A atriz francesa Nadia Farès morreu no dia 17 de abril de 2026, dias depois de ter sofrido uma paragem cardíaca numa piscina de um ginásio de luxo em Paris. Tinha 57 anos. A morte confirmada pelas suas filhas à AFP reacendeu o debate sobre os riscos cardíacos ocultos durante a prática de exercício físico, sobretudo em pessoas com historial de problemas cardíacos.
O que aconteceu a Nadia Farès
No dia 11 de abril de 2026, Nadia Farès perdeu os sentidos enquanto praticava exercício com uma prancha de flutuação na piscina do ginásio Blanche, em Paris. Permaneceu submersa durante três a quatro minutos antes de ser resgatada. Foi transferida em estado crítico para um hospital, onde ficou em coma durante vários dias.
A atriz, conhecida internacionalmente pelo filme Ríos de color púrpura (2000) ao lado de Jean Reno e pela série da Netflix Marseille, tinha um historial de saúde cardiovascular complexo. Em janeiro de 2026, numa entrevista à revista Gala, tinha revelado que sofreu um aneurisma cerebral em 2007 e que passou por três cirurgias cardíacas nos últimos quatro anos.
Apesar dos cuidados médicos, não resistiu. As suas filhas confirmaram o óbito à AFP no final do dia 17 de abril.
Quando o coração falha sem aviso — o que os médicos sabem
A morte de Nadia Farès ilustra um fenómeno documentado e ainda pouco reconhecido pelo público: a paragem cardíaca súbita durante o exercício físico pode acontecer mesmo em pessoas aparentemente saudáveis ou em quem já está sob acompanhamento médico.
Segundo os dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 30% da mortalidade em Portugal. As arritmias, os aneurismas e as cardiomiopatias são frequentemente silenciosas — muitos portadores não apresentam sintomas até ao momento de uma crise aguda.
O exercício físico é, em geral, benéfico para o coração. Mas em pessoas com patologia cardíaca subjacente, o esforço pode desencadear arritmias fatais, sobretudo quando o esforço é feito em meio aquático, onde o controlo da intensidade é mais difícil e o acesso a socorro pode ser mais lento.
Os médicos alertam para quatro fatores de risco que aumentam a probabilidade de um evento cardiovascular durante o exercício:
- Historial de cirurgia cardíaca ou aneurisma — o coração cicatrizado pode reagir de forma imprevisível ao esforço intenso
- Arritmias não diagnosticadas — muitas passam despercebidas nos exames de rotina
- Prática de exercício sem avaliação prévia — iniciar ou retomar treinos sem consulta cardiológica é um risco subestimado
- Exercício em ambiente aquático — a pressão hidrostática afeta a frequência cardíaca e pode mascarar sinais de alerta
O sinal de alerta que não deve ignorar
A morte da atriz francesa levanta uma questão prática: a partir de que momento deve falar com um cardiologista antes de ir ao ginásio?
Os especialistas recomendam uma avaliação cardiológica específica — não apenas uma consulta de clínica geral — nas seguintes situações:
- Antes de retomar o exercício após os 40 anos, sobretudo se esteve inativo durante mais de seis meses
- Se tem ou teve familiares diretos com problemas cardíacos antes dos 60 anos
- Se sentiu palpitações, falta de ar ou dor no peito durante ou após esforço físico
- Se já foi submetido a qualquer intervenção cardíaca ou tem diagnóstico de hipertensão, colesterol elevado ou diabetes
- Se faz exercício intenso e nunca fez um eletrocardiograma de esforço
Em Portugal, uma consulta de cardiologia com prova de esforço permite detetar arritmias que os exames em repouso não revelam. Este tipo de avaliação é particularmente importante antes de praticar natação ou exercício aquático de alta intensidade.
Paragem cardíaca vs. ataque cardíaco: a diferença que salva vidas
Muitos confundem os dois conceitos. O ataque cardíaco ocorre quando uma artéria fica bloqueada e o músculo cardíaco é privado de oxigénio — é uma emergência circulatória. A paragem cardíaca é uma falha elétrica: o coração para simplesmente de bater, muitas vezes sem sintomas prévios.
Na paragem cardíaca, os primeiros quatro minutos são críticos. Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), a probabilidade de sobrevivência diminui cerca de 10% por cada minuto que passa sem reanimação cardiopulmonar (RCP). Nadia Farès ficou submersa durante três a quatro minutos — esse intervalo pode ter sido determinante.
Os ginásios com piscina são obrigados por lei a ter equipamentos de desfibrilhação automática externa (DAE) e pessoal com formação em suporte básico de vida. Mas o tempo de resposta e a formação efetiva variam.
O que pode fazer agora:
- Aprenda RCP — a Cruz Vermelha Portuguesa oferece formações regulares em todo o país
- Verifique se o ginásio onde treina tem DAE e se o pessoal sabe utilizá-lo
- Agende uma avaliação cardiológica se se enquadrar em qualquer dos grupos de risco acima
Consultar um cardiologista pode salvar a sua vida
A tragédia de Nadia Farès não é um caso isolado. É um lembrete de que o exercício físico, mesmo num ginásio supervisionado, não é isento de risco quando a saúde cardiovascular não está adequadamente avaliada.
Em Portugal, pode consultar um cardiologista especializado na plataforma Expert Zoom, onde encontra profissionais com disponibilidade imediata para avaliação de risco cardiovascular antes de iniciar ou retomar a prática desportiva.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Se tiver sintomas cardiovasculares, contacte o SNS 24 (808 24 24 24) ou dirija-se a um serviço de urgência.
Fonte oficial: Direção-Geral da Saúde — Doenças Cardiovasculares

Ricardo Rodrigues