A 7 de maio de 2026, a atriz e apresentadora Sofia Ribeiro partilhou nas redes sociais que se dirigia a tribunal para uma audiência descrita por ela como "muito importante, que vai provavelmente definir os próximos anos da vida da minha família". O processo, classificado como "muito grave e urgente", está ligado à tutela legal das suas duas sobrinhas, Beatriz (14 anos) e Bianca (12 anos), de quem assumiu a guarda em agosto de 2023.
O caso de Sofia Ribeiro ilumina uma realidade vivida por milhares de famílias portuguesas: o que acontece quando um tio, avó ou outro familiar próximo assume a tutela legal de um menor? Quais são os direitos, as obrigações e o peso legal que essa decisão acarreta — e quando é indispensável o apoio de um advogado de família?
O que é a tutela legal de menores em Portugal
A tutela legal é o mecanismo previsto no Código Civil português que atribui a um terceiro, que não os pais biológicos, a representação legal e os cuidados de um menor. É decretada por tribunal quando os progenitores estão impedidos, ausentes, ou incapazes de exercer as suas funções parentais por razões de doença, ausência prolongada ou outras circunstâncias graves.
Em Portugal, a tutela é regulada pelos artigos 1921.º a 1972.º do Código Civil. O tutor assume funções equivalentes às dos pais: representa o menor em todos os atos legais, gere o seu eventual património e assegura a sua educação, saúde e bem-estar. A nomeação é realizada pelo tribunal de família e menores, e o tutor fica sujeito a fiscalização periódica pelo tribunal.
Segundo a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), situações como doença mental grave de um progenitor, negligência ou violência doméstica justificam a intervenção judicial para proteção do menor.
Quais são as obrigações legais do tutor
Assumir a tutela legal não é uma decisão simbólica ou informal. O tutor tem obrigações jurídicas concretas e vinculativas perante o tribunal:
Representação legal: o tutor assina todos os documentos em nome do menor, desde contratos e matrículas escolares a autorizações médicas e passaportes. Qualquer ato relevante que não seja praticado pelo tutor pode ser considerado nulo.
Gestão do património: se o menor tiver bens próprios, como heranças ou poupanças, o tutor gere-os sob supervisão judicial. Atos de disposição relevantes, como a venda de imóveis ou a constituição de hipotecas, exigem autorização prévia do tribunal.
Prestação de contas: anualmente, o tutor é obrigado a apresentar ao tribunal um relatório detalhado das despesas realizadas com o menor e da gestão dos respetivos bens. O incumprimento pode resultar em destituição da tutela.
Decisões de saúde e educação: o tutor decide sobre tratamentos médicos, escolha de estabelecimento de ensino e atividades extracurriculares — mesmo que os pais biológicos discordem, desde que o tribunal tenha conferido plenos poderes de representação.
O não cumprimento sistemático das obrigações pode conduzir à destituição e, em situações graves, a responsabilidade civil ou mesmo penal por negligência na guarda do menor.
O peso emocional e financeiro de ser tutor
Sofia Ribeiro falou publicamente sobre o impacto pessoal desta responsabilidade em fevereiro de 2026, no programa Júlia da SIC: "Recusei projetos porque estava emocionalmente muito frágil. Não somos super-mulheres."
A frase resume o que os especialistas em saúde mental designam de sobrecarga do cuidador secundário: alguém que assume um papel parental sem ter sido preparado para tal e sem dispor das mesmas redes de apoio institucionais que os pais biológicos. Estudos sobre famílias em situações análogas apontam taxas mais elevadas de burnout e ansiedade em tutores não parentais, especialmente quando acumulam a responsabilidade com uma vida profissional ativa.
Do ponto de vista financeiro, a tutela de dois adolescentes implica custos diretos significativos: alimentação, vestuário, saúde, atividades escolares e extracurriculares. O tutor pode requerer ao tribunal a atribuição de apoios sociais em nome do menor, como o abono de família ou o Rendimento Social de Inserção. Quando os pais biológicos têm rendimentos, pode ainda ser judicialmente exigida uma pensão de alimentos que contribua para as despesas correntes.
Saiba mais sobre como a lei portuguesa protege os direitos das crianças em situações vulneráveis: Meninos Franceses Abandonados em Portugal: o que a lei prevê.
Quando é necessária presença em tribunal
Um processo de tutela exige, pelo menos, três momentos em tribunal: a petição inicial de nomeação do tutor, a audiência de confirmação e as revisões periódicas. Quando surgem disputas — se um dos progenitores reclama a recuperação da guarda, se há discordâncias sobre decisões médicas urgentes ou se é necessário agir sobre o património do menor — o processo pode tornar-se moroso e emocionalmente muito exigente.
A audiência de maio de 2026 descrita por Sofia Ribeiro como "urgente" insere-se precisamente neste contexto: processos de tutela com questões supervenientes que exigem decisão judicial imediata podem ser agendados com caráter de urgência pelo tribunal de família.
Nestes momentos, o apoio de um advogado especializado em direito de família é essencial. Um profissional experiente pode preparar e apresentar os documentos exigidos pelo tribunal, defender os interesses do tutor e do menor em audiência, mediar conflitos com os progenitores biológicos e acompanhar processos urgentes — como o vivido pela atriz portuguesa em maio de 2026.
O que fazer se está a ponderar assumir a tutela de um menor
Se tem um familiar menor em situação de vulnerabilidade — por doença grave de um dos pais, abandono ou outra circunstância que ponha em risco o seu bem-estar — o passo mais importante antes de avançar para tribunal é consultar um advogado de família.
O processo é complexo, e a decisão tem implicações legais duradouras que afetam não só o menor, mas também o próprio tutor a nível pessoal, profissional e financeiro. Um advogado pode esclarecer os requisitos legais, estimar os custos processuais, orientar sobre os apoios do Estado disponíveis e garantir que todos os atos são praticados dentro da legalidade.
Na plataforma ExpertZoom, é possível consultar advogados especializados em direito de família e menores de forma acessível. Uma primeira consulta pode fazer toda a diferença para proteger o bem-estar do menor e a tranquilidade de quem assume essa responsabilidade.
Este artigo tem fins informativos e não substitui aconselhamento jurídico profissional. Cada situação familiar é única e pode exigir uma análise personalizada por parte de um especialista qualificado.

Sofia Costa