A 2 de abril de 2026, Donald Trump assinou novas proclamações que reforçam as tarifas sobre aço, alumínio e cobre, e anunciou tarifas de 100% sobre medicamentos patenteados. Para as empresas portuguesas de tecnologia e informática, o impacto vai além das matérias-primas: a cadeia de fornecimento de componentes eletrónicos está sob pressão crescente.
O que mudou em abril de 2026: as tarifas que afetam o setor tecnológico
Desde janeiro de 2026, os Estados Unidos aplicam uma tarifa de 25% sobre chips de computação avançada, nomeadamente semicondutores Nvidia H200 e AMD MI325X — os componentes centrais de servidores, centros de dados e infraestruturas de inteligência artificial. Em fevereiro, uma tarifa geral de 15% sobre produtos da União Europeia entrou em vigor após decisão do Supremo dos EUA sobre legislação anterior.
Segundo a Casa Branca, as medidas visam proteger a segurança económica e tecnológica americana. Para Portugal, o custo é concreto: um estudo referenciado pelo Euronews em fevereiro de 2026 identificou Portugal como um dos países da UE mais afetados pelas tarifas, com perdas anuais estimadas em €370 milhões e 5.500 postos de trabalho em risco.
O setor corticeiro e têxtil do norte do país foi dos primeiros a alertar para o impacto. Mas o setor tecnológico tem vulnerabilidades específicas que demoram mais a aparecer nas estatísticas — e que podem ser atenuadas com planeamento antecipado.
Porque é que as tarifas tecnológicas afetam empresas portuguesas sem exportar para os EUA
A lógica pode não ser imediata: uma empresa portuguesa de IT que serve exclusivamente o mercado interno parece imune a tarifas americanas. Mas a cadeia de fornecimento de hardware é global, e passa necessariamente pelos EUA ou por fornecedores diretamente afetados.
Três mecanismos de impacto indireto:
Custos de hardware — Servidores, switches, routers e equipamento de rede que incluem chips americanos ou produzidos em Taiwan com tecnologia sujeita a tarifas vão ficar mais caros. As renovações de infraestrutura programadas para 2026-2027 podem custar entre 15% a 30% mais.
Licenças de software cloud — Empresas como Microsoft Azure, AWS e Google Cloud têm centros de dados sujeitos às novas regras de componentes. Os aumentos de custo tendem a ser repercutidos nas subscrições empresariais com um desfasamento de 6 a 12 meses.
Contratos com clientes internacionais — Empresas de IT portuguesas que prestam serviços a clientes no Reino Unido, EUA ou Brasil podem ver os orçamentos dos clientes comprimidos pela incerteza económica global, afetando renovações de contratos.
O que os especialistas de IT recomendam às empresas portuguesas agora
Vários consultores e especialistas de tecnologia aconselham uma revisão imediata da estratégia de aquisição de equipamento e contratação de serviços cloud. As recomendações práticas mais comuns incluem:
- Antecipar renovações de hardware que estavam previstas para 2027 — os preços devem subir progressivamente ao longo de 2026
- Diversificar fornecedores de cloud para além de provedores americanos, incluindo soluções europeias como OVHcloud ou Hetzner, sujeitas a regulação diferente
- Renegociar contratos de licenciamento com cláusulas de revisão de preço — muitos fornecedores estão abertos a acordos plurianuais com preço fixo antes de potenciais aumentos
- Auditoria de dependências tecnológicas — identificar quais as ferramentas e infraestruturas cujo custo pode aumentar e quantificar o impacto no modelo de negócio
Para PMEs que não têm um CTO dedicado, o recurso a um consultor de IT externo pode fazer a diferença entre antecipar o problema ou ser apanhado de surpresa numa renovação de contrato.
O impacto nas startups e empresas de base tecnológica
As startups portuguesas com financiamento de investidores americanos têm uma exposição adicional: a volatilidade do dólar e a incerteza regulatória nos EUA afetam as rondas de investimento. Segundo dados do ecossistema de startups publicados em 2026, os fundos de capital de risco americanos estão mais cautelosos com investimentos em empresas europeias de setores com exposição a tarifas.
As empresas de e-commerce e logística que dependem de infraestrutura de servidores para gerir inventário e entregas enfrentam um duplo impacto: custos de IT mais altos e margens comprimidas pelas tarifas sobre produtos físicos importados.
Planeamento e consulta especializada: o momento é agora
A incerteza regulatória americana tornou o planeamento tecnológico de médio prazo mais complexo. Um especialista de IT com experiência em arquitetura cloud e gestão de infraestrutura pode ajudar a empresa a:
- Mapear as dependências tecnológicas com exposição a tarifas
- Calcular o impacto financeiro em diferentes cenários
- Definir uma estratégia de diversificação de fornecedores que reduza o risco
O Governo dos EUA publicou as medidas em vigor na página oficial da Casa Branca em https://www.whitehouse.gov.
A Expert Zoom disponibiliza especialistas de IT e consultores de tecnologia em Portugal para apoiar empresas que precisam de navegar este contexto de incerteza.
O que esperar nos próximos meses
As tarifas sobre medicamentos patenteados — anunciadas para entrar em vigor entre 120 a 180 dias a partir de 2 de abril de 2026 — podem ter impacto indireto nas empresas de IT do setor da saúde, nomeadamente as que desenvolvem software de gestão hospitalar ou plataformas de telemedicina que integram fornecedores farmacêuticos internacionais.
A situação comercial entre os EUA e a UE é dinâmica. Há negociações em curso e a possibilidade de isenções setoriais não pode ser excluída. No entanto, a experiência dos últimos meses mostra que as empresas que aguardam pela estabilização antes de agir ficam em desvantagem face às que adaptam a estratégia tecnológica com antecedência. A revisão periódica da arquitetura de IT com um especialista deixou de ser um luxo para ser uma necessidade competitiva.
