O que faz uma advogada criminalista? Uma advogada criminalista é a profissional do Direito especializada na defesa de pessoas acusadas de crimes ou contraordenações. A sua intervenção abrange desde a fase de inquérito até ao recurso em tribunal superior, garantindo que os direitos fundamentais do arguido são respeitados em cada etapa do processo penal. Em Portugal, a advocacia criminal exige inscrição na Ordem dos Advogados (OA) e conhecimento profundo do Código de Processo Penal.
Quais são as funções de uma advogada criminalista?
Uma advogada criminalista intervém em todas as fases do processo penal português. A sua atuação vai muito além da presença em julgamento — começa no primeiro contacto com as autoridades e prolonga-se até ao cumprimento da pena.
As principais funções incluem:
- Assistência durante interrogatórios — acompanhar o arguido em inquirições policiais e judiciais, garantindo o direito ao silêncio e evitando declarações auto-incriminatórias.
- Análise do processo — examinar a acusação do Ministério Público, identificar nulidades processuais e requerer diligências de prova.
- Defesa em julgamento — apresentar a estratégia de defesa, inquirir testemunhas e produzir alegações finais.
- Recursos — interpor recurso para o Tribunal da Relação ou o Supremo Tribunal de Justiça quando a sentença é desfavorável.
- Negociação de acordos — em casos de suspensão provisória do processo, negociar injunções e regras de conduta com o Ministério Público artigo 281.º do Código de Processo Penal.
Segundo dados da Ordem dos Advogados [2024], existem mais de 34 000 advogados inscritos em Portugal, dos quais cerca de 12% exercem atividade predominante em Direito Penal.
Quando se deve contratar uma advogada criminalista?

A intervenção de uma advogada criminalista é recomendada logo que exista contacto com o sistema penal — mesmo antes de uma acusação formal. A Constituição da República Portuguesa garante o direito à defesa e ao patrocínio judiciário em qualquer fase do processo artigo 32.º da CRP.
Situações que exigem assistência imediata:
- Receção de notificação para constituição como arguido
- Detenção pela polícia (o arguido tem direito a contactar advogado no prazo de 2 horas)
- Buscas domiciliárias ou apreensão de bens
- Notificação de acusação pelo Ministério Público
- Processos por condução sob efeito de álcool ou estupefacientes (contraordenações graves)
Ponto essencial: Não espere pela fase de julgamento para procurar apoio jurídico. Muitas decisões críticas — como prestar ou não declarações — ocorrem na fase de inquérito, onde erros podem comprometer toda a defesa.
Quanto custa uma advogada criminalista em Portugal?
Os honorários de uma advogada criminalista variam consoante a complexidade do caso, a fase processual e a localização geográfica. Não existe uma tabela fixa — os valores são livremente acordados entre advogado e cliente, de acordo com o Estatuto da Ordem dos Advogados (EOA).
Para crimes tributários ou económicos que envolvam perícias contabilísticas, os custos podem ser superiores — a contratação de peritos é cobrada à parte. Quem não dispõe de meios financeiros pode requerer apoio judiciário através da Segurança Social. O regime de acesso ao Direito Lei n.º 34/2004 garante a nomeação de advogado oficioso em processos penais, sendo os honorários suportados pelo Estado.
Como escolher a advogada criminalista certa?
A escolha da advogada criminalista determina, em grande medida, o desfecho do processo. Não basta optar pelo nome mais conhecido — o essencial é encontrar alguém com experiência comprovada no tipo de crime em questão.
Critérios de seleção fundamentais:
- Especialização real — verifique se a advogada exerce predominantemente em Direito Penal. A OA não certifica especialidades, mas o historial de casos é indicativo.
- Experiência no tipo de crime — crimes económicos, crimes contra pessoas e crimes rodoviários exigem abordagens distintas.
- Transparência nos honorários — exija um contrato de prestação de serviços com valores discriminados por fase processual.
- Capacidade de comunicação — a advogada deve explicar cada etapa do processo de forma compreensível, sem jargão desnecessário.
- Disponibilidade — processos penais incluem diligências urgentes (detenções, primeiros interrogatórios). Confirme que a profissional tem disponibilidade para emergências.
Dra. Maria Santos, advogada penalista com 15 anos de experiência em Lisboa: "O mais importante na escolha de um advogado criminalista é a confiança. O cliente precisa de sentir-se seguro para revelar todos os factos, mesmo os desfavoráveis — só assim é possível construir uma defesa sólida."
Quais os tipos de crimes mais frequentes em Portugal?

Conhecer as categorias de criminalidade mais comuns ajuda a compreender a relevância do trabalho de uma advogada criminalista no sistema judicial português.
Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) [2023], os crimes mais registados em Portugal são:
- Crimes contra o património — furto, roubo e burla representam cerca de 50% das ocorrências criminais registadas.
- Crimes contra pessoas — ofensas à integridade física, ameaças e violência doméstica.
- Crimes rodoviários — condução sob efeito de álcool e condução sem habilitação legal.
- Crimes económicos — fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.
- Crimes informáticos — phishing, acesso ilegítimo a dados e burla informática, em crescimento de 30% face a 2022.
Cada tipologia exige estratégias de defesa específicas. Uma advogada criminalista com experiência diversificada consegue adaptar a abordagem às particularidades de cada caso.
Exemplo prático: defesa em caso de burla
Rui, empresário de Coimbra, foi constituído arguido por alegada burla qualificada envolvendo contratos de prestação de serviços. A advogada criminalista analisou os 47 documentos da acusação, identificou que três contratos tinham sido assinados por terceiros sem procuração e requereu perícia grafológica. O resultado: o tribunal absolveu Rui da acusação principal, mantendo apenas uma contraordenação administrativa com coima de 750 €. Sem a intervenção especializada, a pena prevista era de 2 a 8 anos de prisão artigo 218.º do Código Penal.
Perguntas frequentes sobre advogada criminalista
Uma advogada criminalista pode recusar defender alguém? Sim. O advogado pode recusar o mandato por razões pessoais ou éticas, desde que não prejudique o cliente. No entanto, o advogado oficioso nomeado pelo tribunal só pode pedir escusa em circunstâncias específicas previstas no EOA.
Qual a diferença entre advogado criminalista e advogado penalista? Na prática, os termos são sinónimos. "Criminalista" é mais comum no Brasil, enquanto em Portugal se usa frequentemente "penalista" ou "advogado de Direito Penal". Ambos designam o profissional que atua na defesa em processos-crime.
O sigilo profissional protege o que digo à minha advogada? Sim. O segredo profissional é um dever absoluto previsto no artigo 92.º do Estatuto da Ordem dos Advogados. A advogada não pode revelar qualquer informação obtida no exercício da profissão, mesmo após a cessação do mandato.
Posso mudar de advogada durante o processo? Sim. O arguido pode revogar o mandato a qualquer momento e constituir novo advogado. A transição deve ser comunicada ao tribunal para evitar interrupções processuais.
Aviso legal: As informações presentes nesta página são fornecidas a título meramente informativo e não constituem aconselhamento jurídico. Consulte uma advogada criminalista para análise personalizada da sua situação concreta.




