A Ordem dos Médicos voltou a ocupar as manchetes em abril de 2026, desta vez em relação à abertura do novo curso de Medicina da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Mas o tema que realmente preocupa os cidadãos portugueses é outro: as listas de espera no SNS continuam a crescer, e cada vez mais pessoas não sabem como navegar no sistema de saúde público.
O que está a acontecer com a Ordem dos Médicos
A 2 de abril de 2026, a Ordem dos Médicos emitiu uma posição crítica sobre o novo curso de Medicina da UTAD, que receberá os primeiros 40 alunos no ano letivo 2026/27 após acreditação condicional de dois anos pela A3ES (Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior). A entidade alerta para "fragilidades estruturais" no curso — uma posição que a própria UTAD e a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes repudiaram de imediato.
Esta não é a primeira vez que a Ordem dos Médicos intervém em decisões de política de saúde que afetam os utentes. O organismo, fundado em 1938 e regulado pelo Estatuto da Ordem dos Médicos, tem um papel central na garantia da qualidade dos cuidados médicos em Portugal. Mas o debate vai muito além das universidades.
O verdadeiro problema: listas de espera que continuam a crescer
Por detrás da controvérsia académica, há uma realidade que afeta diretamente os utentes do SNS. Segundo dados do Portal da Transparência do SNS, mais de 1 milhão de portugueses aguardavam consulta de especialidade em 2025, e mais de 300.000 estavam em lista de espera para cirurgia. Com os cortes de 10% no orçamento de bens e serviços hospitalares — cerca de 887 milhões de euros a menos em 2026 — a pressão sobre os serviços públicos de saúde só aumentou.
O impacto sente-se nos tempos de espera: consultas de cardiologia, ortopedia ou neurologia com esperas superiores a 12 meses não são exceção em alguns hospitais.
O que pode fazer um utente quando o SNS não responde a tempo
Muitos portugueses não sabem que existem mecanismos legais e práticos para obter cuidados de saúde sem aguardar indefinidamente. Entre as opções mais relevantes:
1. Voucher do Sistema de Saúde (antigo SIGIC): O SNS prevê a emissão de vouchers para cirurgias quando o tempo de espera ultrapassa o tempo máximo de resposta garantido (TMRG). Estes vouchers permitem recorrer a hospitais privados conveniados ou estrangeiros.
2. Consulta de segunda opinião: Para diagnósticos complexos ou tratamentos prolongados, qualquer utente tem direito a solicitar uma segunda opinião médica — tanto no SNS como no setor privado.
3. Consulta online com especialista: Plataformas como a Expert Zoom permitem marcar consultas com médicos especialistas sem espera de semanas. Para questões como avaliação inicial de sintomas, gestão de medicação crónica ou esclarecimento de resultados, uma consulta online pode evitar meses de espera.
4. Reclamação formal: O SNS disponibiliza um livro de reclamações eletrónico e a ERS (Entidade Reguladora da Saúde) recebe queixas sobre tempos de espera que ultrapassem os limites legais.
Como verificar se o seu médico está habilitado
Qualquer cidadão pode verificar se um profissional de saúde está registado e sem sanções disciplinares na Ordem dos Médicos através do portal oficial da Ordem. Esta consulta é gratuita e recomendada antes de qualquer consulta privada, especialmente em áreas especializadas.
A Ordem mantém um registo atualizado de todos os médicos com cédula profissional ativa em Portugal — uma garantia de qualidade e segurança que muitos utentes desconhecem.
O que esperar em 2026
A situação do SNS em 2026 é de pressão crescente mas também de mudança gradual. O aumento de vagas em medicina — incluindo a nova licenciatura da UTAD — é uma resposta de médio prazo ao défice de médicos em certas especialidades e regiões do interior. Mas para quem precisa de cuidados agora, a solução não pode esperar pelos graduados de 2031.
Se está a aguardar consulta de especialidade há mais de 6 meses, recomendamos:
- Verificar o seu TMRG no portal do SNS
- Consultar um médico online para avaliação inicial e orientação
- Contactar a ERS se os seus direitos legais não estiverem a ser respeitados
Na Expert Zoom, pode encontrar médicos especialistas disponíveis para consulta online — sem lista de espera, com acesso direto a profissionais com cédula profissional verificada pela Ordem dos Médicos.
O papel das teleconsultas no contexto atual
Desde a pandemia, as teleconsultas tornaram-se parte integrante do SNS. Em 2024, o Ministério da Saúde reportou que mais de 2,4 milhões de teleconsultas foram realizadas no sistema público, um crescimento de 18% face ao ano anterior. No setor privado, a tendência é ainda mais acentuada: plataformas digitais de saúde registaram aumentos de utilizadores acima dos 40%.
O que mudou é a qualidade. As teleconsultas de hoje vão muito além da prescrição de receitas: permitem acompanhamento de doentes crónicos, revisão de exames de diagnóstico, avaliação de sintomas com partilha de imagem, e encaminhamentos para especialistas. Para quem vive no interior do país, onde há crónica escassez de especialistas, a teleconsulta pode ser literalmente o único acesso atempado a cuidados diferenciados.
Perguntas frequentes sobre a Ordem dos Médicos e os seus direitos
Posso consultar qualquer médico sem referenciação do meu médico de família? No setor privado, sim. No SNS, a maioria das especialidades requer referenciação prévia, exceto em situações de urgência.
O que faço se suspeito que o meu médico cometeu um erro? Pode apresentar queixa à Ordem dos Médicos ou à ERS. Ambas têm processos formais de averiguação que, em caso de negligência confirmada, podem resultar em sanções disciplinares.
Onde posso verificar o registo profissional de um médico? No portal oficial da Ordem dos Médicos em ordemdosmedicos.pt, gratuitamente e sem necessidade de registo.
Nota: Este artigo é de carácter informativo. Para diagnóstico e tratamento médico, consulte sempre um profissional de saúde qualificado.
