Pizzi está de volta a Portugal. Após uma temporada no APOEL, no Chipre, onde marcou quatro golos em 24 jogos, o médio de 35 anos assinou pelo Estoril Praia até ao final da época 2026/27. Para além das análises sobre o Mundial 2026, o regresso de Pizzi levanta uma questão que poucos discutem no futebol português: o que fazem os atletas veteranos com o dinheiro quando a carreira abranda?
O pico financeiro de um atleta dura menos do que parece
Um futebolista profissional tem, em média, entre 10 a 15 anos de carreira activa em alta competição. Para Pizzi — 17 internacionalizações por Portugal, anos no Benfica, passagens internacionais — os ganhos mais significativos ficaram para trás. O regresso ao Estoril Praia, clube da primeira liga mas com uma estrutura financeira muito diferente dos grandes, representa exactamente a fase da carreira onde as decisões financeiras têm maior impacto no futuro.
É neste momento que muitos atletas cometem os erros mais graves: gastam com base nos rendimentos passados, não diversificam os investimentos, ou simplesmente delegam tudo num gestor sem supervisão adequada.
As três armadilhas financeiras dos atletas na reta final
1. Sobreviver à ilusão do salário de sempre
Um atleta que ganhava 50.000 euros por mês aos 28 anos tende a manter o estilo de vida quando passa a ganhar 10.000 aos 35. A diferença parece óbvia — mas na prática, a adaptação financeira raramente acontece de forma espontânea. Imóveis comprados com crédito excessivo, veículos de luxo e despesas correntes elevadas podem tornar-se insustentáveis em poucos anos.
2. Não planear a transição para a «segunda carreira»
Muitos futebolistas reinventam-se como treinadores, comentadores ou empresários após a reforma. Pizzi já demonstra essa polivalência — as suas previsões para o Mundial 2026 nos media mostram um atleta que prepara a transição. Mas poucos têm o capital necessário para o fazer com tranquilidade se não houver planeamento financeiro antecipado.
3. Subestimar os impostos sobre rendimentos passados
Portugal tem um regime fiscal específico para rendimentos auferidos no estrangeiro — como os que Pizzi terá recebido no Chipre. Dependendo da estrutura do contrato e da residência fiscal, podem existir obrigações de reporte que, se ignoradas, geram penalidades significativas. A AT (Autoridade Tributária) tem vindo a intensificar a fiscalização de atletas com carreiras internacionais.
O que a legislação portuguesa prevê para atletas profissionais
Segundo o Portal das Finanças, os rendimentos de trabalho desportivo estão sujeitos a tributação como categoria A ou B do IRS, dependendo do vínculo contratual. Para atletas com contratos de trabalho (como é o caso do Estoril), as retenções na fonte são calculadas sobre o salário bruto — mas existem deduções específicas que podem reduzir significativamente a carga fiscal.
Adicionalmente, os atletas com mais de 30 anos têm acesso a regimes de planeamento de reforma através de Planos Poupança Reforma (PPR), com benefícios fiscais que compensam as entregas feitas nos últimos anos de carreira. Um gestor de patrimónios especializado conhece estes instrumentos e pode estruturar um plano adequado ao momento de vida do atleta.
Além do futebol: a lição para qualquer profissional em transição
O caso de Pizzi não é exclusivo do desporto. Em Portugal, milhares de profissionais enfrentam situações análogas: trabalhadores que regressam de emprego no estrangeiro com poupanças acumuladas, executivos que chegam ao fim de um ciclo de carreira, ou empreendedores que saem de uma empresa com liquidez.
Em todos estes casos, as perguntas são as mesmas: como gerir o capital existente? Que instrumentos de investimento são adequados? Qual o impacto fiscal das diferentes decisões?
«O erro mais comum é achar que o problema fica para depois», explica um gestor de patrimónios. «Quando o futebolista se reforma, ou quando o executivo sai da empresa, o ideal é ter um plano a funcionar há pelo menos cinco anos — não estar a começar do zero.»
O que um gestor de patrimónios pode fazer por si
Ao contrário do que muitos pensam, a gestão de patrimónios não é apenas para multimilionários. Em Portugal, existem serviços acessíveis a profissionais com rendimentos médios-altos que pretendem:
- Estruturar uma carteira de investimentos diversificada (imobiliário, obrigações, fundos)
- Optimizar a carga fiscal de rendimentos actuais e futuros
- Planear a passagem para um regime de rendimentos mais baixo sem perda de qualidade de vida
- Preparar a transmissão de patrimónios (herança, doações) de forma eficiente
Para atletas como Pizzi — e para qualquer português em fase de transição profissional — consultar um especialista cedo faz toda a diferença. Pode encontrar gestores de patrimónios certificados disponíveis para consulta na plataforma ExpertZoom.
O regresso de Pizzi como ponto de inflexão
Pizzi falou recentemente sobre não estar no mural do Benfica: «Merecia estar, mas não me incomoda.» Uma frase que revela maturidade — e que serve de metáfora para a gestão financeira na reta final da carreira. Não é sobre o reconhecimento passado; é sobre construir solidez para o futuro.
O Mundial 2026 está a semanas de começar. Pizzi já fez as suas previsões. E quanto ao seu futuro financeiro — e ao seu — já tem alguém a trabalhar nisso?
Nota: Este artigo tem carácter informativo e não substitui aconselhamento financeiro personalizado. Para decisões de investimento, consulte sempre um gestor de patrimónios certificado.
