A Canva lançou o Canva AI 2.0 durante o Canva Create 2026, apresentando uma nova forma de criar design: em vez de prompts únicos, os utilizadores podem agora conversar com a IA dentro do editor para criar, ajustar e refinar trabalhos criativos em tempo real. A atualização promete transformar a forma como pequenas empresas, agências e freelancers portugueses produzem conteúdo visual — mas levanta também questões sérias sobre direitos de autor, propriedade intelectual e responsabilidade legal que muitas empresas estão a ignorar.
O que é o Canva AI 2.0 e como funciona
O Canva AI 2.0, apresentado no evento Canva Create 2026, representa uma evolução significativa face à versão anterior. Se o Canva AI 1.0 funcionava com um único prompt que gerava um resultado estático, o 2.0 permite uma conversa contínua com a IA dentro do editor — o utilizador descreve o que quer, recebe uma proposta, pede ajustes e afina o resultado sem sair da plataforma.
Entre as novas funcionalidades destacam-se:
- Criação conversacional: o utilizador dialoga com a IA para construir o design passo a passo;
- Estúdio de grande escala (para subscritores Pro): permite criar dezenas de peças visuais adaptadas a uma campanha com um único conjunto de instruções;
- Rascunho em documento: geração automática de texto para campanhas, publicações e conteúdo de redes sociais.
A velocidade e acessibilidade são claras. O problema é que muitos utilizadores estão a usar estas ferramentas sem perceber as implicações legais do que estão a produzir.
Quem é o dono dos conteúdos criados com IA?
Esta é a questão que mais preocupa os especialistas em informática e em propriedade intelectual. Segundo os Termos de Produtos de IA da Canva, as imagens geradas por IA não estão cobertas pelo Acordo de Licença de Conteúdo padrão da plataforma — o que significa que o utilizador pode usá-las, mas as proteções legais habituais não se aplicam da mesma forma.
Em Portugal e na União Europeia, a lei de direitos de autor protege obras com origem criativa humana. O que cria uma ambiguidade: se um utilizador gerou uma imagem apenas com um prompt de texto, sem intervenção criativa substancial, essa imagem pode não ser protegível como sua propriedade intelectual. Mas também pode ser usada por outros — incluindo concorrentes — sem que haja uma violação clara dos seus direitos.
Mais grave ainda: uma empresa que use conteúdo gerado por IA em campanhas publicitárias pode descobrir que esse conteúdo se assemelha ao trabalho de outro criador — e enfrentar reclamações por violação de direitos de autor, mesmo que o plágio não tenha sido intencional.
O que diz a lei europeia sobre IA e direitos de autor
A União Europeia está na vanguarda da regulação da inteligência artificial. O Regulamento Europeu de Inteligência Artificial (AI Act) começa a ser aplicado a partir de agosto de 2026 e inclui obrigações específicas para sistemas de IA de "uso geral" — categoria em que o Canva AI potencialmente se insere.
Uma das principais obrigações previstas é a transparência: os sistemas de IA que gerem conteúdo devem identificar quando o conteúdo foi gerado artificialmente. Para as empresas que usam estas ferramentas em campanhas publicitárias, isso pode implicar declarações adicionais na comunicação comercial — especialmente em setores regulados como serviços financeiros, saúde ou serviços jurídicos.
Tal como analisa o artigo sobre as implicações da nova lei europeia de IA e os direitos de imagem, as empresas portuguesas têm cada vez menos margem para ignorar o quadro regulatório europeu em matéria de IA — e as sanções para o incumprimento podem ser significativas.
Os riscos para as empresas portuguesas
Usar o Canva AI 2.0 no dia a dia de uma empresa pode parecer inofensivo — mas há riscos concretos que um especialista em informática estaria apto a identificar e mitigar:
1. Uso de imagens geradas por IA em material de marca: se a imagem criada pelo Canva AI se parecer com uma fotografia ou ilustração protegida por direitos de autor, a empresa pode ser responsabilizada por violação de propriedade intelectual.
2. Falta de originalidade protegível: materiais de marketing gerados inteiramente por IA podem não ser protegidos por direitos de autor — o que significa que os concorrentes podem reproduzir a identidade visual da empresa sem consequências legais.
3. Incumprimento do AI Act: a partir de agosto de 2026, empresas que publiquem conteúdo gerado por IA sem as declarações de transparência exigidas podem enfrentar coimas. Conforme detalhado no artigo sobre o Regulamento Europeu de IA e as empresas portuguesas, o incumprimento pode custar até 3% do volume de negócios anual global.
4. Dependência de uma plataforma de terceiros: toda a criatividade visual da empresa fica dependente de uma plataforma americana, sujeita a alterações de termos e condições — o que implica um risco operacional e estratégico que muitas PMEs subestimam.
Como um especialista em informática pode ajudar
Um consultor de informática ou especialista em transformação digital pode ajudar a sua empresa a usar o Canva AI 2.0 — e outras ferramentas de IA generativa — de forma segura e estratégica:
- Auditar o uso atual de ferramentas de IA na empresa e identificar riscos legais e operacionais;
- Definir políticas internas sobre que conteúdo pode ser gerado por IA e em que contextos;
- Implementar fluxos de trabalho que incluam revisão humana dos conteúdos gerados automaticamente;
- Avaliar alternativas às plataformas de terceiros para funções críticas do negócio;
- Preparar a empresa para os requisitos do AI Act europeu que entram em vigor em agosto de 2026.
A inteligência artificial é uma ferramenta poderosa, mas sem orientação especializada pode tornar-se um risco legal e reputacional. Na ExpertZoom, encontra especialistas em informática e consultores de transformação digital prontos a ajudá-lo a tirar partido da IA de forma informada e segura.
