A Nova Zelândia venceu o terceiro T20 da série contra a África do Sul em 20 de março de 2026, em Auckland, consolidando uma vantagem de 2-1 — mas a partida deixou outra marca além do placar: o capitão Tom Latham saiu de campo com uma lesão no polegar que o vai afastar do quarto encontro. O spinner Ish Sodhi já tinha abandonado a série antes por fratura no polegar durante treino. Duas lesões semelhantes no mesmo torneio não são coincidência.
O críquete e as lesões que passam despercebidas
O críquete é um desporto de contacto indireto — mas não é um desporto sem risco físico. Entre os jogadores amadores e recreativos, as lesões mais comuns incluem:
Dedos e mãos. O batedor apanha a bola com força às vezes superior a 140 km/h. O receptor apanha e lança dezenas de vezes por partida. Fraturas, entorses e luxações nos dedos são as lesões mais frequentes no críquete amador, segundo estudos publicados pelo British Journal of Sports Medicine.
Ombro e cotovelo (nos lançadores). A ação de lançar uma bola de críquete impõe carga repetitiva sobre os tendões do ombro e o ligamento colateral do cotovelo. Em jogadores sem preparação adequada, tendinites e lesões no manguito rotador são problemas comuns — especialmente nos "bowlers" amadores que jogam ao fim de semana.
Região lombar. O gesto de lançar em passo lateral ("side-on") cria torção intensa na coluna lombar. Estudos com jogadores jovens mostram que esta posição aumenta o risco de espondilolistese — um deslizamento de vértebras que pode causar dor crónica se não for tratado atempadamente.
Joelho e tornozelo. O campo raramente está em perfeitas condições, e as mudanças de direção rápidas — especialmente no "fielding" — sobrecarregam os ligamentos do joelho e tornozelo.
Do estádio ao campo local: o risco é real para todos
A atenção mediática à lesão de Latham ou Sodhi cria uma ilusão: "são profissionais, têm equipas médicas, é diferente". Mas o risco para o jogador amador é, em muitos casos, maior — não menor.
Os profissionais têm aquecimento supervisionado, equipamentos adaptados, fisioterapeutas presentes no campo e protocolos de retorno ao jogo baseados em evidência. O jogador amador tem, na maior parte das vezes, uma tarde de sol, colegas entusiastas e um saco com equipamento partilhado.
Dados da Cricket Portugal mostram que o número de praticantes de críquete em Portugal cresceu de forma consistente nos últimos cinco anos, impulsionado pela comunidade sul-asiática residente no país. A maioria joga de forma recreativa, sem qualquer acompanhamento médico.
Quando uma lesão merece consulta especializada?
Muitos jogadores ignoram lesões por parecerem "menores". Mas há sinais que não devem ser desvalorizados:
- Dor que persiste mais de 48 horas após uma sessão de jogo
- Inchaço ou deformidade visível em articulação
- Perda de força ou mobilidade num membro
- Dor que regride mas volta de forma recorrente ao jogar
- Formigueiros ou dormência nos membros (pode indicar compressão nervosa)
Nestes casos, a consulta com um médico de medicina desportiva permite fazer um diagnóstico preciso, identificar a causa real da dor (que pode não ser onde ela é sentida) e definir um plano de recuperação que permita voltar ao desporto sem recaídas.
Prevenir é mais simples do que tratar
A boa notícia é que muitas lesões no críquete são preveníveis com medidas simples:
Aquecimento muscular progressivo. Antes de lançar ou bater, aquecer os ombros, cotovelos, pulsos e dedos reduz significativamente o risco de lesão aguda.
Técnica de lançamento. Um médico de medicina desportiva ou um treinador qualificado pode avaliar se o gesto de lançamento está a sobrecarregar incorretamente as articulações.
Equipamentos adequados. Luvas de batedor e de campo de qualidade são a primeira linha de proteção para as mãos. Calçado com boa estabilidade lateral protege tornozelos e joelhos.
Gestão do volume de jogo. Jogar várias partidas no mesmo fim de semana sem recuperação adequada é uma das principais causas de lesão por sobrecarga. O descanso é parte integrante do treino.
Fortalecimento preventivo. Um plano simples de fortalecimento do manguito rotador, dos músculos do core e dos isquiotibiais reduz o risco de lesão mesmo em jogadores recreativos.
O papel do médico desportivo no desporto amador
A medicina desportiva não é um privilégio exclusivo dos atletas de elite. Um médico especializado pode ajudar qualquer praticante — seja um estudante de críquete ao fim de semana, seja um corredor de meia-maratona — a:
- Identificar vulnerabilidades físicas antes que se tornem lesões
- Desenvolver um plano de treino adaptado às condições físicas individuais
- Acompanhar a recuperação após uma lesão de forma segura e eficaz
- Evitar o regresso prematuro ao desporto que agrava lesões aparentemente curadas
A série NZ vs. África do Sul termina a 25 de março de 2026. Latham pode não jogar o quarto encontro. Mas para o jogador amador, a pergunta não é "quando volta o capitão?" — é "quando foi a última vez que fiz uma avaliação com um especialista?"
Expert Zoom liga-o a médicos de medicina desportiva disponíveis para consulta online, capazes de avaliar a sua situação e ajudá-lo a praticar desporto de forma mais segura e duradoura.
Nota: Este artigo é de carácter informativo. Qualquer dor ou lesão persistente deve ser avaliada por um profissional de saúde qualificado.

