Portugal já garantiu €12 milhões no Mundial 2026: o que acontece com os prémios dos jogadores e o que pode aprender com isso
A FIFA anunciou que o Mundial 2026 — disputado nos Estados Unidos, Canadá e México entre 11 de junho e 19 de julho — terá um prémio total recorde de 871 milhões de dólares distribuídos pelas 48 seleções participantes. Portugal, que já garantiu a presença no torneio, tem assegurados cerca de 12 milhões de euros antes de jogar um único minuto. Este anúncio levantou uma questão que muitos portugueses se fazem nesta altura do ano em que também os Euromilhões e sorteios do Eurodreams têm distribuído prémios significativos: o que acontece, em termos fiscais e de gestão, quando se recebe uma grande soma de dinheiro de uma só vez?
O que acontece com o dinheiro dos prémios dos jogadores portugueses
Os prémios distribuídos pela FIFA às federações — não diretamente aos jogadores — são geridos pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF). A FPF tem acordos internos que determinam como esses valores são redistribuídos pelos plantéis e staff.
Do ponto de vista fiscal em Portugal:
- Jogadores contratados pela FPF: os prémios recebidos como complemento da remuneração de trabalho (categoria A do IRS) são tributados a taxas progressivas, podendo chegar a 53% nas faixas mais altas de rendimento.
- Prémios coletivos redistribuídos: dependendo da estrutura jurídica dos contratos, pode existir retenção na fonte ou tributação autónoma.
- Jogadores residentes no estrangeiro: para atletas que residam e tributem fora de Portugal (muitos dos jogadores da seleção nacional atuam em clubes ingleses, espanhóis ou sauditas), as regras de dupla tributação e as convenções fiscais bilaterais determinam o país onde o imposto é pago.
Estes mecanismos são geridos pelos agentes e assessores fiscais dos jogadores — e ilustram bem a complexidade fiscal que qualquer receita extraordinária de grande valor implica.
Os portugueses também ganham prémios — e nem sempre sabem o que fazer
Enquanto o debate sobre os prémios do Mundial domina as conversas, em Portugal têm sido noticiados, nas últimas semanas, múltiplos prémios do Euromilhões e EuroDreams, com prémios de 20.000 euros/mês distribuídos por vencedores portugueses. E a situação é esta: os sorteios geridos pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa estão isentos de IRS — mas o investimento ou gestão dos valores ganhos não está. Conforme indicado pelo Portal das Finanças da Autoridade Tributária e Aduaneira, os rendimentos gerados por aplicações financeiras feitas com esses ganhos (juros, dividendos, mais-valias) são tributáveis normalmente.
Aqui começam as perguntas para as quais muitos vencedores não têm resposta:
- Guardar em conta a prazo ou investir? Com a inflação ainda acima dos 2% em 2026, dinheiro em conta-poupança perde poder de compra em termos reais.
- Declarar ao Fisco alguma coisa? Os ganhos de lotaria (Santa Casa) não entram na declaração de IRS. Mas os juros e dividendos que esse dinheiro gerar já são tributáveis.
- Como proteger o valor ao longo do tempo? Um prémio de 100.000 euros gerido sem estratégia pode ser consumido em 3-5 anos por gastos ordinários, sem se traduzir em verdadeira riqueza.
Ganhos extraordinários: o papel do consultor de gestão de património
A experiência internacional mostra que a maioria dos vencedores de prémios de lotaria de grande valor vê o seu nível de vida voltar à situação anterior em menos de cinco anos. A razão é simples: a gestão de patrimônio não é intuitiva, e sem apoio especializado é fácil tomar decisões financeiras impulsivas ou subótimas.
Um consultor de gestão de patrimônio pode ajudar a estruturar uma estratégia clara, que geralmente passa por:
1. Separação do capital de emergência Antes de qualquer investimento, reservar 6-12 meses de despesas em instrumentos líquidos (conta poupança, depósito a prazo, fundo do mercado monetário). Este montante não é para crescer — é para existir sem necessidade de vender outros ativos em momentos desfavoráveis.
2. Diversificação do investimento Distribuir o restante por diferentes classes de ativos conforme o perfil de risco: obrigações de baixo risco para capital mais conservador, fundos de índice (ETFs) para exposição a mercados globais, imobiliário para quem procura rendimento passivo mais estável.
3. Otimização fiscal do investimento Os produtos financeiros são tributados de forma diferente em Portugal. Mais-valias de ações detidas mais de 12 meses têm enquadramento fiscal diferente das detidas por menos tempo. Contas poupança-reformado, PPRs e aplicações em seguros de capitalização têm regimes de tributação específicos que um consultor especializado conhece e pode usar a seu favor.
4. Planeamento sucessório Quando o valor do prémio é relevante para o patrimônio familiar, é fundamental pensar na transmissão deste valor a filhos ou herdeiros — através de doação em vida, seguro de vida ou testamento — de forma a minimizar o imposto de selo (10% em Portugal para doações a descendentes diretos).
O que pode aprender com a gestão dos prémios do futebol
Os grandes clubes e as federações não deixam os prémios desportivos sem gestão: têm departamentos financeiros, consultores fiscais e gestores de patrimônio especializados. Para o cidadão comum que recebe uma herança, ganha um prémio ou recebe um bónus inesperado, o princípio é o mesmo — mas a escala é diferente.
Na plataforma ExpertZoom, pode consultar especialistas em gestão de patrimônio disponíveis para ajudar a estruturar uma estratégia personalizada, seja para valores a partir de alguns milhares de euros ou para patrimônios mais significativos. A primeira consulta pode ser o passo que transforma um ganho temporário numa segurança financeira duradoura.
Este artigo tem fins informativos e não constitui aconselhamento financeiro ou fiscal personalizado. Para decisões concretas sobre investimento, consulte um profissional certificado.
