O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu esta sexta-feira, 24 de abril de 2026, um aviso amarelo para chuva forte, trovoada e granizo em três distritos do interior de Portugal: Bragança, Castelo Branco e Guarda. O alerta está em vigor das 12h00 às 21h00, com rajadas de vento a poder atingir os 90 km/h nas zonas mais expostas do norte e centro.
Não é um episódio isolado. A semana de 21 a 26 de abril está marcada por instabilidade convectiva intensa — aguaceiros fortes, trovoadas e granizo que caracterizam os chamados "temporais de primavera", cada vez mais frequentes no interior do país.
O que é o granizo e que danos causa nas habitações
O granizo forma-se em cumulonimbos durante trovoadas intensas: gotas de água congelam em altitude e caem como pedras de gelo com diâmetros que variam entre 5 mm e mais de 5 cm. Quanto maiores as pedras e mais forte o vento, maiores os estragos materiais.
Os danos mais comuns nas habitações incluem:
- Telhas partidas ou deslocadas, sobretudo em coberturas antigas de barro vermelho
- Calhas e algerozes amassados ou bloqueados, que causam infiltrações silenciosas
- Vidros duplos com a camada exterior rachada, que perdem eficiência térmica mesmo sem ceder por completo
- Painéis solares fotovoltaicos ou térmicos riscados ou fraturados
- Fachadas e rebocos com marcas de impacto, que abrem caminho à humidade
Em episódios recentes em Portugal, zonas do Alentejo — como Elvas, onde temperaturas acima dos 40°C precederam uma tempestade com granizo e inundações — registaram danos significativos em coberturas e estruturas agrícolas. A Tempestade Kristin, em 28 de janeiro de 2026, com rajadas de 208,8 km/h, deixou mais de um milhão de pessoas sem eletricidade e danos materiais em milhares de habitações — um sinal claro de que Portugal entra numa era de eventos meteorológicos extremos mais frequentes.
O que fazer nas horas imediatas a seguir ao granizo
Quando a tempestade passa, a avaliação deve ser feita por etapas — com cuidado e método:
1. Não suba ao telhado sozinho. Superfícies molhadas e potencialmente danificadas representam risco sério de queda. A inspeção visual a partir do interior — manchas de humidade no teto, goteiras ativas, sinais de água em parede — já fornece informação suficiente para um primeiro diagnóstico.
2. Documente tudo antes de qualquer reparação. Fotografe e filme os danos, por dentro e por fora. Este registo é indispensável para qualquer processo junto da seguradora e para o profissional que vai fazer a reparação.
3. Contacte a seguradora nas primeiras 24 a 72 horas. A maioria dos seguros multirriscos habitação cobre danos causados por fenómenos atmosféricos como o granizo, mas os prazos de participação são curtos e exigentes. Não espere.
4. Proteja provisoriamente as zonas vulneráveis. Lonas impermeáveis sobre telhas partidas evitam infiltrações enquanto aguarda a vistoria. Não faça reparações definitivas antes de a seguradora confirmar.
Quando é mesmo necessário chamar um profissional
Há danos que à primeira vista parecem menores, mas escondem problemas estruturais que só um profissional deteta. A intervenção de um especialista em construção e reparação doméstica faz diferença em vários cenários:
- Coberturas com mais de 20 anos têm maior probabilidade de danos em cadeia — uma telha partida pode revelar subtelha degradada, barrotes comprometidos ou isolamento encharcado
- Painéis solares danificados fisicamente devem ser inspecionados por técnico certificado antes de voltar a ser ligados; um painel fraturado pode criar risco elétrico real
- Algerozes entupidos ou amassados causam infiltrações lentas que só aparecem meses depois, em forma de humidade e bolor nas paredes interiores
- Fachadas com sistema ETICS (isolamento pelo exterior) exigem reparação especializada — uma simples cimentação por cima do impacto mascara o problema sem o resolver
Um profissional experiente pode também emitir um relatório técnico de danos que a seguradora aceita como prova — o que, em situações de maior valor ou disputa, pode fazer uma diferença significativa no montante da indemnização.
O que esperar para os próximos dias
Segundo o portal de previsões do IPMA, a instabilidade meteorológica deve manter-se nos próximos dias. O sábado 25 de abril aponta para maior atividade convectiva no interior do Centro e no Alentejo, com as regiões de Guarda, Castelo Branco e Portalegre como as mais expostas. Os avisos podem ser atualizados em tempo real no site oficial.
O IPMA define o aviso amarelo como o nível de alerta ativado "sempre que exista uma situação de risco para as atividades dependentes da meteorologia". Acima do amarelo estão os avisos laranja e vermelho, reservados para eventos de maior intensidade.
Este padrão de primavera — dias quentes seguidos de quebra brusca de temperatura e trovoadas com granizo — tem-se intensificado na última década. Os distritos do interior, com maior amplitude térmica e menor proteção orográfica, são sistematicamente os mais afetados.
Como prevenir estragos na próxima tempestade
A prevenção é quase sempre menos dispendiosa do que a reparação de emergência, especialmente quando os danos são detetados tardiamente. Algumas medidas com boa relação custo-benefício:
- Revisão anual da cobertura, de preferência na primavera, antes dos grandes calores, para identificar telhas soltas ou calhas obstruídas
- Verificação das impermeabilizações em terraços, varandas e juntas de dilatação
- Desobstrução dos algerozes duas vezes por ano — primavera e outono
- Atualização do seguro multirriscos, com capital adequado ao valor atual da habitação e coberturas específicas para fenómenos atmosféricos
Um profissional especializado em manutenção doméstica consegue fazer esta inspeção preventiva em poucas horas e identificar as vulnerabilidades antes de uma tempestade as expor da pior forma possível.
As informações meteorológicas citadas neste artigo baseiam-se nos avisos do IPMA de 24 de abril de 2026. As recomendações são de carácter geral — para avaliação precisa dos danos na sua habitação, consulte um profissional qualificado.
