Portugal estreia-se no Mundial de Futebol 2026 a 17 de junho, frente à República Democrática do Congo, no primeiro jogo da fase de grupos. O torneio, que arranca a 11 de junho nos Estados Unidos, Canadá e México, vai mobilizar milhares de portugueses para destinos a várias horas de voo. Perante longas viagens, fusos horários e grandes aglomerados, os especialistas em saúde de viagem alertam: a preparação médica deve começar semanas antes do pontapé de saída.
A Seleção Nacional foi inserida no Grupo K, juntamente com a Colômbia, o Uzbequistão e a República Democrática do Congo. A convocatória de 27 jogadores, divulgada a 19 de maio por Roberto Martínez, inclui nomes como Cristiano Ronaldo, Bruno Fernandes, Bernardo Silva e Rúben Dias. Para os adeptos que acompanham a equipa das quinas no outro lado do Atlântico, a expectativa é grande — mas também o cansaço das deslocações.
Por que a consulta do viajante é obrigatória para o Mundial
A Organização Mundial da Saúde estima que cerca de 8% dos viajantes internacionais necessitem de cuidados médicos durante ou depois da viagem. Nos grandes eventos desportivos, o risco aumenta pela proximidade física, pela alteração de horários e pelo consumo de alimentos fora da rotina. A consulta do viajante permite avaliar o estado vacinal, prescrever medicamentos preventivos e aconselhar sobre cuidados específicos do destino.
Em Portugal, a consulta está disponível nos centros de saúde e nos Centros de Vacinação Internacional da Direção-Geral da Saúde. O ideal é marcar a consulta quatro a seis semanas antes da partida, para que vacinas como hepatite A ou reforços do tétano tenham tempo de fazer efeito. Mesmo em cima da hora, uma consulta de último momento é sempre preferível a nenhuma preparação. Pode consultar as orientações internacionais da OMS sobre viagem e saúde em who.int.
Vacinas, seguro e farmácia de viagem
Antes de viajar para os EUA, Canadá ou México, o viajante deve confirmar que o esquema vacinal de rotina está atualizado: tétano, difteria, tosse convulsa, sarampo, papeira e rubéola. Embora estes países não exijam vacinas especiais para entrada, surtos ocasionais de sarampo ou gripe podem ocorrer em zonas de grande concentração de pessoas, como estádios e aeroportos.
O seguro de viagem com cobertura médica robusta é outro ponto crítico. O custo de uma consulta de urgência nos Estados Unidos pode ascender a vários milhares de dólares, pelo que uma apólice com cobertura para despesas hospitalares, repatriação e desporto recreativo é essencial. Quem planeia jogar futebol informal nos parques ou participar em atividades ao ar livre deve verificar se a apólice cobre acidentes desportivos amadores.
A farmácia de viagem deve incluir analgésicos, anti-histamínicos, protetor solar, repelente de insetos, soro fisiológico e medicamentos de uso regular. Quem tem doenças crónicas — diabetes, hipertensão, asma ou problemas cardíacos — deve levar quantidade suficiente para toda a viagem, mais uma reserva de emergência, e transportá-la na bagagem de mão.
Jet lag, sono e hidratação durante o torneio
Os voos entre Portugal e as cidades-sede do Mundial podem durar entre oito e doze horas, com diferenças horárias de cinco a nove horas. O jet lag afeta o sono, a digestão e o estado de alerta nos primeiros dias. Os especialistas recomendam adaptar gradualmente o horário de deitar e acordar, começar alguns dias antes da viagem, e evitar álcool e cafeína excessiva durante o voo.
A hidratação é outro fator subestimado. Nos estádios e em zonas turísticas, o calor do verão norte-americano pode levar à desidratação, especialmente em quem consome bebidas alcoólicas. Beber água com regularidade, usar chapéu e protetor solar, e fazer pausas à sombra são medidas simples que evitam interromper a viagem com insolação ou infeções urinárias.
A longa viagem de avião também aumenta o risco de trombose venosa profunda. Levantar-se a cada duas horas, fazer exercícios de panturrilha e usar meias de compressão, quando indicadas pelo médico, são recomendações habituais em consultas de medicina de viagem.
Como manter a saúde emocional num evento de massas
O ambiente de um Mundial é eufórico, mas também estressante: multidões, ruído, esperas nas filas e a pressão emocional de acompanhar a seleção podem desgastar o sistema nervoso. Pessoas com ansiedade ou distúrbios do sono devem planear momentos de descanso longe dos centros de agitação e manter uma rotina mínima de sono.
Em caso de emergência médica, os números locais variam consoante o país: nos Estados Unidos e no Canadá, o 911; no México, o 911 ou 060. Os viajantes devem guardar na app do telemóvel os contactos da seguradora, da embaixada portuguesa no destino e de um familiar em Portugal.
A Expert Zoom já abordou a preparação física e de viagem para o Mundial, nomeadamente nos artigos sobre a viagem dos portugueses aos Estados Unidos para o Mundial 2026 e sobre o risco de lesões nos amistosos de preparação.
O que fazer já a seguir
Se planeia viajar para acompanhar Portugal no Mundial 2026, marque uma consulta de saúde de viagem o mais cedo possível. Leve consigo o boletim de vacinas, a lista de medicação habitual e o itinerário completo. Peça ao médico que reveja o seguro de viagem e a farmácia de emergência adequada ao seu perfil.
Na Expert Zoom, pode agendar uma consulta com um especialista em medicina geral e familiar ou medicina do viajante e receber um plano personalizado para acompanhar a Seleção Nacional em segurança. A saúde é o primeiro passo para transformar a viagem numa memória inesquecível.

Ricardo Rodrigues