Alcaraz nos quartos em Monte Carlo: as lesões mais comuns no ténis e quando consultar

Carlos Alcaraz a servir no torneio de Wimbledon 2025

Photo : 12121343A / Wikimedia

4 min de leitura 10 de abril de 2026

Carlos Alcaraz chegou aos quartos-de-final do Rolex Monte-Carlo Masters 2026, a 10 de abril, com uma vitória em três sets sobre Tomás Martín Etcheverry (6-1, 4-6, 6-3). Mas a conquista não foi sem drama: o espanhol cometeu 23 erros não-forçados no segundo set e viu o seu famoso "raio" ser apagado pelo adversário. O incidente relança uma questão que qualquer jogador amador de ténis deveria conhecer: quais são as lesões mais frequentes neste desporto e quando é que exigem consulta médica?

Alcaraz em Monte Carlo: um raio que voltou a brilhar

Com 22 anos, Carlos Alcaraz é o número 1 do mundo e defende o título conquistado em Monte Carlo em 2025. Na presente temporada, registou 18 vitórias em 20 partidas (90% de aproveitamento), tendo ganho o Open da Austrália e o Torneio do Qatar consecutivamente.

O jogo de quinta-feira contra Etcheverry foi o primeiro em que Alcaraz precisou de três sets neste torneio — um sinal de que o campeão argentino não facilitou. Nos quartos-de-final, o espanhol defronta o cazaque Alexander Bublik, que eliminou Jiří Lehečka em 75 minutos com um ténis de grande nível.

Alcaraz atribuiu a dificuldade do segundo set a um momento de perda de foco, e não a qualquer problema físico. Mas no ténis de alto rendimento — e mesmo no amador — a linha entre fadiga mental e início de uma lesão pode ser muito ténue.

As lesões mais comuns no ténis

O ténis é um desporto de esforço intermitente de alta intensidade: acelerações explosivas, travagens bruscas, rotações do tronco, e impactos repetidos no ombro e cotovelo através do serviço e dos golpes de fundo. Segundo dados da International Tennis Federation (ITF), as lesões mais frequentes em jogadores de todos os níveis são:

Cotovelo do tenista (epicondilite lateral): É a lesão mais emblemática do desporto. Resulta da inflamação dos tendões que unem o antebraço ao côndilo externo do úmero, provocada pela repetição do golpe de direita ou do serviço. Os sintomas incluem dor no exterior do cotovelo que pode irradiar para o antebraço, especialmente ao apertar objetos ou rodar o pulso.

Lesão no punho e mão: Os golpes em topspin geram movimentos de rotação intensa no punho. Tendinites, entorses e, em casos mais graves, lesões no fibrocartilagem triangular (o disco de cartilagem que estabiliza o punho) são frequentes. Dor persistente ao torcer a mão é um sinal de alerta.

Síndrome do impacto no ombro: O serviço exige uma cadeia cinética que começa nos pés e termina na raqueta. Quando existe um desequilíbrio muscular ou uma falha técnica, os tendões da coifa dos rotadores sofrem microtraumatismos repetidos. Dor ao levantar o braço acima da cabeça ou à noite é um sinal de que algo não está bem.

Lesões no joelho: As paragens e mudanças de direção, especialmente em piso de saibro como em Monte Carlo, sobrecarregam os ligamentos e a cartilagem articular. A síndrome femoropatelar (dor na frente do joelho) e as entorses do ligamento cruzado anterior são as mais comuns.

Distensões musculares no gastrocnémio: A chamada "perna de tenista" — uma distensão do músculo geminal — manifesta-se como uma dor súbita e intensa na barriga da perna, muitas vezes durante uma corrida explosiva. Pode ser confundida com uma rotura muscular e exige avaliação.

Quando deve consultar um médico?

Nem toda a dor após um jogo de ténis exige atenção médica imediata. O músculo sobre-trabalhado produz dor nas 24 a 48 horas seguintes ao exercício (dor muscular de início tardio, conhecida como DOMS), que resolve naturalmente com descanso e hidratação.

Mas há sinais que não devem ser ignorados:

  • Dor que persiste mais de 72 horas após o fim da atividade
  • Dor que aparece durante o jogo e obriga a parar ou alterar o movimento
  • Inchaço, calor local ou equimose na zona afetada
  • Instabilidade articular — sensação de que a articulação "falha" ou "cede"
  • Dor noturna que acorda durante o sono
  • Formigueiros ou dormência que indicam envolvimento nervoso

Nestes casos, a consulta com um médico de medicina desportiva ou um ortopedista é essencial. O diagnóstico precoce permite iniciar tratamento (fisioterapia, anti-inflamatórios, ou em casos raros intervenção cirúrgica) e evitar que uma lesão aguda se torne crónica.

O que pode aprender com a forma física de Alcaraz

Os atletas de elite como Alcaraz têm equipas médicas dedicadas que monitorizam em tempo real a carga de jogo, a recuperação muscular e os sinais de overtraining. Para um jogador amador — que combina o ténis com o trabalho e outras responsabilidades — a autogestão da saúde desportiva é ainda mais importante.

Algumas boas práticas:

Aquecimento e retorno à calma: 10 a 15 minutos de mobilidade articular antes do jogo e de alongamentos após reduzem significativamente o risco de distensões.

Periodização do treino: Não jogar todos os dias. O músculo recupera e fortalece durante o descanso, não durante o esforço.

Equipamento adequado: Raqueta com grip correto para o tamanho da mão, cordas com tensão adequada ao nível de jogo, e sapatilhas específicas para ténis com amortecimento lateral.

Hidratação e nutrição: A fadiga muscular num estado de desidratação aumenta o risco de cãibras e distensões. No saibro de Monte Carlo, com temperaturas de 20-25ºC, os jogadores bebem mais de 1,5 litros por hora de jogo.

Se sentiu desconforto após os últimos jogos e quer perceber se é algo a tratar, um médico especialista em medicina desportiva na plataforma Expert Zoom pode fazer uma avaliação e orientá-lo — antes que uma lesão pequena se transforme em semanas de paragem.

Para recomendações gerais sobre saúde e atividade física, consulte o portal de informação clínica da Direção-Geral da Saúde de Portugal.

Nota: Este artigo tem carácter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de lesão, consulte sempre um profissional de saúde.

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