Trovoada em Portugal: o que fazer em casa antes, durante e depois da tempestade

Proprietário a inspecionar danos no telhado após trovoada em Portugal

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Tiago Tiago AlvesServiços para Casa
5 min de leitura 10 de abril de 2026

Em 2026, Portugal já registou mais de 13 mortes e centenas de deslocados devido a uma série de tempestades severas que varreram o país entre janeiro e março. As trovoadas estão a tornar-se mais frequentes e intensas — e a maioria dos portugueses ainda não sabe o que fazer antes de uma chegar.

O que está a acontecer: tempestades mais violentas em 2026

Entre 22 de janeiro e 8 de fevereiro de 2026, Portugal atravessou um autêntico "comboio de tempestades" — seis perturbações atmosféricas consecutivas (Harry, Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo e Marta) que causaram ventos de até 160 km/h, granizo e chuvas intensas com trovoadas.

Em março, a depressão Terese (17 a 21 de março) trouxe nova vaga de mau tempo, com rajadas de 65 km/h e trovoadas generalizadas em todo o continente. Segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), os incidentes relacionados com tempestades multiplicaram-se, colocando serviços de emergência em alerta máximo.

A questão não é se haverá mais trovoadas — é quando. E a pergunta que cada proprietário de imóvel deve fazer é: a minha casa está preparada?

Os maiores riscos para a sua habitação durante uma trovoada

Uma trovoada não é apenas um espetáculo sonoro e luminoso. Para a sua casa, representa vários riscos concretos:

1. Raios e sobretensões elétricas Um raio que caia próximo pode provocar picos de tensão que danificam eletrodomésticos, sistemas de aquecimento, routers e computadores — mesmo que não atinja diretamente a habitação. Equipamentos ligados à corrente ficam vulneráveis.

2. Infiltrações e danos no telhado Chuva intensa associada a granizo pode revelar — ou agravar — fragilidades no telhado, nos beirados e nas caleiras. Uma fissura que existia mas era invisível pode transformar-se numa infiltração significativa em poucas horas.

3. Inundação de caves e subsolos O escoamento rápido de água em terrenos saturados, especialmente em zonas urbanas, provoca inundações nas zonas mais baixas da habitação. Garagens e caves são as primeiras a ser afetadas.

4. Queda de árvores e objetos Ventos fortes associados a trovoadas podem derrubar árvores sobre telhados, muros e veículos. Ramos secos, estruturas frágeis e elementos decorativos exteriores são os principais perigos.

O que fazer ANTES da trovoada: checklist de preparação

Não espere que a tempestade chegue. A janela de preparação — geralmente anunciada com 24 a 48 horas de antecedência pelo IPMA — é o momento certo para agir.

Proteção elétrica:

  • Instale protetores de sobretensão (UPS ou filtros de linha) em computadores, televisores e routers
  • Considere desligar completamente da corrente equipamentos sensíveis antes de uma trovoada intensa
  • Verifique se a sua habitação tem para-raios adequado — em zonas de altitude ou com histórico de impactos, é um investimento que compensa

Telhado e exteriores:

  • Inspecione o telhado antes do inverno ou após cada tempestade significativa — em particular, verifique telhas soltas, caleiras entupidas e rufoamentos degradados
  • Retire ou fixe objetos no exterior que possam ser arrastados pelo vento (vasos, mobília de jardim, brinquedos)
  • Limpe as caleiras regularmente — uma caleira entupida em plena trovoada pode provocar infiltrações que se tornam rapidamente dispendiosas

Drenagem:

  • Verifique que as grelhas de escoamento ao redor da casa estão desobstruídas
  • Se tem cave ou garagem vulnerável, considere instalar bombas de submersão ou válvulas anti-retorno

Durante a trovoada: o que NÃO fazer

  • Não tome banho ou use torneiras durante uma trovoada ativa — as canalizações conduzem eletricidade
  • Não use aparelhos com cabo (telefones fixos, computadores ligados à corrente)
  • Não se abrigue debaixo de árvores se estiver no exterior
  • Não tente reparar danos no telhado ou exterior durante a tempestade — aguarde que passe

Se houver corte de energia, use lanternas em vez de velas para evitar risco de incêndio.

Depois da trovoada: como avaliar os danos

Quando a tempestade passar, é altura de inspecionar sistematicamente a sua habitação:

Inspeção exterior imediata:

  • Verifique o estado do telhado a partir de baixo (com binóculos, se necessário) — procure telhas deslocadas, rufoamentos levantados, caleiras partidas
  • Verifique muros, vedações e portões
  • Avalie danos em veículos e estruturas de jardim

Interior:

  • Procure sinais de humidade nas paredes e tetos — manchas escuras, tinta a descascar ou cheiro a mofo podem surgir nas primeiras horas após infiltração
  • Verifique o quadro elétrico — se houver disjuntores disparados sem razão aparente, chame um eletricista antes de os repor
  • Se a cave ou garagem inundou, não entre na água se houver risco de eletricidade — desligue a corrente primeiro pelo quadro geral

Quando chamar um profissional

Há situações em que a tentação de "fazer eu mesmo" pode ser perigosa ou resultar em danos maiores:

  • Danos no telhado: reparações inadequadas podem agravar infiltrações. Um empreiteiro especializado sabe identificar onde começa realmente o problema
  • Problemas elétricos pós-trovoada: sobretensões podem danificar instalações de forma invisível. Um eletricista certificado deve verificar o quadro e os circuitos antes de ligar de novo tudo
  • Humidade persistente: se a infiltração for superior a uma área pontual, pode haver danos na estrutura que exigem inspeção profissional para evitar problemas de saúde (mofo) e custos crescentes

A ANEPC recomenda não efetuar reparações de emergência em coberturas ou em zonas de risco sem equipamento adequado. O custo de uma avaliação profissional é quase sempre muito inferior ao custo de uma reparação mal feita.

O que fazer com o seguro

Se sofreu danos numa habitação segurada, documente tudo imediatamente:

  • Fotografe os danos antes de iniciar qualquer limpeza
  • Guarde recibos de qualquer despesa de emergência
  • Notifique a seguradora dentro do prazo estipulado na apólice (normalmente 8 dias úteis)

Em caso de dúvidas sobre coberturas, o que conta como "fenómeno meteorológico excecional" ou como contestar uma recusa da seguradora, um advogado especializado em direito do consumo ou um mediador de seguros pode ajudar a esclarecer os seus direitos.

Prepare a sua casa para o próximo evento

As tempestades de 2026 mostraram que o mau tempo intenso em Portugal não é exceção — é cada vez mais a norma. A preparação prévia, a inspeção regular e o recurso a profissionais qualificados quando necessário são a diferença entre um susto e um prejuízo grave.

Se não sabe por onde começar, um especialista em serviços para casa pode fazer uma avaliação do estado da sua habitação e indicar quais as prioridades antes da próxima temporada de chuvas.

Créditos de fotografia : Esta imagem foi gerada por inteligência artificial.

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