "loja alternativa" que, na verdade, é um pacote de software malicioso desenhado para roubar dados bancários, palavras-passe ou instalar publicidade agressiva.

As autoridades de cibersegurança recomendam que os utilizadores instalem apenas software de fontes que consigam verificar e desconfiem de ligações recebidas por SMS ou redes sociais. A Agência da União Europeia para a Cibersegurança (ENISA) publica orientações e alertas atualizados no seu portal, em enisa.europa.eu. Uma loja legítima nunca chega por uma mensagem inesperada com um sentido de urgência.

Os sinais de alerta são conhecidos: pedidos de permissões que nada têm a ver com a função da app (uma calculadora que quer aceder aos SMS, por exemplo), consumo anormal de bateria e de dados, e cobranças que o utilizador não reconhece. Quem já passou por uma atualização de segurança recente sabe que a vigilância tem de ser constante.

Como instalar apps de fontes alternativas em segurança

A abertura do Android não obriga ninguém a mudar de hábitos. Quem estiver confortável com o Google Play pode continuar exatamente como está. Para quem quiser explorar as novas lojas, há um conjunto de cuidados básicos.

Primeiro, confirmar a identidade da loja no site oficial da empresa que a distribui — a Epic ou a Amazon, por exemplo — e não seguir ligações partilhadas por terceiros. Segundo, manter o sistema e o antivírus atualizados, tal como acontece com as correções críticas dos telemóveis. Terceiro, rever com atenção as permissões pedidas por cada aplicação e recusar tudo o que não for essencial.

É igualmente prudente ativar a autenticação em dois passos nas contas mais sensíveis, sobretudo nas aplicações de banco e de e-mail, e não guardar dados de cartões em lojas pouco conhecidas. Uma palavra-passe forte e única para cada serviço continua a ser a defesa mais eficaz.

Quando vale a pena chamar um especialista

Para muitos utilizadores, estas verificações são simples. Mas há situações em que a ajuda profissional compensa: um telemóvel que já mostra sinais estranhos, uma pequena empresa que gere dezenas de dispositivos, ou pais que querem configurar o telemóvel dos filhos de forma segura antes que estas lojas se multipliquem.

Um técnico de informática pode auditar as aplicações instaladas, remover software suspeito, configurar as permissões corretas e explicar, em linguagem clara, o que cada loja faz aos seus dados. Numa altura em que o ecossistema Android se torna mais aberto — e mais complexo —, esse acompanhamento evita erros que podem custar caro.

A mudança que chega esta semana é positiva para a concorrência e para a liberdade de escolha. Cabe a cada utilizador transformá-la numa oportunidade, e não numa vulnerabilidade. Se tiver dúvidas sobre a segurança do seu equipamento, contactar um especialista de informática através da Expert Zoom é a forma mais segura de tirar partido das novas lojas sem correr riscos desnecessários.

Créditos de fotografia : Esta imagem foi gerada por inteligência artificial.

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