EURIBOR cai para 1,9% em Portugal 2026: o que muda na sua hipoteca e como poupar já

Consultora financeira em Lisboa a apresentar documentos sobre taxas de juro hipotecários
Beatriz Beatriz MartinsGestão de Património
4 min de leitura 7 de abril de 2026

EURIBOR cai para 1,9% em 2026: o que muda na sua hipoteca e como poupar já

A taxa EURIBOR a 3 meses deverá atingir 1,9% em 2026, face a 3,6% em 2024 e 2,2% em 2025, segundo as projeções do Banco de Portugal. A taxa de refinanciamento do BCE fixou-se em 2,15% em abril de 2026 — uma queda significativa face ao pico de 4,5% registado em 2023. Para os milhares de portugueses com crédito habitação indexado à EURIBOR, esta descida representa uma oportunidade concreta de poupança.

Mas a descida das taxas não é automática nem garantida para todos. Eis o que precisa de saber para tirar o máximo partido da situação.


O que diz o Banco de Portugal sobre as taxas em 2026

Segundo o Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal, as taxas EURIBOR são publicadas diariamente e constituem o índice de referência para a maioria dos contratos de crédito habitação em Portugal.

A EURIBOR a 12 meses — a mais utilizada nos contratos habitacionais portugueses — desceu de forma consistente desde meados de 2024. Esta tendência reflete a política monetária expansionista do Banco Central Europeu, que tem vindo a reduzir as taxas diretoras desde setembro de 2024.

Para quem tem um crédito habitação a taxa variável com revisão anual, a próxima atualização do spread poderá significar uma redução de 200 a 400 euros mensais nas prestações, consoante o capital em dívida.


Crédito habitação: taxa variável, mista ou fixa?

A descida da EURIBOR torna a decisão entre taxa variável e taxa fixa mais complexa do que parece:

Taxa variável: Beneficia imediatamente da descida da EURIBOR. Se a EURIBOR continuar a descer para 1,5-1,7% (como projetado para 2027 pelas análises da OCDE), a prestação continuará a diminuir. O risco é que, se as taxas subirem novamente, a prestação acompanhará.

Taxa fixa: Vários bancos portugueses oferecem taxas fixas entre 2,8% e 3,5% para maturidades de 5 a 20 anos. Neste momento, fixar pode parecer pouco vantajoso face à EURIBOR atual — mas protege contra uma eventual subida das taxas no médio prazo.

Taxa mista: Permite fixar a taxa durante os primeiros 2-5 anos e depois transitar para variável. Uma opção a ponderar se antecipa incerteza no seu rendimento nos próximos anos.

A escolha depende do seu perfil de risco, do capital em dívida e do prazo restante do empréstimo. Nenhuma opção é universalmente melhor — e é precisamente aqui que um consultor financeiro independente acrescenta valor.


Certificados de Aforro: rendimento a subir ou a descer?

A taxa dos Certificados de Aforro série E subiu para 2,138% em abril de 2026, segundo dados do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP). Em março, a taxa tinha caído pelo terceiro mês consecutivo antes de retomar esta subida.

Os Certificados de Aforro continuam a ser um instrumento de poupança popular em Portugal, especialmente para investidores conservadores. Com a descida das taxas de depósito a prazo nos bancos comerciais, os Certificados mantêm-se competitivos para poupanças até 250.000 euros por pessoa.

O que muitos investidores não sabem: os Certificados de Aforro têm uma penalização de saída antecipada nos primeiros 3 meses. Se precisar do dinheiro rapidamente, podem não ser a melhor opção de curto prazo.


Crédito ao consumo: taxas máximas do Banco de Portugal

Para o segundo trimestre de 2026, o Banco de Portugal publicou as taxas máximas para crédito ao consumo. As taxas de cartão de crédito e descoberto autorizado continuam elevadas face às taxas de política monetária — uma diferença que reflete margens de risco dos bancos, não apenas o custo do dinheiro.

Se tem dívidas de cartão de crédito ou crédito pessoal a taxas elevadas, este é o momento ideal para renegociar com o seu banco ou consolidar dívidas. Um consultor financeiro pode ajudá-lo a calcular se uma transferência de saldo ou um crédito consolidado é vantajoso no seu caso concreto.


O que fazer agora: 3 ações práticas

1. Simule o impacto na sua prestação: Use o simulador do Portal do Cliente Bancário para calcular a nova prestação com a EURIBOR atual. A maioria dos contratos revisa em datas específicas — verifique quando é a sua próxima revisão.

2. Negoceie o spread com o seu banco: Com as taxas a descer, os bancos estão mais abertos a renegociar. Um spread reduzido de 0,1% pode significar centenas de euros de poupança por ano.

3. Considere a amortização antecipada: Se tem poupanças e a sua taxa efetiva global (TAEG) é superior a 3%, amortizar parcialmente o capital pode ser mais rentável do que manter esse dinheiro em depósito a prazo.


Aviso: este artigo tem carácter informativo geral. As condições de crédito e as taxas variam consoante o banco e o perfil do cliente. Consulte um consultor financeiro certificado antes de tomar decisões sobre o seu crédito habitação ou investimentos.

Os consultores de gestão de património da Expert Zoom podem ajudá-lo a avaliar o impacto concreto da descida das taxas na sua situação financeira. Consulte também os nossos artigos sobre Certificados de Aforro e taxas de abril 2026.

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