Brandon Clarke morreu aos 29 anos: o que os jovens devem saber sobre herança e testamento

Documentos de testamento e herança sobre secretária de advogado em escritório de Lisboa
Sofia Sofia CostaJurídico
5 min de leitura 12 de maio de 2026

Brandon Clarke, ala dos Memphis Grizzlies, morreu a 12 de maio de 2026, com apenas 29 anos. A notícia chocou o mundo do desporto e reacendeu um debate que muitos evitam: o que acontece ao dinheiro e aos bens de um jovem profissional quando morre de forma inesperada?

Quem era Brandon Clarke

Selecionado na 21.ª posição do draft da NBA de 2019, Brandon Clarke construiu uma carreira sólida ao longo de sete temporadas nos Memphis Grizzlies, com uma média de 10,2 pontos por jogo. Nesta época 2025-2026, uma lesão na barriga da perna limitou-o a apenas dois encontros. A sua morte prematura — cuja causa ainda não foi oficialmente confirmada — deixou família, adeptos e a comunidade desportiva em estado de choque.

A perda de um jovem de 29 anos na força da sua carreira é, antes de mais, uma tragédia humana. Mas levanta também questões jurídicas e patrimoniais urgentes que a maioria dos jovens profissionais ignora completamente. Um advogado especializado em herança e sucessões pode ser fundamental nestes momentos.

O que acontece ao contrato e ao dinheiro de um atleta da NBA?

Os contratos na NBA incluem cláusulas específicas em caso de falecimento do jogador. Geralmente, o salário restante não é integralmente pago à família de forma automática — tudo depende das condições negociadas, das apólices de seguro de vida contratadas e do que foi estabelecido em testamento ou numa procuração.

Além do salário, um atleta profissional pode acumular ativos consideráveis:

  • Contas bancárias com poupanças em vários países
  • Imóveis registados em nome próprio
  • Contratos de patrocínio com cláusulas pós-mortem
  • Investimentos em fundos ou ações
  • Seguros de vida com beneficiários designados

Sem um testamento claro e juridicamente válido, todos estes bens ficam sujeitos às regras da sucessão legítima — e nem sempre os resultados correspondem aos desejos do falecido.

Herança sem testamento em Portugal: as regras da lei

Em Portugal, quando uma pessoa morre sem testamento, aplica-se a sucessão legítima prevista no Código Civil. A lei estabelece uma hierarquia rígida de herdeiros:

  1. Cônjuge e descendentes (filhos, netos) — herdam em conjunto
  2. Cônjuge e ascendentes (pais, avós) — se não existirem filhos
  3. Irmãos e sobrinhos — na ausência dos anteriores
  4. Outros colaterais (tios, primos) — em último recurso
  5. Estado português — se não houver herdeiros

Na prática, um jovem solteiro e sem filhos que morra sem testamento pode ver os seus bens distribuídos por familiares distantes ou, em casos extremos, pelo Estado. Amigos próximos, parceiros de vida não casados ou causas sociais que o falecido apoiasse ficam excluídos por completo.

O portal oficial do cidadão português, ePortugal.gov.pt, disponibiliza informação detalhada sobre os procedimentos de herança e inventário, incluindo os prazos legais para reclamar a herança e as obrigações fiscais associadas.

O testamento como ferramenta de proteção patrimonial

Um testamento bem redigido permite que qualquer pessoa decida, dentro dos limites da lei, quem herda o quê. Em Portugal, a quota disponível — a parte do património de que se pode dispor livremente — varia entre um terço e metade dos bens, consoante a existência de herdeiros legitimários (filhos, cônjuge ou pais).

Com um testamento, é possível:

  • Designar herdeiros específicos para bens concretos (imóveis, veículos, investimentos)
  • Nomear um executor testamentário de confiança que garanta o cumprimento da vontade do falecido
  • Fazer legados a amigos, parceiros ou organizações de solidariedade social
  • Incluir cláusulas especiais, como o pagamento de dívidas ou a manutenção de um negócio

Para quem tem bens em vários países — situação comum entre atletas profissionais — é essencial contar com um advogado especializado em direito sucessório internacional, capaz de coordenar os diferentes regimes jurídicos aplicáveis.

Jovens sem testamento: um erro muito comum

Segundo dados europeus, a grande maioria das pessoas com menos de 35 anos não tem testamento. O argumento mais ouvido é sempre o mesmo: "Sou novo, ainda há tempo." A morte prematura de Brandon Clarke, a par de outros casos mediáticos, demonstra que a imprevisibilidade não respeita idades nem carreiras.

Um acidente de viação, uma doença súbita, uma complicação cirúrgica — qualquer um destes cenários pode alterar uma vida em segundos. Sem um documento legal que expresse claramente a sua vontade, são os tribunais e a lei que decidem o destino dos seus bens — não os seus desejos.

Se tem uma casa, uma poupança, um negócio ou simplesmente pessoas de quem quer cuidar após a sua morte, o testamento é o único instrumento que garante que essa vontade será respeitada.

O Imposto do Selo e a fiscalidade da herança

Em Portugal, a herança está sujeita ao Imposto do Selo à taxa de 10%, mas apenas para herdeiros que não sejam cônjuge, descendentes ou ascendentes — os chamados "não-legitimários". Amigos, parceiros não casados e organizações pagarão esta taxa sobre os bens que receberem.

Por isso, o planeamento sucessório não é apenas uma questão de vontade pessoal. É também uma decisão financeira com impacto real. Um consultor jurídico pode ajudar a estruturar a transmissão de bens de forma fiscalmente eficiente, reduzindo ao mínimo o custo tributário para os seus beneficiários.

Como um advogado especialista em herança pode ajudá-lo

A morte de um atleta de elite com 29 anos é um lembrete de que o planeamento sucessório não é exclusivo dos ricos ou dos idosos. É uma necessidade de qualquer adulto com bens, família ou projetos que queira proteger.

Um advogado especializado em direito das sucessões pode orientá-lo a:

  • Redigir um testamento juridicamente válido e incontestável
  • Constituir procurações de representação para situações de incapacidade
  • Planear a transmissão de bens de forma eficiente e alinhada com os seus desejos
  • Resolver conflitos entre herdeiros e gerir partilhas complexas
  • Acompanhar o processo de inventário após um falecimento

Este artigo tem caráter informativo e não substitui o aconselhamento jurídico personalizado. Em caso de dúvida, consulte um advogado especializado em direito sucessório.

A morte de Brandon Clarke enlutou o mundo do desporto. Que sirva também de incentivo para que cada um de nós tome as decisões que protegem aqueles que ama — enquanto há tempo para isso.

Na Expert Zoom, pode consultar advogados especializados em herança, testamentos e direito successório que respondem às suas dúvidas de forma clara, rápida e confidencial.

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