A depressão Therese chegou a Portugal na tarde de terça-feira, 17 de março de 2026, trazendo chuva intensa, vento forte e risco de cheias em cinco distritos do continente. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu avisos amarelos para Lisboa, Setúbal, Leiria, Beja e Faro, com o Algarve a registar a precipitação mais elevada — prevista acima de 120 mm até ao final da semana. Com o pico do temporal a atingir o país entre 18 e 20 de março, a pergunta que muitos proprietários colocam é: o que devo verificar em casa depois da tempestade?
O que a tempestade Therese trouxe a Portugal
A depressão Therese combinou vários fatores de risco simultaneamente: precipitação acumulada intensa, ventos com rajadas que podem atingir 65 km/h no continente e 110 km/h nos Açores, e um mar agitado com ondas superiores a 4 metros na costa.
O Algarve é a região mais exposta: a previsão do IPMA aponta para acumulados superiores a 120 mm nalgumas zonas — mais do dobro da precipitação esperada no resto do país. As serras do centro e da Estrela registam risco de precipitação mista (chuva e neve acima dos 800 metros).
Esta não é a primeira tempestade grave de 2026. A tempestade Kristin, que passou por Portugal mais cedo no ano, causou danos estimados em mais de 4 mil milhões de euros em reconstrução. O contexto é claro: as infraestruturas residenciais em Portugal estão sob pressão crescente de eventos climáticos extremos.
Verificação urgente: o que inspecionar imediatamente após a tempestade
Quando a tempestade passa, a tentação é aliviar. Mas os danos mais graves nem sempre são visíveis à superfície. Aqui está o que verificar antes de 48 horas:
Telhado e cobertura
- Telhas deslocadas, partidas ou em falta — especialmente nas cumeeiras e beirais
- Caleiras entupidas com folhas ou detritos, que podem causar infiltrações nas paredes
- Humidade nas paredes junto ao teto, mesmo sem marcas visíveis de água
Estrutura e fundações
- Fissuras novas nas paredes interiores ou exteriores, especialmente nas junções entre pisos
- Portas ou janelas que bloqueiam após a tempestade (pode indicar assentamento estrutural)
- Humidade no pavimento do rés-do-chão ou cave, sinal de infiltração vinda do exterior
Sistemas elétricos e de canalizações
- Caixas de eletricidade que ficaram expostas à chuva — não as ligue sem inspeção profissional
- Sinais de infiltração junto a tomadas ou quadros elétricos
- Entupimentos em ralos e esgotos exteriores causados por sedimentos ou folhas arrastadas
Zonas exteriores e jardim
- Árvores ou ramos partidos que possam ameaçar a estrutura da casa ou cabos elétricos
- Vedações ou muros com sinais de derrube parcial
- Drenos de superfície bloqueados que possam causar acumulação de água
Quando chamar um especialista: os sinais que não deve ignorar
Alguns problemas parecem menores mas escondem riscos sérios. Recorra a um profissional nas seguintes situações:
- Fissuras na estrutura portante: paredes-mestras, pilares ou lajes com fendas novas após a tempestade — pode ser necessária uma peritagem estrutural
- Humidade persistente por mais de 48 horas: infiltrações não resolvidas rapidamente causam bolores perigosos e deterioração progressiva dos materiais
- Danos no telhado com área superior a 1 m²: reparações caseiras em coberturas molhadas são perigosas e frequentemente ineficazes
- Água junto ao quadro elétrico: nunca intervenha sem a presença de um eletricista certificado
Aguardar semanas antes de chamar um especialista pode transformar um problema de 500 euros num de 5 000.
Nos serviços para casa disponíveis no Expert Zoom, pode encontrar pedreiros, eletricistas e canalizadores disponíveis para avaliação e reparação urgente.
O que o seguro cobre — e o que pode não cobrir
Em Portugal, a maioria das apólices de seguro multirriscos-habitação cobre danos causados por tempestades, incluindo vento forte, granizo e inundação de águas superficiais. Mas há condições que os proprietários frequentemente desconhecem:
- Franquia: quase todas as apólices têm uma franquia por sinistro — os danos abaixo desse valor ficam a cargo do proprietário
- Exclusão de danos por falta de manutenção: se o telhado já estava em mau estado antes da tempestade, a seguradora pode recusar parte da indemnização
- Prazo de participação: a maioria das apólices exige participação do sinistro em 8 dias úteis. Não espere
Documente tudo com fotografias datadas, de preferência antes de iniciar qualquer reparação de emergência.
Apoios governamentais para reconstrução após temporal
O Governo português disponibiliza apoios financeiros a municípios e famílias afetadas por catástrofes naturais. As candidaturas são geridas pelas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDRC). Em caso de dano grave, o prazo habitual de pagamento das ajudas é de três dias úteis após verificação.
Para perceber quais os apoios disponíveis no seu município, contacte a Câmara Municipal local ou consulte o portal da sua CCDR regional.
Nota: As informações meteorológicas deste artigo baseiam-se nas previsões do IPMA disponíveis a 19 de março de 2026. As condições podem variar. Em caso de emergência imediata, contacte o 112.
