Bernardo Silva deixa o Manchester City: o que a saída de um craque ensina sobre gestão financeira de carreira

Bernardo Silva a jogar futebol em 2018

Photo : Aleksandr Veprev / Wikimedia

Beatriz Beatriz MartinsGestão de Património
4 min de leitura 20 de abril de 2026

Bernardo Silva confirmou a 16 de abril de 2026 que vai deixar o Manchester City no final da época, após nove anos no clube inglês: "É tempo de dizer adeus", escreveu nas redes sociais o capitão dos Citizens. Com contrato a terminar a 30 de junho de 2026, o médio português de 31 anos entra no mercado como agente livre — e as decisões financeiras que tomar nas próximas semanas serão, provavelmente, as mais importantes da sua carreira.

O que significa ser agente livre aos 31 anos no futebol de elite

A saída de Bernardo Silva do Manchester City não é uma queda — é uma das posições negociais mais fortes que um futebolista pode ter. Por não haver taxa de transferência, os clubes interessados — entre eles Juventus, Barcelona e Atlético de Madrid, segundo a imprensa especializada — podem canalizar para o salário o dinheiro que gastariam numa transferência convencional, que para um jogador do perfil de Silva poderia rondar os 30 a 50 milhões de euros.

Ao longo de nove anos em Manchester, Silva acumulou seis títulos da Premier League, uma Liga dos Campeões, cinco Taças da Liga inglesa e duas FA Cups — um palmarés que raros jogadores alcançam numa única carreira. Com 107 internacionalizações por Portugal, o seu valor comercial e mediático permanece elevado.

Mas é precisamente neste momento de transição que muitos atletas cometem os erros financeiros mais custosos.

Os riscos financeiros que os craques frequentemente ignoram

Segundo o Banco de Portugal, a literacia financeira continua a ser um desafio transversal à sociedade portuguesa — e os atletas profissionais não são exceção. Estudos internacionais revelam padrões preocupantes entre os desportistas de elite após o pico de carreira:

  • Mais de 60% dos antigos jogadores profissionais da Premier League enfrentam dificuldades financeiras sérias nos cinco anos após a reforma, segundo dados da associação de jogadores inglesa (PFA).
  • O principal fator de risco não é o nível de rendimentos durante a carreira, mas a ausência de planeamento estruturado e acompanhamento por consultores independentes.
  • Contratos de imagem e publicidade celebrados durante a carreira ativa podem ter implicações fiscais e legais que persistem anos após a saída do desporto.

Para Bernardo Silva, o próximo contrato não é apenas uma questão desportiva. É uma decisão patrimonial com impacto direto nas décadas seguintes à carreira ativa.

O que um gestor de património recomendaria neste momento

Aos 31 anos, Bernardo Silva está numa janela de tempo crítica: provavelmente ainda terá dois ou três grandes contratos pela frente, mas cada decisão que tomar agora define a sua situação financeira na reforma. As áreas que um especialista em gestão de património analisaria são:

1. Estrutura fiscal do contrato A localização do próximo clube não é apenas uma questão desportiva — implica regimes fiscais completamente diferentes. Em Itália (Juventus, Napoli), Espanha (Barcelona, Atlético) e na Arábia Saudita, as condições de tributação sobre os rendimentos desportivos e de imagem variam significativamente. Um consultor fiscal especializado em atletas internacionais pode fazer a diferença de vários milhões de euros na carga fiscal total.

2. Diversificação de ativos Os jogadores de elite raramente colocam a totalidade dos seus ativos em imobiliário, que é a opção mais comum. Uma carteira diversificada — com componentes em investimentos regulados, fundos indexados e ativos de baixa volatilidade — oferece maior proteção contra os ciclos económicos do que a concentração em propriedades num único mercado.

3. Contratos de imagem e direitos comerciais A negociação dos direitos de imagem em paralelo com o contrato desportivo é uma área frequentemente subestimada. Para um atleta com a visibilidade de Bernardo Silva, estes direitos podem representar uma parcela significativa da remuneração total — e devem ser negociados com o mesmo rigor do contrato principal.

4. Planeamento da pós-carreira Com um horizonte de cinco a oito anos de carreira ativa, a estruturação de ativos pensada para a vida após o futebol deve começar agora — não quando o contrato final terminar.

A lição para além do futebol

O caso de Bernardo Silva é um espelho ampliado de algo que qualquer profissional enfrenta ao longo da carreira: os momentos de transição são os mais arriscados — e os mais ricos em oportunidades — em termos financeiros.

Seja uma mudança de emprego, um encerramento de empresa, uma herança inesperada ou a entrada na reforma, as decisões tomadas nos meses que rodeiam estas transições têm impacto desproporcional no longo prazo. A diferença entre um resultado positivo e um desastroso raramente está na sorte — está no planeamento e no acesso ao conselho especializado certo.

Em Portugal, os consultores de gestão de património estão disponíveis não apenas para grandes fortunas. Cada vez mais profissionais de rendimento médio e alto recorrem a este tipo de acompanhamento nos momentos de mudança, com resultados mensuráveis em termos de preservação e crescimento de ativos.

Para saber mais sobre como proteger e fazer crescer o seu património nos momentos de transição, pode consultar um especialista em gestão financeira através da Expert Zoom — que aborda outros casos de futebolistas portugueses e as implicações financeiras das suas transferências.

Bernardo Silva disse que é "tempo de dizer adeus" ao Manchester City. O que esse adeus vale financeiramente depende das decisões que tomar nas próximas semanas. E isso, ao contrário de um passe de golo, não é inato — aprende-se com os especialistas certos.

Os nossos especialistas

Vantagens

Respostas rápidas e precisas para todas as suas questões e pedidos de assistência em mais de 200 categorias.

Milhares de utilizadores obtiveram uma satisfação de 4,9 em 5 para os conselhos e recomendações fornecidas pelos nossos assistentes.