Uma nova burla envolvendo o MB Way está em investigação pela Polícia Judiciária (PJ) desde 7 de abril de 2026. O esquema começa com uma transferência inesperada de €150 a €200, seguida de um contacto via WhatsApp a pedir que devolva o dinheiro "enviado por engano" — mas as vítimas não são roubadas: são usadas como intermediárias numa potencial operação de lavagem de dinheiro.
Como funciona o esquema de lavagem via MB Way
Ao contrário das burlas tradicionais que esvaziavam contas bancárias, este esquema tem um mecanismo diferente. O burlão envia uma quantia real para a vítima — normalmente entre €150 e €200 — através do MB Way. Minutos depois, a vítima recebe uma mensagem de um número diferente no WhatsApp, a dizer que o dinheiro foi transferido "por engano" e a pedir que o devolva imediatamente para outro número.
Se a vítima transferir o valor, torna-se involuntariamente parte de um circuito de lavagem de fundos ilícitos. De acordo com a reportagem do Observador de 8 de abril de 2026, o dinheiro inicial pode ter origem criminosa, e a "devolução" serve para ocultar o rasto financeiro.
A PJ emitiu um alerta claro: não devolva o dinheiro sem consultar primeiro o seu banco. O procedimento correto é contactar a instituição bancária para verificar a origem da transferência e registar a operação como suspeita.
O que diz o Banco de Portugal
O Banco de Portugal já havia emitido avisos sérios sobre burlas via MB Way. A entidade reguladora recorda que nenhuma instituição legítima pede pagamentos por SMS, email ou mensagens WhatsApp, nem solicita dados pessoais ou bancários por esses canais.
O organismo aconselha todos os utilizadores de MB Way a verificar o nome do destinatário antes de confirmar qualquer transação. Segundo dados de 2023 publicados pelo regulador, as perdas associadas a burlas bancárias em Portugal ascenderam a cerca de €12,3 milhões, sendo que as fraudes via MB Way representaram quase 40% do total.
Em 2023, o número de burlas MB Way cresceu 34% face ao ano anterior — e 2026 traz um método novo e mais sofisticado que explora a boa-fé das vítimas.
Quem são as vítimas deste novo esquema
Ao contrário dos ataques anteriores que visavam sobretudo pessoas mais velhas, este esquema afeta uma faixa mais jovem. Cerca de 30% das vítimas de burlas MB Way em 2023 eram estudantes universitários e jovens profissionais entre os 18 e os 35 anos, segundo dados da PSP.
O perfil das vítimas do novo esquema é igualmente variado: qualquer utilizador MB Way pode receber uma transferência inesperada. A armadilha está precisamente na aparente inocência do ato — quem recebe dinheiro "por engano" sente-se moralmente obrigado a devolvê-lo, sem questionar.
A CNN Portugal reportou em 7 de abril de 2026 que a PJ está a investigar vários casos e a rastrear os IBANs associados aos pedidos de "devolução" para identificar os responsáveis.
O que fazer se receber dinheiro inesperado no MB Way
Se encontrar uma transferência desconhecida na sua conta MB Way, siga estes passos recomendados pela PJ e pelo Banco de Portugal:
Não transfira o dinheiro de volta imediatamente. Este é o erro mais comum e pode torná-lo cúmplice involuntário de um crime.
Contacte o seu banco. Explique a situação e peça ao banco que verifique a origem da transferência pelos canais internos. O banco tem meios para fazer uma reversão segura sem expor os dados da vítima.
Registe a ocorrência. Guarde todas as mensagens recebidas pelo WhatsApp, o número do contacto e o IBAN associado. Estes dados são essenciais para a investigação.
Participe às autoridades. Pode reportar o caso diretamente à PJ ou à PSP, com o registo do IBAN do burlão. A denúncia ajuda a travar a rede criminosa.
Não responda às mensagens. Qualquer contacto com os burlões pode comprometer a investigação e encorajar novos pedidos.
Quando consultar um advogado especializado em fraude bancária
Embora este esquema coloque a vítima numa posição passiva, há situações em que o aconselhamento jurídico se torna essencial:
- Se o seu banco bloquear temporariamente a conta por suspeita de atividade irregular
- Se a PJ o contactar como potencial suspeito por ter "devolvido" dinheiro sem saber
- Se sofreu perdas financeiras indiretas associadas ao esquema
- Se a sua identidade foi usada noutras transações sem o seu conhecimento
Um advogado especialista em direito bancário e fraude pode ajudá-lo a demonstrar boa-fé, proteger a sua posição legal e recuperar eventuais perdas. Plataformas como a Expert Zoom permitem consultar especialistas nesta área de forma rápida e acessível.
Aviso legal: Este artigo é informativo e não substitui aconselhamento jurídico profissional. Em caso de fraude, consulte um advogado especializado.
A sofisticação crescente das burlas digitais em Portugal
O caso da burla MB Way por "engano" ilustra uma tendência preocupante: os burlões estão a adaptar os seus métodos para explorar não só a vulnerabilidade técnica das vítimas, mas também a sua honestidade e boas intenções.
Enquanto as autoridades investigam, a melhor proteção continua a ser o conhecimento. O Banco de Portugal mantém uma página de alertas atualizada em www.bportugal.pt onde os cidadãos podem consultar os avisos mais recentes sobre fraudes bancárias.
Portugal tem intensificado a cooperação entre a PJ, o Banco de Portugal e os operadores de pagamentos para responder mais rapidamente a estes esquemas. Em 2026, a resposta às burlas digitais é cada vez mais urgente num país onde o MB Way acumulou mais de 8 milhões de utilizadores ativos.
