Incêndio em Gondomar: o que o fumo faz à sua saúde e quando deve consultar um médico

Fumo espesso de incêndios florestais sobre Portugal visto de satélite — risco para a saúde respiratória

Photo : Meteosat imagery: CSU/CIRA & EUMETSAT / Wikimedia

4 min de leitura 12 de junho de 2026

Incêndio em Gondomar: o que o fumo faz à sua saúde e quando deve consultar um médico

Na tarde de 12 de junho de 2026, um incêndio deflagrou em Baguim do Monte, no concelho de Gondomar (distrito do Porto), com alerta dado às 14h18. O fogo desenvolveu-se rapidamente em três frentes ativas, obrigando à evacuação preventiva do Motel Alto de Valongo e ao corte da EN15, entre Ermesinde e Alto de Valongo, durante várias horas. No terreno estiveram 146 bombeiros, 47 veículos e dois meios aéreos. O incêndio foi dado como dominado às 18h08. Não foram reportadas vítimas mortais.

Para além dos danos materiais e da perturbação do trânsito, um incêndio florestal desta dimensão representa um risco de saúde real para quem vive, trabalha ou transita nas proximidades — mesmo para quem não viu chamas.

O que o fumo de um incêndio florestal contém

O fumo produzido por um incêndio florestal é uma mistura complexa de gases e partículas sólidas. Entre os componentes mais perigosos para a saúde humana encontram-se:

  • Partículas finas (PM2.5 e PM10): partículas microscópicas que penetram profundamente nos pulmões e, no caso das PM2.5, chegam mesmo à corrente sanguínea. São consideradas o componente mais nocivo do fumo.
  • Monóxido de carbono (CO): gás inodoro que, em concentrações elevadas, reduz a capacidade do sangue de transportar oxigénio.
  • Compostos orgânicos voláteis (COV): incluem benzeno e formaldeído, substâncias com potencial carcinogénico.
  • Dióxido de azoto (NO₂): irrita as vias respiratórias e agrava condições preexistentes como a asma.

Segundo a Direção-Geral da Saúde, a exposição a fumo de incêndio — mesmo durante períodos curtos — pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, pieira e dificuldade em respirar, especialmente em grupos vulneráveis.

Quem está mais em risco?

Nem toda a gente reage da mesma forma ao fumo de incêndio. Os grupos com maior risco de desenvolver complicações sérias são:

  • Crianças e bebés: os pulmões ainda em desenvolvimento absorvem mais poluentes por kg de peso corporal.
  • Idosos: maior probabilidade de doenças cardíacas ou pulmonares preexistentes que agravam a vulnerabilidade.
  • Pessoas com asma, DPOC ou outras doenças respiratórias: o fumo pode desencadear crises graves mesmo com exposição breve.
  • Grávidas: a exposição a poluentes atmosféricos está associada a complicações no desenvolvimento fetal.
  • Trabalhadores ao ar livre: bombeiros voluntários, agricultores ou trabalhadores de construção que permaneceram na área durante o incêndio.

[Sintomas que](/pt/noticias/onda-de-calor-portugal-abril-2026) devem levar a uma consulta médica urgente

Após exposição ao fumo de um incêndio florestal, é natural sentir alguma irritação passageira dos olhos ou ligeira tosse. No entanto, determinados sintomas justificam uma consulta médica imediata ou chamada ao SNS 24 (808 24 24 24):

  • Dificuldade em respirar ou sensação de aperto no peito que persiste após sair da zona de fumo
  • Pieira ou chiado ao respirar
  • Dor no peito
  • Dores de cabeça persistentes, tonturas ou confusão mental
  • Lábios ou pontas dos dedos com coloração azulada (cianose)
  • Agravamento de sintomas de asma mesmo após uso de inalador

Qualquer um destes sinais pode indicar uma exposição significativa a partículas finas ou monóxido de carbono, e requer avaliação clínica sem demora.

O que fazer se esteve na zona do incêndio de Gondomar

Se residia ou passou pela área afetada em Baguim do Monte, no corredor da EN15 ou perto do Motel Alto de Valongo durante a tarde de 12 de junho, há medidas práticas que pode tomar:

Mantenha-se em casa com janelas fechadas se ainda houver fumo visível ou cheiro a queimado na sua área. Use sistemas de climatização em modo de recirculação interna, sem entrada de ar exterior.

Evite atividade física intensa ao ar livre pelo menos nas primeiras horas após o incêndio, mesmo que não veja fumo diretamente — as partículas PM2.5 são invisíveis a olho nu e permanecem em suspensão por várias horas após o fim das chamas.

Hidrate-se bem: a ingestão adequada de água ajuda o organismo a expelir toxinas e manter as mucosas hidratadas.

Monitorize a qualidade do ar através das plataformas online da Agência Portuguesa do Ambiente ou do portal de saúde pública da DGS, que disponibiliza orientações atualizadas sobre exposição a fumo de incêndio.

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Quando um médico pode fazer a diferença

Os incêndios florestais de grande dimensão — como o registado hoje em Gondomar — têm um impacto na saúde pública que muitas vezes só se manifesta dias ou semanas depois da exposição. Estudos epidemiológicos citados pela Organização Mundial de Saúde associam a inalação de fumo de incêndio a um aumento das hospitalizações por doenças cardíacas e respiratórias até duas semanas após o evento.

Um médico pode realizar uma avaliação pulmonar, pedir análises sanguíneas para medir os níveis de carboxihemoglobina (indicador de exposição ao monóxido de carbono) e ajustar a medicação de quem já sofre de asma, DPOC ou cardiopatias. Para pessoas com sintomas persistentes, uma consulta de pneumologia ou medicina geral pode ser decisiva para evitar complicações a longo prazo.

Se tem dúvidas sobre o impacto do fumo do incêndio de Gondomar na sua saúde, não espere que os sintomas se agravem. Consulte um médico especialista através da ExpertZoom para uma orientação personalizada.

Nota de saúde pública: Este artigo tem fins informativos. Em caso de sintomas respiratórios agudos, contacte imediatamente o SNS 24 (808 24 24 24) ou dirija-se à urgência hospitalar mais próxima. Não substitui avaliação médica presencial.

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