A Altice Portugal, operadora da marca MEO, voltou esta semana ao topo das pesquisas em Portugal, com centenas de clientes a reportar falhas de serviço e a questionar os seus direitos. O Portal da Queixa regista dezenas de reclamações ativas sobre avarias de internet, televisão e telefone fixo em 2026 — muitas sem resolução há vários dias.
Se a sua ligação MEO, NOS, Vodafone ou NOWO está com falhas e a operadora não resolve, a lei portuguesa é clara: tem direitos. Muitos clientes desconhecem-nos completamente.
O que se passa com a Altice/MEO em 2026
As reclamações contra a Altice Portugal têm aumentado no Portal da Queixa ao longo de 2026. Os problemas mais frequentes incluem avarias prolongadas de internet e TV, falhas de linha fixa que demoram dias ou semanas a ser resolvidas, e cobranças contínuas mesmo quando o serviço está interrompido.
Em fevereiro de 2026, na sequência dos danos causados pela tempestade Kristin, a ANACOM interveio publicamente, exigindo que as operadoras acelerassem os reparos e limitando a sua atuação em 69 municípios em estado de calamidade, onde os clientes passaram semanas sem serviço. Segundo o regulador, os operadores eram obrigados a aceitar a suspensão temporária de contratos nesses casos.
O mesmo padrão repete-se agora: clientes a reclamar, operadora a demorar, e consumidores que não sabem o que podem exigir.
Os seus direitos quando a internet ou TV falha
A legislação portuguesa é clara — e favorável ao consumidor — em três cenários específicos:
Falha de serviço superior a 24 horas: direito a compensação
Se a sua avaria durar mais de 24 horas consecutivas, tem direito a uma redução proporcional na fatura mensal. A operadora é obrigada a deduzir os dias sem serviço do valor cobrado. Se não o fizer automaticamente, pode reclamá-lo por escrito.
Guarde sempre o número da chamada de apoio e os registos da avaria — são a sua prova.
Falha superior a 15 dias: pode sair do contrato sem custos
Este é o direito que as operadoras raramente comunicam: se a avaria durar mais de 15 dias seguidos, tem o direito de rescindir o contrato sem pagar qualquer penalização por fidelização. Sem encargos. Nem cláusula de fidelização se aplica.
Este direito está consagrado no Decreto-Lei n.º 14/2021 que transpôs para Portugal o Código Europeu das Comunicações Eletrónicas.
Cobranças durante a avaria: tem direito ao reembolso
Se a operadora continuou a cobrar a mensalidade completa durante o período em que o serviço estava interrompido ou degradado, tem direito ao reembolso proporcional. Apresente reclamação em livro de reclamações (físico ou online) e guarde cópia.
Como reclamar de forma eficaz
A queixa informal ao apoio ao cliente raramente resolve. O processo eficaz tem três passos:
1. Livro de reclamações
Toda a empresa prestadora de serviços em Portugal é obrigada a disponibilizar livro de reclamações, incluindo em formato eletrónico (livroreclamacoes.pt). A empresa tem 15 dias para responder. Esta etapa é importante porque cria um registo formal.
2. ANACOM — Autoridade Nacional de Comunicações
Se a resposta da operadora for insatisfatória ou não houver resposta no prazo, pode apresentar queixa à ANACOM. O regulador tem poderes de fiscalização e pode obrigar a operadora a corrigir a situação. A queixa é gratuita e feita online em anacom-consumidor.pt.
3. Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo
Para litígios que a ANACOM não resolva, pode recorrer a um Centro de Arbitragem de Consumo — um processo extrajudicial rápido (geralmente 90 dias) e de baixo custo. As operadoras são obrigadas por lei a aceitar este mecanismo.
Quando o problema vai além da avaria: papel de um especialista em TI
Se a falha de serviço está a prejudicar a sua empresa — com perda de acesso a sistemas, impossibilidade de trabalho remoto, ou danos a equipamentos ligados à rede — a situação torna-se mais complexa.
Nestes casos, além dos direitos de consumidor, pode ter direito a indemnização por danos económicos causados pela avaria. Um especialista em infraestrutura e contratação de serviços TI pode ajudá-lo a:
- Documentar os danos causados pela falha de conectividade
- Avaliar se o contrato empresarial garante SLA (Service Level Agreement) e quais as penalidades aplicáveis
- Estruturar uma estratégia de redundância para evitar interrupções futuras (segunda ligação, failover móvel)
- Negociar contratos empresariais com garantias de disponibilidade reais
Em contexto doméstico, o impacto pode ser menor — mas para profissionais em regime de teletrabalho ou pequenos negócios, uma avaria de internet de uma semana pode significar perdas reais e documentáveis.
O que fazer agora se está sem serviço
Se a sua avaria Altice/MEO (ou outra operadora) está a prolongar-se:
- Registe a data e hora do início da avaria — por email ou SMS ao apoio ao cliente
- Guarde todos os números de referência das chamadas de assistência
- Aceda ao livro de reclamações online em livroreclamacoes.pt se a avaria superar 48h sem resolução
- Verifique a sua fatura no mês seguinte e reclame a dedução proporcional se não for aplicada automaticamente
- Se a avaria superar 15 dias, notifique a operadora por escrito da sua intenção de rescindir sem penalização
Portugal tem um quadro legal que protege os consumidores. O problema é que a maioria das pessoas não o conhece — e as operadoras sabem disso. O mesmo princípio aplica-se a outros serviços digitais: como vimos com a queda da PSN em março de 2026, os consumidores portugueses têm direitos concretos sempre que um serviço pago falha.
*Este artigo tem caráter informativo. Para situações empresariais ou casos com danos económicos significativos, recomenda-se a consulta com um especialista em contratos de telecomunicações ou um advogado de direito do consumidor.*
