Os Los Angeles Lakers entraram nos playoffs da NBA 2026 com uma vitória convincente sobre os Houston Rockets no Game 1 a 18 de abril, em Los Angeles. A equipa californiana, liderada por LeBron James, avança como 4.º classificado do Oeste para tentar chegar às meias-finais. Mas para além dos resultados desportivos, os playoffs da NBA têm chamado a atenção para um problema que afeta milhões de praticantes de desporto em todo o mundo: as lesões do joelho.
Lakers vs Rockets: um arranque de playoff com nota de cautela
Luke Kennard foi o herói inesperado do Jogo 1, liderando um Lakers de recursos limitados à vitória sobre os Rockets. A estrela máxima da equipa, LeBron James, jogou com algumas restrições físicas após a lesão no ligamento cruzado medial (LCM) do joelho esquerdo que sofreu nos playoffs do ano passado contra os Minnesota Timberwolves — uma entorse grau 2 com tempo de recuperação de 3 a 5 semanas.
A situação de LeBron é um exemplo claro do que os médicos desportivos chamam de "gestão de lesão crónica": o atleta conseguiu recuperar e competir, mas o risco de reagravamento existe sempre que não há tempo adequado de reabilitação. Segundo dados da Federação Portuguesa de Basquetebol, as lesões do joelho são responsáveis por mais de 35% das paragens de longa duração no basquetebol federado português, dados que se alinham com as tendências internacionais evidentes nos playoffs de 2026.
O que é uma lesão do LCM e por que é tão comum no desporto
O ligamento colateral medial (LCM) é uma estrutura de tecido conjuntivo que estabiliza o joelho na face interna da articulação. É um dos ligamentos mais frequentemente lesionados em desportos com mudanças rápidas de direção, contacto físico e saltos — exatamente as características do basquetebol, mas também do futebol, do ténis e até de desportos recreativos.
As lesões do LCM dividem-se em três graus:
- Grau 1: estiramento ligeiro das fibras, sem rotura. Dor moderada, estabilidade mantida. Recuperação: 1 a 3 semanas.
- Grau 2 (como a de LeBron): rotura parcial. Dor significativa, alguma instabilidade. Recuperação: 3 a 6 semanas com fisioterapia.
- Grau 3: rotura completa. Instabilidade severa do joelho, pode exigir cirurgia. Recuperação: 3 a 6 meses.
O diagnóstico correto é feito por um médico especialista através de exame físico e, na maioria dos casos, por ressonância magnética (RM). A automedicação e o regresso prematuro à atividade são os erros mais comuns e os que mais frequentemente transformam uma lesão ligeira em crónica.
Quando deve consultar um médico após uma lesão no joelho?
Muitos atletas amadores e praticantes recreativos ignoram os primeiros sinais de lesão do joelho, atribuindo a dor a "cansaço muscular" ou a "um movimento mal feito". No entanto, existem situações que exigem avaliação médica urgente ou, pelo menos, rápida:
- Dor que persiste mais de 48 horas após o episódio de lesão
- Inchaço visível ou sensação de "água no joelho" (derrame articular)
- Instabilidade: sensação de que o joelho "cede" ao caminhar ou ao subir escadas
- Bloqueio articular: dificuldade em dobrar ou esticar completamente o joelho
- Estalido audível no momento da lesão, seguido de dor imediata
Estes sinais podem indicar lesão ligamentar, meniscal ou condral (cartilagem), que apenas um médico de medicina desportiva ou um ortopedista pode diagnosticar corretamente.
O problema da procrastinação no tratamento
Portugal tem um problema real de subdiagnóstico de lesões músculo-esqueléticas. Muitos doentes esperam semanas ou meses nas listas de espera do SNS para uma consulta de ortopedia ou de medicina desportiva, período durante o qual a lesão pode evoluir negativamente.
A reabilitação precoce — idealmente nas primeiras 72 horas após a lesão — é determinante para o tempo de recuperação total e para a prevenção de lesões recorrentes. Um estudo publicado no British Journal of Sports Medicine demonstrou que atletas com lesões do LCM grau 2 que iniciaram fisioterapia nas primeiras 48 horas recuperaram em média duas semanas mais rápido do que aqueles que aguardaram mais de uma semana.
Para os praticantes desportivos em Portugal, a alternativa ao tempo de espera no SNS passa cada vez mais pela consulta privada de medicina desportiva. Plataformas como a Expert Zoom permitem aceder a médicos especialistas em medicina desportiva ou ortopedistas disponíveis para consulta rápida, com avaliação das lesões, prescrição de exames e plano de reabilitação individualizado.
Prevenção: o que pode fazer para proteger os seus joelhos
Seja fã de basquetebol, jogador de futebol ao fim de semana, corredor ou praticante de qualquer desporto coletivo, existem medidas concretas para reduzir o risco de lesão ligamentar:
- Aquecimento adequado: 10 a 15 minutos de aquecimento progressivo antes de qualquer atividade física intensa diminui o risco de lesão muscular e ligamentar
- Treino de força e propriocepção: exercícios para fortalecer os músculos à volta do joelho (quadriceps, isquiotibiais, gémeos) e melhorar o equilíbrio reduzem a vulnerabilidade das estruturas articulares
- Material adequado: calçado com suporte lateral adequado ao desporto praticado é essencial, especialmente em desportos com mudanças de direção frequentes
- Progressão gradual da carga: aumentar o volume ou a intensidade do treino de forma gradual evita lesões por sobrecarga
LeBron James, aos 41 anos, continua a competir ao mais alto nível em parte porque a sua equipa médica e de performance aplica exatamente estes princípios de forma rigorosa. Para o atleta amador, o acesso a profissionais de saúde especializados pode fazer a mesma diferença — entre recuperar bem e arrastar uma lesão por anos.
Os playoffs da NBA 2026 continuam com o Game 2 entre Lakers e Rockets a 20 de abril. Mas a principal lição para os portugueses que praticam desporto pode ser mais simples: na dúvida sobre uma lesão, consulte um especialista antes de voltar a jogar.
