Jessica Athayde e o Gaga Movement: O Método de Dança que os Especialistas de Saúde Mental Recomendam

Jessica Athayde na Web Summit 2023

Photo : Web Summit / Wikimedia

4 min de leitura 18 de abril de 2026

Jessica Athayde voltou das suas férias transformada — e não foi por causa do esqui. A atriz portuguesa partilhou nas redes sociais a sua experiência num retiro de Gaga Movement num hotel na Baviera com vista para os Alpes, em março de 2026. "Sair da zona de conforto nunca foi tão literal", escreveu. A publicação rapidamente se tornou viral em Portugal — e abriu uma conversa importante sobre saúde mental e movimento.

O Que é o Gaga Movement?

O Gaga é uma linguagem de movimento criada pelo coreógrafo israelita Ohad Naharin, diretor artístico da Batsheva Dance Company de 1990 a 2018. Naharin desenvolveu o método após sofrer uma lesão grave nas costas — e foi enquanto tentava recuperar o movimento sem dor que descobriu uma forma completamente diferente de relacionamento com o corpo.

Ao contrário de uma aula de dança convencional, o Gaga não ensina passos. Ensina a escutar. Os praticantes são orientados por instruções verbais — "imagina que te moves em areia", "sente o peso das tuas articulações", "explora a relação entre prazer e esforço" — sem que ninguém imite o professor. O foco está na sensação interna, não na forma externa.

A prática está hoje presente em mais de 30 países, incluindo Portugal, onde a plataforma Gaga People lista centros e professores certificados. Jessica Athayde não foi a primeira celebridade a falar sobre o método — mas foi a que mais curiosidade gerou em 2026 no público português.

O Que Diz a Ciência

A conversa em torno do Gaga chega num momento em que a investigação sobre dança e saúde mental atinge novos patamares. Uma meta-análise publicada em 2024 pelo BMJ, revista científica de referência, analisou 218 ensaios clínicos com mais de 14.000 participantes e concluiu que a dança reduzia os sintomas de depressão de forma mais eficaz do que caminhar, yoga, treino de força, terapia cognitivo-comportamental e antidepressivos standard.

Os benefícios identificados vão além do humor:

  • Redução do cortisol — o hormônio do stress — ao fim de sessões de dança livre
  • Melhoria da qualidade do sono, especialmente em adultos com ansiedade crónica
  • Aumento da plasticidade neural, associado a ritmo, coordenação e propriocepção
  • Redução do isolamento social, um fator de risco crítico para a depressão

O Gaga em particular tem sido utilizado em contextos clínicos, nomeadamente em centros de apoio a pessoas com Parkinson. A estrutura verbal e a ausência de espelho tornam-no acessível a pessoas com mobilidade reduzida ou com relações difíceis com a imagem corporal.

Saúde Mental em Portugal: Um Contexto que Importa

Portugal tem uma das taxas de prevalência de perturbações de ansiedade e depressão mais elevadas da Europa. Segundo a Direção-Geral da Saúde, as perturbações mentais representam mais de 11,5% da carga de doença no país — o que coloca a saúde mental como uma das prioridades do Plano Nacional de Saúde.

Ao mesmo tempo, o acesso a psicólogos e psiquiatras nos cuidados de saúde primários continua limitado. O tempo de espera no Sistema Nacional de Saúde para primeira consulta de saúde mental pode ultrapassar os seis meses em várias regiões. É neste contexto que práticas complementares como o Gaga ganham relevância clínica e social.

Não substituem a consulta especializada — os especialistas são claros nisso. Mas podem funcionar como ferramentas de regulação emocional no quotidiano, especialmente para pessoas que ainda não chegaram a um ponto de crise mas que sentem os sinais de alerta.

Quando o Movimento Não Chega: O Papel do Especialista

Jessica Athayde tem falado publicamente sobre a sua relação com a saúde mental há anos. Em 2024, a atriz partilhou no podcast Activa a sua experiência com ansiedade e o impacto que práticas de movimento e acompanhamento psicológico tiveram na sua vida. "Não há vergonha em pedir ajuda", disse na época.

Esta distinção é importante: o Gaga, o yoga, a meditação e outras práticas de movimento são complementos valiosos — mas não substituem o acompanhamento de um profissional de saúde mental quando os sintomas são persistentes, interferem com o funcionamento diário ou têm história de trauma subjacente.

Os sinais de que deve consultar um psicólogo ou médico incluem:

  • Tristeza, ansiedade ou irritabilidade persistente por mais de duas semanas
  • Perturbações do sono frequentes sem causa física identificada
  • Dificuldade de concentração que afeta o trabalho ou relações
  • Pensamentos negativos recorrentes ou sensação de falta de sentido
  • Uso crescente de álcool ou outras substâncias como forma de regular o humor

O acesso a um psicólogo ou médico de saúde mental pode ser feito através do médico de família, por consulta privada ou, cada vez mais, através de plataformas digitais de saúde. Um especialista pode ajudá-lo a perceber se práticas como o Gaga são adequadas para o seu caso específico — ou se há outras abordagens mais indicadas.

O Que Fazer a Partir de Hoje

O fenómeno Gaga que Jessica Athayde ajudou a popularizar em Portugal tem um mérito que vai além das redes sociais: faz as pessoas pensarem no seu corpo como algo que merece atenção, cuidado e escuta.

Se nunca experimentou nenhuma prática de movimento consciente, este pode ser um ponto de entrada acessível. Em Portugal existem professores certificados de Gaga em Lisboa e Porto. As aulas abertas (Gaga/people) são concebidas para qualquer pessoa, sem necessidade de experiência prévia em dança.

Se já tem uma prática mas sente que não é suficiente para o que está a vivenciar, o passo seguinte é consultar um profissional. A saúde mental não é uma moda — é uma necessidade.

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