A Xiaomi lançou em Portugal, a 28 de maio de 2026, a nova série Xiaomi 17T — composta pelos modelos Xiaomi 17T (a partir de €749) e Xiaomi 17T Pro (a partir de €999), com câmara Leica de teleobjetiva periscópica 5x e bateria de 7000 mAh. O anúncio desencadeou, como sempre acontece nos grandes lançamentos de smartphones, uma vaga de trocas: quem migra do modelo antigo para o novo tem uma janela de decisão crítica em que os dados pessoais ficam em risco.
Mudar de telemóvel parece simples. Mas entre transferir os dados para o novo aparelho e preparar o antigo para venda, oferta ou reciclagem, existe um conjunto de passos que a maioria dos utilizadores falha — com consequências potencialmente graves.
O que muda com o Xiaomi 17T
A nova série mantém o sistema operativo HyperOS da Xiaomi, que inclui funcionalidades de proteção de privacidade como o controlo de permissões por aplicação, a navegação segura e o modo de privacidade avançado. O modelo Pro distingue-se pela inclusão da câmara teleobjetiva Leica 5x, anteriormente reservada a segmentos superiores da marca, e pela bateria de 7000 mAh com carregamento rápido de 120W.
Mas as melhorias técnicas não eliminam um risco que subsiste em todos os telemóveis: o dispositivo antigo, se não for preparado corretamente antes de mudar de mãos, pode conter um arquivo completo da vida digital do seu proprietário — fotos, palavras-passe guardadas, dados bancários, histórico de mensagens, documentos de saúde e muito mais.
O que os seus dados dizem sobre si
Quando entrega ou vende um telemóvel sem o limpar adequadamente, está potencialmente a ceder acesso a:
Contas de e-mail e redes sociais com sessões abertas que permitem aceder sem palavra-passe.
Dados bancários e de pagamento guardados em aplicações como MB Way, PayPal ou Google Pay.
Fotografias e documentos pessoais que podem incluir cópias do cartão de cidadão, recibos de vencimento ou documentos médicos.
Palavras-passe em cache guardadas pelo navegador ou por gestores de palavras-passe nativos.
Segundo a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), cada cidadão tem o direito de controlar os seus dados pessoais, incluindo o direito ao apagamento. Mas esse direito começa com o próprio utilizador: as empresas não têm acesso ao telemóvel que vende ao vizinho.
5 passos para uma troca segura
Antes de passar o Xiaomi antigo para outra pessoa — ou para o contentor de reciclagem —, siga estes cinco passos por esta ordem:
Passo 1: Faça uma cópia de segurança completa. Transfira todos os dados que quer guardar — fotos, contactos, documentos, aplicações — para o novo telemóvel, para o computador ou para um serviço de armazenamento em nuvem seguro. No Android, aceda a Definições > Sistema > Cópia de segurança. No Xiaomi com HyperOS, o processo está em Definições > Xiaomi Cloud > Cópia de segurança.
Passo 2: Remova o cartão SIM e o cartão de memória. O cartão SIM contém o seu número de telefone e potencialmente contactos. O cartão microSD pode conter fotos e ficheiros que não são apagados pelo reinício de fábrica. Retire ambos antes de avançar.
Passo 3: Termine sessão em todas as contas. Antes de fazer o reinício de fábrica, termine sessão manualmente em Google, Xiaomi, aplicações bancárias, redes sociais e qualquer outro serviço. Isto garante que a sua conta não fica vinculada ao aparelho após a reposição.
Passo 4: Execute a reposição de fábrica. No Xiaomi com HyperOS ou MIUI, aceda a Definições > Geral > Repor > Apagar todos os dados. O processo pode demorar alguns minutos. No final, o telemóvel voltará ao estado original de fábrica.
Passo 5: Ative a encriptação antes do reinício (para maior segurança). Se o aparelho suportar (e os modelos recentes da Xiaomi suportam), ative a encriptação do armazenamento antes de fazer o reinício de fábrica. Isto garante que mesmo que os dados não sejam completamente sobrescritos, ficam ilegíveis sem a chave de encriptação.
O que fazer se suspeitar que os dados foram comprometidos
Se vendeu ou doou um telemóvel sem o limpar adequadamente e suspeita que os dados pessoais podem ter sido acedidos, tome ação imediata:
Altere as palavras-passe de todas as contas às quais o telemóvel tinha acesso — e-mail, redes sociais, banca online. Ative a autenticação a dois fatores em todos os serviços que a disponibilizem. Contacte o seu banco se o telemóvel tinha acesso a aplicações bancárias.
Um profissional de informática ou de segurança digital pode ajudar a avaliar a extensão da exposição e a definir as medidas corretivas adequadas. Em casos de suspeita de acesso não autorizado a dados pessoais, pode apresentar queixa à CNPD.
A migração para o novo telemóvel
Para quem está a configurar o Xiaomi 17T pela primeira vez, a melhor prática é configurar o aparelho como "novo dispositivo" em vez de restaurar uma cópia de segurança antiga — especialmente se a última cópia incluir aplicações desatualizadas ou dados de um período anterior. Comece do zero, instale apenas o que usa ativamente e reveja as permissões de cada aplicação antes de as conceder.
A segurança dos dados pessoais não está apenas nas definições do telemóvel. Está nas decisões que toma em cada passo da migração.
Este artigo tem carácter informativo e não substitui aconselhamento técnico especializado. Em caso de dúvidas sobre proteção de dados ou segurança digital, consulte um técnico de informática certificado.

João Santos