McDonald's recruta 2.500 pessoas até junho: os seus direitos antes de assinar o contrato

Restaurante McDonald's com os arcos dourados visíveis na fachada

Photo : Dinkun Chen / Wikimedia

Sofia Sofia CostaDireito do Trabalho
5 min de leitura 2 de junho de 2026

A McDonald's Portugal anunciou, em maio de 2026, a abertura de mais de 2.500 vagas de emprego a nível nacional até ao final de junho, distribuídas por Lisboa, Porto, Centro do país, Algarve, Madeira e Açores. A campanha de recrutamento, lançada com o slogan "Se a vida não é só trabalho, escolhe o Mac", apela a candidatos que valorizam horários flexíveis e progressão de carreira. Trata-se do maior processo de recrutamento da empresa em Portugal nos últimos anos.

Para quem pondera candidatar-se — ou para quem já recebeu uma proposta — é importante conhecer os direitos que a lei portuguesa garante a qualquer trabalhador antes de assinar qualquer contrato, independentemente da empresa.

O que é um contrato de trabalho a tempo parcial e o que deve conter

A maior parte das vagas anunciadas pela McDonald's corresponde a horários reduzidos ou parciais, comuns no setor de restauração. Em Portugal, um contrato de trabalho a tempo parcial é legal e frequente — mas tem regras próprias que o empregador é obrigado a respeitar.

Segundo o Código do Trabalho, qualquer contrato de trabalho deve indicar, por escrito:

  • A identidade das partes (trabalhador e empresa)
  • O local de trabalho e a função desempenhada
  • A data de início e, se aplicável, a duração do contrato
  • O período normal de trabalho (horas semanais e diárias)
  • A remuneração base e outros complementos
  • O período experimental, quando existe

Um contrato verbal não é inválido por lei, mas é difícil de provar em caso de litígio. Sempre que possível, exija a versão escrita antes de iniciar funções.

Salário mínimo, subsídios e descanso: o que não pode ser retirado

Em 2026, o salário mínimo nacional em Portugal é de 920 euros mensais para um horário completo de 40 horas semanais. Para contratos a tempo parcial, o valor é calculado proporcionalmente: a redução de horas implica a redução equivalente do salário, mas nunca abaixo do valor por hora garantido pelo mínimo nacional.

Para além do salário base, qualquer trabalhador por conta de outrem tem direito a:

  • Subsídio de férias e subsídio de Natal (cada um equivalente a um mês de salário, no mínimo)
  • 22 dias úteis de férias por ano completo de trabalho
  • Descanso semanal obrigatório de pelo menos um dia consecutivo
  • Intervalos de descanso durante o turno, conforme a duração do trabalho diário

Nenhuma destas componentes pode ser retirada por acordo individual com o empregador. São direitos mínimos protegidos por lei.

Consulte também: Salário Mínimo 2026: 920€ em Portugal – os seus direitos

A campanha da McDonald's apela à "flexibilidade de horários" como benefício. Em teoria, esta flexibilidade é atrativa para estudantes, pais com filhos pequenos ou trabalhadores que acumulam duas atividades. Na prática, importa perceber o que isso significa juridicamente.

Existem dois cenários legais distintos:

1. Horário fixo a tempo parcial: as horas semanais estão definidas no contrato e não podem ser alteradas unilateralmente pelo empregador. Se a empresa quiser adicionar horas, precisa de acordo escrito do trabalhador.

2. Contrato de trabalho intermitente: permite ao empregador convocar o trabalhador conforme as necessidades, com um mínimo legal de horas garantidas por ano (pelo menos 1.056 horas). Fora dos períodos de atividade, o trabalhador recebe uma compensação de 20% do salário base, mas não está obrigado a estar disponível.

Um trabalhador que receba um contrato intermitente tem direito a recusá-lo, podendo exigir um contrato a tempo parcial com horas fixas. Se sentir pressão para aceitar condições que considera desfavoráveis, pode contactar a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), o organismo público responsável pela fiscalização das relações laborais em Portugal.

Período experimental: quanto tempo pode durar e o que implica

A McDonald's, como qualquer empresa, pode estipular um período experimental no início do contrato. A lei portuguesa estabelece os seguintes limites máximos:

  • 90 dias para a generalidade dos trabalhadores
  • 180 dias para trabalhadores em funções de chefia ou técnicos altamente qualificados
  • 240 dias para cargos de direção e quadros superiores

Durante o período experimental, tanto o empregador como o trabalhador podem rescindir o contrato sem aviso prévio e sem obrigação de indemnização — mas apenas nos primeiros 60 dias. A partir desse ponto, o empregador deve dar um aviso prévio mínimo de 7 dias (nos primeiros 120 dias) ou 15 dias (entre os 120 e os 240 dias).

Se o contrato não especificar a duração do período experimental, presume-se que não existe. Verifique sempre este ponto antes de assinar.

O que fazer se os seus direitos não forem respeitados

Se durante ou após a contratação sentir que os seus direitos não estão a ser cumpridos — salário em falta, horas não pagas, ausência de subsídios, horário alterado sem acordo —, tem várias vias de reclamação:

  1. ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho): pode apresentar uma queixa online sem necessidade de advogado. A ACT investiga e pode aplicar coimas à empresa.
  2. Tribunal do Trabalho: para litígios de maior valor ou situações de despedimento ilícito.
  3. Advogado especializado em Direito do Trabalho: essencial quando a situação é complexa ou quando o empregador contesta a queixa.

O aconselhamento jurídico preventivo — antes de assinar o contrato — é muitas vezes a opção mais eficaz. Um advogado pode identificar cláusulas abusivas ou omissões relevantes que, depois de assinado o documento, são mais difíceis de contestar.

Antes de aceitar: três perguntas a fazer ao empregador

Independentemente da empresa ou da função, qualquer candidato tem o direito de fazer perguntas antes de aceitar uma proposta de trabalho:

  1. O contrato é a tempo parcial fixo ou intermitente? — A distinção tem impacto direto na estabilidade de rendimento.
  2. Qual a duração do contrato? — Contratos a termo têm limites de renovação. Após dois anos, a lei pode impor a conversão em contrato sem termo.
  3. Quais são os critérios de progressão na carreira? — Se a empresa promete evolução, deve poder demonstrá-la com exemplos concretos e critérios transparentes.

Se tiver dúvidas sobre o que assinar ou suspeitar que alguma cláusula não está em conformidade com a lei, os advogados especializados em Direito do Trabalho na plataforma Expert Zoom podem ajudá-lo a interpretar o contrato antes de tomar uma decisão.

Nota: Este artigo tem fins informativos e não constitui aconselhamento jurídico. Para a sua situação específica, consulte um advogado especializado em Direito do Trabalho.

Os nossos especialistas

Vantagens

Respostas rápidas e precisas para todas as suas questões e pedidos de assistência em mais de 200 categorias.

Milhares de utilizadores obtiveram uma satisfação de 4,9 em 5 para os conselhos e recomendações fornecidas pelos nossos assistentes.