Pedro Henriques aponta erros de arbitragem: o que a lei desportiva permite fazer aos clubes em 2026

Pedro Henriques, ex-árbitro e analista de arbitragem do futebol português em 2026

Photo : Threeohsix / Wikimedia

Sofia Sofia CostaJurídico
4 min de leitura 12 de maio de 2026

Pedro Henriques, ex-árbitro internacional e o analista de arbitragem mais seguido do futebol português, tornou-se uma referência incontornável na Liga Portugal Betclic 2025/26. As suas análises publicadas no jornal Público revelaram, só em abril de 2026, pelo menos três situações de penáltis por assinalar em encontros decisivos para o título e para a permanência. No clássico FC Porto-Sporting de 22 de abril, identificou "muitos casos" merecedores de revisão. A questão que fica no ar é pertinente: quando um erro de arbitragem tem consequências financeiras reais para um clube, o que permite fazer a lei desportiva portuguesa?

Por que as análises de Pedro Henriques importam agora

Pedro Henriques não é um comentador televisivo comum. É um ex-árbitro que passou pela arbitragem profissional e que, hoje, produz análises técnicas detalhadas sobre as decisões arbitrais na Liga Portugal. A sua autoridade vem da experiência prática: conhece os regulamentos, interpreta os ângulos de câmara e distingue um erro de interpretação de uma falha manifesta do árbitro.

Em 2025/26, a arbitragem tornou-se tema central da competição portuguesa. Com o título, os lugares europeus e a permanência a separar clubes por um ou dois pontos, uma decisão errada pode valer dezenas de milhões de euros. É aqui que o direito desportivo entra em cena — e onde um advogado especializado pode fazer a diferença.

O que um clube pode fazer quando é prejudicado por um erro arbitral

Em Portugal, os litígios desportivos têm vias próprias de resolução. O Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), sediado em Lisboa, é a entidade competente para resolver conflitos emergentes da relação desportiva, incluindo decisões disciplinares da Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

Existe, no entanto, uma regra fundamental que os clubes precisam de entender: os erros de arbitragem, por si só, não são motivo de anulação de um jogo. Este princípio, presente no Regulamento Disciplinar da FPF e consolidado na jurisprudência desportiva europeia, protege a integridade das competições. Caso contrário, qualquer derrota poderia ser contestada com base numa decisão identificada pelas câmaras.

Ainda assim, há situações em que um advogado especializado em direito desportivo pode intervir com sucesso:

Infração disciplinar do árbitro: Se um árbitro violou o Código de Ética e Deontologia — por exemplo, ter interesses financeiros no resultado do jogo — o clube pode apresentar queixa formal ao Conselho de Disciplina da FPF. Esta é uma via rara, mas real.

Incumprimento manifesto dos regulamentos: Quando um árbitro aplica incorretamente um regulamento de forma inequívoca — como não expulsar um jogador por duplo cartão amarelo quando a cartolina anterior está documentada —, o clube pode abrir processo junto do Conselho de Arbitragem da FPF.

Recursos contra punições injustas: Se um clube ou jogador for punido com base numa má interpretação dos factos pelo árbitro (como um cartão vermelho por agressão que as câmaras desmentem), é possível recorrer ao TAD dentro dos prazos previstos.

Responsabilidade civil: Em casos extremos de negligência grave e provada, um clube pode intentar uma ação civil. Esta via é muito rara no futebol europeu, mas existe na legislação portuguesa geral e não está vedada pela lei.

O papel do advogado desportivo no pós-jogo

A maioria dos clubes desconhece que a janela temporal para agir é muito curta. Os processos disciplinares desportivos têm, frequentemente, prazos de 48 a 72 horas após o jogo para apresentar recurso. Perder esse prazo equivale a abrir mão do direito de contestar.

Um advogado especializado em direito desportivo conhece os regulamentos específicos da FPF, os procedimentos do TAD e os precedentes relevantes. Pode assessorar os clubes na comunicação com a federação, na gestão de declarações públicas — que por si mesmas podem gerar novos processos disciplinares — e na proteção da imagem de jogadores e treinadores que reajam publicamente nas redes sociais após um jogo controverso.

Como evidencia o caso do Escândalo Sporting-Santa Clara: que direitos têm adeptos e apostadores, as polémicas arbitrais têm implicações que vão além do campo: os adeptos que apostaram online podem ter direitos a acionar junto do SRIJ (Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos) em situações de irregularidade comprovada.

O que o VAR mudou — e o que não mudou

O Video Assistant Referee foi introduzido precisamente para reduzir os erros de arbitragem com impacto direto no resultado. Em teoria, revê decisões sobre golos, penáltis, expulsões e erros de identidade. Na prática, como Pedro Henriques tem documentado em 2026, o VAR não elimina as divergências de interpretação — e pode até criar novas polémicas quando é usado de forma seletiva ou tardia.

Do ponto de vista legal, o VAR criou uma expectativa acrescida: com o sistema instalado, torna-se mais difícil justificar certos erros como inevitáveis ou imprevisíveis. Isso aumenta potencialmente a responsabilidade em casos extremos. Ainda assim, os tribunais desportivos em Portugal e na Europa continuam muito cautelosos nesta área — e um bom advogado saberá dizer-lhe honestamente se o seu caso tem ou não viabilidade jurídica.

O que fazer se for adepto, clube ou agente

Se é adepto e considera que um erro de arbitragem afetou uma aposta ou um direito de consumidor, consulte os mecanismos do SRIJ. Se representa um clube e quer perceber se tem base legal para contestar uma decisão arbitral, procure um advogado especializado em direito desportivo antes de fazer qualquer declaração pública — que pode agravar a posição do clube perante os órgãos disciplinares.

Na ExpertZoom, pode conectar-se com advogados especializados em direito desportivo que conhecem os regulamentos da FPF, os procedimentos do TAD e a jurisprudência europeia relevante. Uma consulta inicial pode clarificar, em poucas horas, se o seu caso tem fundamento legal para avançar ou se o caminho mais inteligente é a gestão diplomática da situação.

As câmaras de televisão registam cada lance. Mas os direitos legais apenas valem para quem os conhece — e os exerce a tempo.

Nota legal: Este artigo é de carácter informativo e não substitui aconselhamento jurídico profissional. Para uma avaliação específica da sua situação, consulte um advogado especializado em direito desportivo.

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