A pensão de alimentos garante o sustento de filhos menores ou dependentes após a separação dos pais. Em Portugal, o incumprimento atinge cerca de 30% dos casos, segundo dados do Ministério da Justiça [2023]. Um advogado especializado em pensão alimentícia assegura que os valores fixados correspondem às necessidades reais e que o pagamento é cumprido.
Este guia explica como funciona o pedido de pensão de alimentos em Portugal, quanto custa contratar um advogado, quais os direitos de quem recebe e de quem paga, e o que fazer quando há incumprimento.
O Que É a Pensão de Alimentos e Quem Tem Direito
A pensão de alimentos é uma prestação mensal destinada a cobrir despesas essenciais como alimentação, habitação, saúde, educação e vestuário. O artigo 2003.º do Código Civil português define alimentos como tudo o que é indispensável ao sustento, habitação e vestuário do alimentando.
Têm direito a receber pensão de alimentos:
- Filhos menores — o direito é automático e irrenunciável, independentemente do estado civil dos pais
- Filhos maiores até aos 25 anos — quando frequentam formação profissional ou ensino superior, nos termos do artigo 1880.º do Código Civil
- Ex-cônjuges — em situações de carência económica comprovada após divórcio
O valor da pensão não segue uma tabela fixa. O tribunal pondera dois critérios fundamentais: as necessidades de quem recebe e as possibilidades económicas de quem paga artigo 2004.º do Código Civil.
A reter : Em Portugal, a pensão de alimentos é um direito do filho, não do progenitor guardião. O progenitor apenas administra os valores em nome da criança.
Como É Calculado o Valor da Pensão Alimentícia

O cálculo da pensão de alimentos em Portugal resulta de uma análise caso a caso. Não existe uma fórmula matemática oficial, mas os tribunais portugueses consideram critérios bem definidos.
Critérios do Tribunal
O juiz avalia três elementos centrais:
- Rendimentos do obrigado — salário líquido, rendas, investimentos e outros rendimentos declarados no IRS
- Necessidades do alimentando — despesas com escola, saúde, alimentação, atividades extracurriculares e habitação
- Padrão de vida anterior — o nível económico que a criança mantinha antes da separação
Valores de Referência em Portugal
Na prática, os tribunais portugueses tendem a fixar entre 15% e 25% do rendimento líquido do progenitor obrigado para um filho. Para dois filhos, o valor total situa-se geralmente entre 25% e 35%. Estas percentagens são orientativas e variam conforme a comarca e o juiz atribuído ao processo.
Ponto chave: O valor pode ser revisto a qualquer momento se as circunstâncias económicas de uma das partes mudarem substancialmente — um despedimento, uma promoção ou uma doença prolongada justificam o pedido de revisão [artigo 2012.º do Código Civil].
Processo Judicial vs. Acordo Extrajudicial: Qual Escolher
Existem duas vias para fixar a pensão de alimentos em Portugal. A escolha entre elas depende do grau de entendimento entre os progenitores e da complexidade patrimonial do caso.
Acordo Extrajudicial (Conservatória)
Quando ambos os progenitores concordam com o valor, o acordo pode ser homologado na Conservatória do Registo Civil. O processo demora entre 1 a 3 meses e custa significativamente menos do que a via judicial.
Requisitos para esta via:
- Acordo escrito sobre o valor da pensão
- Regulação do exercício das responsabilidades parentais
- Aprovação pelo Ministério Público (obrigatória para proteger o interesse do menor)
Via Judicial (Tribunal de Família)
Quando não há acordo, o progenitor guardião pode intentar uma ação de regulação das responsabilidades parentais no Tribunal de Família e Menores. O processo inclui uma tentativa de conciliação obrigatória, seguida de julgamento se a mediação falhar.
O prazo médio de resolução judicial é de 6 a 12 meses, segundo dados da Direção-Geral da Política de Justiça (DGPJ) [2023].
Um advogado especializado em direito da família é essencial nesta fase. Prepara a documentação probatória, calcula o valor adequado com base em jurisprudência recente e representa o cliente nas audiências. Encontre um advogado de família no Expert Zoom para obter orientação personalizada sobre o seu caso.
Quanto Custa Contratar um Advogado de Pensão Alimentícia

Os honorários de um advogado de família em Portugal variam conforme a experiência do profissional, a região e a complexidade do caso. A Ordem dos Advogados (OA) não fixa tabelas obrigatórias desde 2005, mas publica valores de referência.
Cidadãos com rendimentos insuficientes podem requerer apoio judiciário junto da Segurança Social. O sistema de acesso ao direito cobre total ou parcialmente os honorários do advogado nomeado, as custas judiciais e os encargos com perícias Lei n.º 34/2004.
Dra. Mariana Ferreira, advogada de família em Lisboa: "Muitos clientes desconhecem que têm direito a apoio judiciário. Antes de desistir por questões financeiras, vale sempre a pena verificar a elegibilidade junto da Segurança Social."
O Que Fazer Quando a Pensão Não É Paga
O incumprimento do pagamento da pensão de alimentos é crime em Portugal. O artigo 250.º do Código Penal pune a violação da obrigação de alimentos com pena de multa até 120 dias ou prisão até 1 ano.
O progenitor que não recebe o pagamento dispõe de três mecanismos legais:
- Ação executiva — o credor requer ao tribunal a penhora de salários, contas bancárias ou bens do devedor. As pensões em atraso podem ser cobradas retroativamente até 5 anos
- Queixa-crime — participação ao Ministério Público por crime de violação de obrigação de alimentos. A condenação pode resultar em pena de prisão efetiva em casos reincidentes
- Fundo de Garantia de Alimentos Devidos a Menores (FGADM) — quando o devedor não tem meios para pagar, o Estado substitui-se temporariamente. O FGADM paga até ao limite fixado pelo tribunal, geralmente entre 100 € e 200 € por mês [Instituto da Segurança Social, 2024]
A ação executiva é o mecanismo mais eficaz. O advogado requer a penhora direta do vencimento do devedor junto da entidade empregadora. Os valores são retidos antes de chegarem à conta do obrigado, garantindo regularidade no pagamento.
A reter : Mesmo sem advogado, o progenitor pode apresentar queixa ao Ministério Público. No entanto, um advogado especializado em direito de família acelera significativamente o processo de cobrança e maximiza o valor recuperado.
Perguntas Frequentes Sobre Pensão de Alimentos
A pensão de alimentos pode ser alterada depois de fixada?
A pensão pode ser revista sempre que ocorra uma alteração substancial das circunstâncias. Exemplos válidos incluem perda de emprego, aumento significativo de rendimentos, mudança nas necessidades do filho (entrada na universidade) ou doença prolongada de uma das partes. O pedido de revisão é feito no mesmo tribunal que fixou a pensão original.
Até que idade se paga pensão de alimentos em Portugal?
A obrigação cessa quando o filho atinge a maioridade (18 anos), salvo se estiver a frequentar formação profissional ou ensino superior. Nesse caso, a pensão pode prolongar-se até aos 25 anos, conforme o artigo 1880.º do Código Civil. O filho maior deve demonstrar que está efetivamente a estudar e que não dispõe de rendimentos próprios suficientes.
O que acontece se o obrigado emigrar e deixar de pagar?
Portugal aderiu a convenções internacionais de cobrança de alimentos, incluindo o Regulamento (CE) n.º 4/2009 da União Europeia. O advogado pode requerer a execução da decisão portuguesa no país de residência do devedor. Para países fora da UE, aplica-se a Convenção de Haia de 2007 sobre cobrança internacional de alimentos.
É possível pedir pensão de alimentos sem estar divorciado?
A pensão de alimentos pode ser fixada independentemente do estado civil dos progenitores. Basta que a paternidade ou maternidade esteja estabelecida. Casais em união de facto, pais não casados ou progenitores em processo de separação podem todos requerer a fixação de pensão de alimentos.
Aviso : As informações presentes nesta página são fornecidas a título informativo e não constituem aconselhamento jurídico. Consulte um advogado especializado em direito da família para análise do seu caso particular.




