O mosquito Aedes albopictus, transmissor da dengue, está agora presente em 28 concelhos de Portugal continental, segundo o relatório REVIVE 2025 divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) a 27 de abril de 2026. Em apenas um ano, a presença do inseto alargou-se a mais 10 concelhos — um ritmo de expansão que preocupa especialistas em saúde pública.
O que diz o relatório REVIVE 2025
O programa REVIVE é a rede nacional de vigilância de vetores. Em 2025, abrangeu todas as cinco regiões de saúde do continente e a Região Autónoma da Madeira, com colheitas realizadas em 243 municípios e identificação de 44 123 mosquitos de 22 espécies diferentes.
O Aedes albopictus foi detetado em Portugal pela primeira vez em 2017, na região Norte. Expandiu-se para o Algarve em 2018, para o Alentejo em 2022, para a Grande Lisboa em 2023 e para o Centro em 2024. Em 2025, chegou a Lisboa, Oeiras, Almada, Sesimbra, Condeixa-a-Nova e Covilhã — tornando a sua presença relevante em praticamente todas as grandes áreas urbanas do país.
Dengue, chikungunya, Zika: quais os riscos reais?
O Aedes albopictus pode transmitir dengue, chikungunya, febre-amarela e Zika. As análises laboratoriais do REVIVE 2025 foram negativas para a maioria dos vírus testados em amostras do continente. Contudo, o vírus da dengue do serotipo 2 (DENV2) foi detetado em amostras de Aedes aegypti provenientes da Madeira.
Portugal encontra-se na área de maior risco na Europa para a transmissão do vírus chikungunya, a par da Grécia, Itália, Malta e Espanha. Não existe, por enquanto, evidência de transmissão local de dengue em Portugal continental — mas a janela de risco alarga-se a cada temporada estival.
Quando deve consultar um médico
A dengue provoca febre alta de início súbito, dores musculares e articulares intensas, dor retro-ocular, náuseas e erupções cutâneas. Os sintomas surgem entre 4 a 10 dias após a picada de um mosquito infetado e podem confundir-se com outras doenças febris.
Deve consultar um médico se:
- Apresentar febre superior a 38,5 °C por mais de dois dias consecutivos
- Regressar de uma zona endémica de dengue (Madeira, Brasil, Sudeste Asiático, Caraíbas) e desenvolver sintomas
- Tiver dores musculares ou articulares intensas associadas a erupção cutânea
- Detetar sinais de alarme: sangramento espontâneo, dor abdominal severa ou letargia
Um médico pode ordenar análises ao sangue que confirmam a presença do vírus ou de anticorpos específicos. O diagnóstico precoce é determinante para evitar complicações na dengue hemorrágica.
Como prevenir a picada do *Aedes albopictus*
Ao contrário do mosquito comum, o Aedes albopictus — também chamado mosquito-tigre — pica durante o dia, especialmente ao início da manhã e ao entardecer. Reproduz-se em pequenas quantidades de água estagnada: vasos de plantas, pneus usados, alguidares ou até tampas de garrafas.
As medidas de prevenção mais eficazes incluem:
- Eliminar toda a água parada em recipientes perto de casa
- Usar repelente aprovado (DEET, icaridina ou IR3535) nas áreas de pele exposta
- Instalar redes mosquiteiras em janelas e portas
- Usar roupas de manga comprida em zonas de maior risco ao amanhecer e ao anoitecer
A vigilância ativa recomendada pelo programa REVIVE do INSA inclui também a notificação de focos de mosquitos suspeitos às autoridades locais de saúde.
Viajantes e residentes em zonas de risco: cuidados especiais
Residentes em Lisboa, Oeiras, Almada ou Sesimbra — concelhos recém-identificados em 2025 — devem redobrar os cuidados preventivos neste verão de 2026. Quem planeia viajar para regiões endémicas (Madeira, Brasil, Tailândia, Indonésia ou África subsaariana) deve consultar o médico de medicina geral ou um especialista em medicina de viagem antes da partida.
A vacinação contra a dengue (Dengvaxia) existe, mas está indicada apenas para indivíduos com imunidade prévia comprovada. Um médico pode avaliar se o perfil do doente justifica a vacina e prescrever quimioprofilaxia adequada para cada destino. Para estadias superiores a 30 dias em zonas endémicas, a consulta de medicina de viagem com pelo menos quatro semanas de antecedência é considerada essencial pela comunidade médica.
O papel do especialista de saúde
Com o Aedes albopictus a expandir-se em meio urbano a um ritmo de 10 novos concelhos por ano, o acompanhamento médico deixou de ser exclusivo dos viajantes internacionais. Residentes nas zonas afetadas que desenvolvam febre sem causa aparente durante os meses quentes devem mencionar a possibilidade de picada de mosquito-tigre ao profissional de saúde que os atende. A identificação precoce de casos suspeitos facilita ainda a vigilância epidemiológica nacional e a resposta rápida das autoridades de saúde pública.
Um médico de medicina interna, infectologista ou médico de família pode orientar o diagnóstico diferencial, pedir os testes adequados e acompanhar a evolução clínica. No ExpertZoom, pode encontrar especialistas de saúde disponíveis para consulta online ou presencial, com aconselhamento personalizado para a sua situação.
Este artigo tem carácter informativo e não substitui a consulta médica. Perante qualquer sintoma, consulte um profissional de saúde qualificado.
