Bebé a caminho de Raquel Tillo: o que os casais lésbicos precisam de saber sobre reprodução assistida em Portugal

Especialista em medicina reprodutiva em laboratório de fertilização in vitro
5 min de leitura 27 de abril de 2026

A notícia que emocionou Portugal: Raquel Tillo e Inês Marques Lucas à espera do primeiro filho

A atriz portuguesa Raquel Tillo e a sua noiva, a cantora e artista Inês Marques Lucas, anunciaram a 27 de abril de 2026 que estão à espera do primeiro filho. O casal, junto há cinco anos — tendo-se conhecido virtualmente durante a pandemia, através de uma troca de vídeos — divulgou a notícia nas redes sociais num vídeo emotivo onde se vê roupa de bebé a ser pendurada num estendal.

A gravidez surge poucos meses após o pedido de casamento, e rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais portuguesas, gerando discussão não só sobre a família que o casal está a construir, mas também sobre o que a lei e a medicina podem oferecer a casais lésbicos em Portugal que queiram ter filhos.

O que é a reprodução medicamente assistida em Portugal?

A reprodução medicamente assistida (RMA) é o conjunto de técnicas clínicas e laboratoriais que ajudam pessoas e casais a conceber quando a gravidez natural não é possível ou viável. Em Portugal, esta área é regulamentada pela Lei n.º 32/2006, de 26 de julho, com alterações introduzidas em 2016 que alargaram o acesso a casais de mulheres e a mulheres solteiras.

Desde 2016, a lei portuguesa permite explicitamente que casais de duas mulheres — casadas ou em união de facto — recorram à procriação medicamente assistida no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Esta é uma das legislações mais progressistas da Europa nesta matéria, equiparando plenamente os direitos de casais heterossexuais e homossexuais femininos no acesso a tratamentos de fertilidade financiados pelo Estado.

Que técnicas estão disponíveis para casais lésbicos?

Para um casal formado por duas mulheres, as técnicas de RMA mais utilizadas em Portugal são:

Inseminação artificial com dador anónimo (IAD): um dador anónimo do banco de sémen do SNS ou de uma clínica privada autorizada fornece espermatozoides que são introduzidos no útero da parceira que irá gestar. É a técnica menos invasiva e a mais utilizada como primeira abordagem.

Fertilização in vitro (FIV) com dador anónimo: os óvulos de uma das parceiras (ou de uma dadora) são fertilizados em laboratório com esperma de um dador anónimo, e o embrião resultante é transferido para o útero da parceira que vai gestar. Esta técnica tem taxas de sucesso mais elevadas mas é mais complexa e com maior custo clínico.

Receção de óvulos de parceira (ROPA): uma das parceiras doa os seus óvulos, que são fertilizados com esperma de um dador, e o embrião é transferido para o útero da outra parceira, que gesta a criança. Esta opção permite que ambas as mulheres participem biologicamente no processo — uma fornece o material genético, a outra gesta. Em Portugal, esta técnica está disponível em clínicas privadas autorizadas pelo CNPMA (Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida).

O que cobre o SNS e o que é pago?

No Serviço Nacional de Saúde, os casais de mulheres têm direito a até três ciclos de inseminação artificial e a um número limitado de ciclos de FIV, sujeito a critérios clínicos e à disponibilidade dos centros públicos autorizados. As listas de espera nos centros públicos de RMA em Portugal são longas — muitas vezes superiores a um ano — o que leva muitos casais a optar por clínicas privadas.

Nas clínicas privadas, o custo de um ciclo de IAD ronda os 800 a 1.500 euros. Um ciclo completo de FIV pode custar entre 3.000 e 5.000 euros, variável consoante a clínica, os exames complementares necessários e o número de embriões criados e preservados.

O Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA) é a entidade pública responsável por regular, licenciar e supervisionar todas as clínicas e centros de RMA em Portugal, tanto públicos como privados. O seu site disponibiliza a lista completa de centros autorizados em território nacional — o primeiro passo para qualquer casal que queira iniciar este processo com segurança.

Aspetos médicos a conhecer antes de começar

Independentemente da técnica escolhida, os médicos especialistas em medicina reprodutiva recomendam uma série de avaliações prévias para otimizar as probabilidades de sucesso:

  • Reserva ovárica: avaliação da quantidade e qualidade dos óvulos disponíveis, fundamental para decidir qual das parceiras doa os óvulos ou qual gesta;
  • Análise hormonal completa: valores de FSH, AMH, LH e estradiol orientam o médico na escolha do protocolo de estimulação;
  • Avaliação do útero: ecografia pélvica e eventualmente histeroscopia para confirmar que o útero está em condições de receber um embrião;
  • Rastreio genético de portadores: análise de anomalias genéticas que podem ser transmitidas ao bebé, recomendada antes da escolha do dador para maximizar a compatibilidade.

A idade da parceira que fornece os óvulos é um dos fatores mais determinantes nas taxas de sucesso. Acima dos 35 anos, a reserva ovárica diminui progressivamente e as técnicas de RMA têm taxas de êxito mais baixas. A preservação de óvulos para uso futuro é, por isso, uma opção cada vez mais procurada por mulheres jovens que ainda não estão prontas para a maternidade.

Apoio médico especializado faz a diferença

O percurso até à gravidez num casal lésbico é tecnicamente acessível em Portugal, mas emocionalmente e logisticamente exigente. A escolha do médico e da equipa de saúde reprodutiva certa é uma das decisões mais importantes neste processo.

Um especialista em medicina reprodutiva experiente não só orienta o casal sobre a técnica mais adequada ao seu perfil clínico, como acompanha todo o processo com rigor e empatia. Para muitos casais, a diferença entre uma primeira tentativa bem-sucedida e um longo percurso de tentativas e falhas está, precisamente, na qualidade do acompanhamento médico inicial.

Se está a considerar iniciar um processo de reprodução medicamente assistida em Portugal, pode encontrar médicos especializados na sua zona geográfica através da plataforma ExpertZoom, onde profissionais de saúde com experiência em fertilidade e medicina reprodutiva estão disponíveis para uma primeira consulta de orientação.

Nota: Este artigo tem carácter informativo geral sobre reprodução medicamente assistida. Não substitui aconselhamento médico personalizado. Consulte um especialista para avaliar a sua situação clínica específica.

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