Advogado português a consultar um cliente numa mesa de escritório tradicional em Lisboa, com livros jurídicos e documentos

Advogado em Portugal: Funções, Custos e Como Escolher

Jurídico 6 min de leitura 18 de março de 2026

Um advogado em Portugal é um profissional licenciado em Direito e inscrito na Ordem dos Advogados (OA), habilitado a representar e aconselhar clientes em questões jurídicas. Os honorários variam entre 75 € e 300 € por hora, e o país conta com mais de 33 000 advogados inscritos [Ordem dos Advogados, 2025]. Saber quando contratar, como escolher e quanto custa um advogado pode evitar prejuízos significativos.

O que faz um advogado em Portugal

O advogado é o profissional que exerce o mandato judicial e a consultoria jurídica, conforme o Estatuto da Ordem dos Advogados (Lei n.º 145/2015). A sua função principal consiste em representar clientes em tribunal e orientá-los na interpretação e aplicação da lei.

Em Portugal, apenas advogados inscritos na Ordem dos Advogados (OA) podem praticar atos próprios da advocacia, como a representação em tribunal. A OA é a entidade reguladora que garante o cumprimento do código deontológico e a qualidade dos serviços prestados.

As áreas de atuação são diversas: direito civil, penal, laboral, fiscal, comercial, imobiliário, de família e sucessões, entre outras. Cada especialidade exige conhecimentos técnicos específicos. Um advogado de direito penal, por exemplo, domina o Código Penal e o Código de Processo Penal, enquanto um advogado de família se foca no Código Civil e na legislação sobre menores.

Ponto de vista profissional: «A especialização é fundamental. Um advogado generalista pode orientar questões simples, mas para litígios complexos — heranças, processos criminais ou fusões empresariais — a experiência na área específica faz toda a diferença no resultado.» — Conselho Regional de Lisboa, Ordem dos Advogados

Quando precisa de contratar um advogado

Empresária portuguesa a analisar documentos jurídicos num escritório em Braga com portátil e contratos sobre a secretária

Nem todas as situações jurídicas exigem a presença de um advogado, mas em diversas circunstâncias a sua intervenção é legalmente obrigatória ou fortemente recomendada.

Situações em que o advogado é obrigatório

A lei portuguesa impõe a constituição de advogado nos seguintes casos:

  1. Ações em tribunais superiores — Processos no Tribunal da Relação, Supremo Tribunal de Justiça e Tribunal Constitucional exigem advogado [Código de Processo Civil, artigo 40.º].
  2. Processos penais — O arguido tem direito a defesa por advogado em todas as fases do processo penal [Código de Processo Penal, artigo 64.º].
  3. Ações cíveis de valor superior a 5 000 € — O patrocínio judiciário é obrigatório quando o valor da causa ultrapassa este limiar.

Situações em que o advogado é recomendado

Mesmo quando não é obrigatório, consultar um advogado evita erros dispendiosos em compras de imóveis, divórcios por mútuo consentimento, constituição de empresas, contratos comerciais e disputas laborais.

Mariana, gestora de uma PME em Braga, enfrentou um litígio com um fornecedor por incumprimento contratual. Tentou resolver sozinha durante seis meses, acumulando 12 000 € em prejuízos. Após contratar um advogado especializado em direito comercial, obteve uma resolução favorável em 90 dias através de arbitragem.

Quanto custa um advogado em Portugal

Os honorários de um advogado em Portugal variam significativamente conforme a área de especialização, a complexidade do caso e a localização geográfica do escritório. Não existe uma tabela fixa de preços — a OA eliminou os honorários mínimos em 2005.

75-300 €
Honorários por hora
OA, 2025
500-2 000 €
Consulta + parecer escrito
Estimativa de mercado, 2025
1 500-10 000 €
Processo judicial simples
Estimativa de mercado, 2025
23%
IVA aplicável
Código do IVA, art.º 18.º

Os modelos de cobrança mais comuns incluem honorários à hora, avença mensal (para empresas), forfait por processo e quota litis (percentagem sobre o valor recuperado, limitada pela OA). Solicite sempre um orçamento escrito antes de contratar. O artigo 105.º do Estatuto da OA obriga o advogado a informar previamente o cliente sobre os critérios de honorários.

Como escolher o advogado certo para o seu caso

Escolher um advogado adequado exige mais do que uma pesquisa rápida. A decisão deve basear-se em critérios objetivos que garantam competência e transparência.

Verifique a inscrição na Ordem dos Advogados. Através do portal de pesquisa da OA, confirme que o profissional está ativo e sem suspensões disciplinares. Qualquer pessoa que exerça advocacia sem inscrição na OA comete crime de usurpação de funções.

Avalie a especialização. Portugal não tem especialidades formais reconhecidas pela OA, ao contrário de outros países. No entanto, a experiência prática numa área é verificável pelo histórico de processos, publicações e formação complementar do advogado.

Peça referências e compare. Consulte pelo menos dois ou três advogados antes de decidir. Compare honorários, prazos estimados e a abordagem proposta para o seu caso. A primeira consulta é frequentemente cobrada entre 50 € e 150 €, mas permite avaliar a compatibilidade.

Exija um contrato de mandato. O contrato deve especificar o objeto do serviço, os honorários e a forma de pagamento, as despesas previstas e os deveres de informação. Este documento protege ambas as partes em caso de litígio sobre honorários.

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Apoio judiciário: advogado gratuito em Portugal

Fachada de tribunal português com colunas de pedra e símbolo da balança da justiça, cidadãos a subir as escadas num dia de sol

O sistema de acesso ao direito e aos tribunais permite que cidadãos com insuficiência económica beneficiem de advogado nomeado pelo Estado, sem custos. Este direito está consagrado na Lei n.º 34/2004.

Para requerer apoio judiciário, o cidadão deve apresentar o pedido na Segurança Social, comprovando que o rendimento do agregado familiar não ultrapassa os limites legais. Em 2025, o limiar corresponde a 1,5 vezes o Indexante dos Apoios Sociais (IAS), ou seja, cerca de 733 € mensais por pessoa [Segurança Social, 2025].

As modalidades de apoio incluem a nomeação de advogado ou solicitador, a dispensa total ou parcial de taxas de justiça, e o pagamento faseado de custas. O advogado nomeado tem as mesmas obrigações deontológicas que um advogado contratado pelo cliente.

O essencial : Mesmo sem recursos financeiros, o acesso à justiça está garantido em Portugal. O pedido de apoio judiciário pode ser feito online no portal da Segurança Social ou presencialmente nos balcões de atendimento.

Perguntas frequentes sobre advogados em Portugal

Qual a diferença entre advogado e solicitador? O advogado pode representar clientes em qualquer tribunal e prestar consultoria jurídica completa. O solicitador tem competências mais limitadas, atuando sobretudo em processos executivos, registos e atos notariais simplificados. Ambos estão regulados por ordens profissionais distintas.

Posso mudar de advogado durante um processo? Sim. O cliente tem o direito de revogar o mandato a qualquer momento, sem necessidade de justificação [Estatuto da OA, artigo 100.º]. O novo advogado assumirá o processo a partir da fase em que se encontra. Os honorários devidos ao anterior advogado são calculados proporcionalmente ao trabalho realizado.

O advogado pode garantir o resultado do meu caso? Não. O código deontológico proíbe expressamente a garantia de resultados. Um advogado pode avaliar as probabilidades de sucesso com base na jurisprudência e nos factos do caso, mas a decisão final cabe sempre ao tribunal.

Como apresentar uma queixa contra um advogado? Queixas disciplinares devem ser dirigidas ao Conselho de Deontologia da Ordem dos Advogados. O processo é gratuito e pode resultar em advertência, multa, suspensão ou expulsão do profissional, conforme a gravidade da infração.

Aviso legal : As informações presentes nesta página são fornecidas a título informativo e não constituem aconselhamento jurídico. Consulte um advogado inscrito na Ordem dos Advogados para análise da sua situação concreta.

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