League of Legends em tendência: quando os videojogos se tornam um problema escolar para os jovens portugueses

Jovens jogadores de League of Legends em torneio de e-sports competitivo

Photo : Bruce Liu / Wikimedia

Miguel Miguel GomesApoio Escolar
4 min de leitura 14 de abril de 2026

League of Legends e Riot Games estão esta semana entre os termos mais pesquisados em Portugal — e não é difícil perceber porquê. A Temporada 1 de 2026, chamada "For Demacia", trouxe mudanças profundas ao jogo, e o novo título de luta 2XKO chegou em janeiro às plataformas. Para milhões de jovens portugueses, o universo Riot é uma segunda casa. Mas para muitos pais e professores, é também uma preocupação crescente.

O que está a acontecer no universo Riot em 2026

A Riot Games lançou a Temporada 1 de 2026 a 8 de janeiro com alterações significativas ao meta do jogo: missões específicas por lane, remoção do objetivo Atakhan, reforço dos objetivos Dragon e Baron, e uma nova mecânica de torres chamada Crystalline Overgrowth. Estas mudanças exigem dos jogadores mais adaptação e mais horas de jogo para dominar o novo sistema.

Em paralelo, chegou o 2XKO, um jogo de luta 2v2 com personagens de League of Legends, disponível em PC, PS5 e Xbox Series X|S desde 22 de janeiro de 2026. Em Portugal, a Liga Portuguesa de League of Legends (LPLOL) mantém a obrigatoriedade de pelo menos dois jogadores portugueses por equipa, consolidando o ecossistema competitivo nacional.

O resultado prático: mais conteúdo, mais novidades, mais razões para ficar em frente ao ecrã. Para muitos jovens, isto é diversão legítima. Para outros — especialmente durante o período de exames — pode tornar-se um problema real.

O que a ciência diz sobre jogos competitivos e rendimento escolar

Uma revisão sistemática publicada na Springer analisou 27 estudos sobre o impacto dos videojogos no desempenho académico. Resultado: 24 dos 27 estudos encontraram uma correlação negativa entre jogo problemático e rendimento escolar. Os mecanismos identificados incluem procrastinação, redução da motivação intrínseca para aprender e dificuldade em gerir o tempo.

Em Portugal, investigação publicada na revista Millenium estimou que cerca de 20% dos estudantes universitários do Porto podem ter sintomas de perturbação do jogo ou do jogo de azar. Entre os jovens de 15 a 74 anos, 48% dos portugueses afirmam jogar videojogos com regularidade.

League of Legends, como todos os jogos competitivos com sistema de classificação (ranked), é especificamente desenhado para criar loops de motivação difíceis de interromper: sempre há mais uma partida a ganhar, sempre há uma divisão acima para alcançar. Não é acidente — é design intencional.

Como distinguir jogo saudável de jogo problemático

Jogar videojogos não é, em si, prejudicial. O que os especialistas em psicologia e educação identificam como sinal de alarme é quando o jogo substitui outras áreas essenciais da vida adolescente:

  • Notas a cair sem outra causa aparente
  • Irritabilidade intensa quando não pode jogar ou quando é interrompido
  • Privação de sono para jogar de madrugada
  • Isolamento social — deixar de sair com amigos, faltar a atividades extracurriculares
  • Mentiras sobre o tempo passado a jogar para evitar que os pais limitem o acesso
  • Dificuldade de concentração nas aulas ou nos trabalhos de casa

A Direção-Geral da Educação (DGE), disponível em dge.mec.pt, disponibiliza recursos para pais e professores sobre literacia digital e uso saudável da tecnologia por jovens em contexto escolar.

O que os pais podem fazer (sem proibir tudo)

A proibição total raramente funciona e frequentemente agrava o problema: o jogo passa a ter o apelo extra do fruto proibido. Os especialistas em apoio escolar recomendam uma abordagem mais estruturada:

  1. Definir limites de tempo acordados — não impostos unilateralmente. Negociar com o adolescente cria mais adesão do que impor.
  2. Manter o jogo fora do quarto — especialmente durante a semana de exames.
  3. Identificar o que o jogo preenche — socialização, competição, escape ao stress? Se for socialização, oferecer alternativas reais.
  4. Observar padrões, não eventos isolados — uma semana intensa antes de um torneio de LoL é diferente de meses de vício.
  5. Pedir ajuda quando os sinais persistem — um psicólogo ou especialista em apoio educativo pode ajudar a perceber se há algo mais por trás.

Quando recorrer a um especialista

Se o seu filho ou aluno apresenta três ou mais dos sinais de alarme acima de forma consistente há mais de um mês, é altura de procurar apoio profissional. Um psicólogo especializado em adolescentes ou um profissional de apoio escolar pode avaliar a situação e propor estratégias adaptadas à realidade do jovem.

Na ExpertZoom, encontra profissionais de apoio escolar e psicologia para jovens com experiência em questões de tecnologia e vício digital — sem julgamentos, com abordagem prática.

O League of Legends não vai desaparecer. As novidades de 2026 vão continuar a atrair jogadores. A questão não é eliminar o jogo da vida dos jovens — é garantir que o jogo não elimina tudo o resto. E para isso, o diálogo entre pais, jovens e profissionais especializados é mais eficaz do que qualquer firewall.

Nota: Este artigo tem caráter informativo. Se suspeita de perturbação do jogo no seu filho ou aluno, consulte um psicólogo ou médico de família.

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