Médico veterinário examinando uma vaca numa quinta rural em Portugal

Febre Aftosa em expansão na Europa: o que os donos de animais em Portugal precisam de saber urgentemente

Maria Maria SilvaAnimais e Veterinários
5 min de leitura 21 de março de 2026

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) emitiu este 20 de março de 2026 a "Nota informativa n.º 1/2026/FA", alertando para o agravamento da situação da febre aftosa na União Europeia, com surtos confirmados na Grécia e no Chipre que colocam Portugal em estado de vigilância reforçada. A doença, que não afetava o território português desde 1984, representa uma ameaça significativa para a pecuária nacional e exige medidas imediatas de biossegurança em todas as explorações agropecuárias.

Surtos confirmados na Grécia e no Chipre agravam cenário europeu

A Grécia registou o seu primeiro surto de febre aftosa desde o ano 2000, com nove bovinos testando positivo na ilha de Lesbos no passado dia 15 de março. O surto grego assume particular gravidade por quebrar mais de duas décadas de ausência da doença no país, evidenciando a fragilidade das barreiras sanitárias face à circulação do vírus na região do Mediterrâneo Oriental.

No Chipre, a situação revelou-se ainda mais crítica, com 42 surtos confirmados que resultaram no abate sanitário de mais de 15.000 animais — 14.000 ovinos e caprinos, além de 1.100 bovinos. As autoridades veterinárias cipriotas implementaram zonas de restrição e medidas de contenção, mas a extensão dos focos demonstra a velocidade de propagação da doença quando as medidas de biossegurança falham.

A Comissão Europeia, através do seu Comissário responsável pela área veterinária, convocou uma reunião de emergência dos Estados-Membros e recomendou formalmente o reforço das medidas de contenção e o abate preventivo de animais em explorações de risco. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) emitiu igualmente alertas urgentes sobre a situação.

Vírus circula na Turquia e aumenta risco para Portugal

Um fator que agrava o cenário de risco para a Europa é a circulação ativa do vírus da febre aftosa na Turquia, país que partilha fronteira terrestre com a União Europeia através da Grécia. A proximidade geográfica e os fluxos comerciais e de movimentação de animais transformam a situação turca num vetor de ameaça permanente para o espaço comunitário.

Portugal, apesar de geograficamente distante dos atuais focos, não está imune ao risco. A movimentação de animais entre Estados-Membros, o transporte de produtos de origem animal e mesmo o trânsito de veículos e embarcações que contactaram com zonas infetadas representam vias potenciais de introdução do vírus no território nacional.

DGAV reforça medidas de vigilância e biossegurança

Na sequência da nota informativa emitida, a DGAV estabeleceu um conjunto de medidas obrigatórias para todas as explorações pecuárias nacionais. A proibição de alimentar animais de produção com restos de cozinha e desperdícios alimentares não processados constitui uma das determinações mais importantes, dado que o vírus pode permanecer viável em produtos de origem animal.

A desinfeção rigorosa de todos os veículos e embarcações utilizados no transporte de animais passou a ser obrigatória, devendo os operadores manter registos das operações de limpeza e desinfeção realizadas. As autoridades veterinárias regionais reforçaram as inspeções em portos, aeroportos e postos fronteiriços terrestres.

Qualquer suspeita de febre aftosa — caracterizada por febre alta, salivação excessiva, claudicação e aparecimento de vesículas na boca, língua, focinho e entre as unhas dos animais — deve ser imediatamente comunicada aos serviços veterinários oficiais. A notificação atempada pode fazer a diferença entre a contenção precoce e a propagação descontrolada da doença.

Impacto económico e sanitário da febre aftosa

A febre aftosa é uma das doenças animais de maior impacto económico a nível mundial. Embora raramente fatal nos animais adultos, provoca perdas dramáticas de produtividade: redução acentuada da produção de leite, perda de peso, infertilidade temporária e mortalidade elevada em animais jovens. A doença afeta principalmente bovinos, suínos, ovinos e caprinos.

As consequências económicas estendem-se muito para além das explorações diretamente afetadas. Os países onde é detetada a doença enfrentam imediatamente embargos às exportações de animais e produtos pecuários, paralisação de feiras e mercados de gado, e custos elevadíssimos com medidas de erradicação que podem incluir o abate de milhares de animais.

Portugal, que recuperou o estatuto de país livre de febre aftosa há mais de quatro décadas, tem muito a perder caso o vírus seja reintroduzido. O setor pecuário nacional, que representa milhares de postos de trabalho e uma percentagem significativa das exportações agroalimentares, depende da manutenção deste estatuto sanitário.

O que os proprietários de animais devem fazer

Proprietários de explorações pecuárias, criadores de animais de companhia e detentores de animais em regime extensivo devem adotar imediatamente protocolos reforçados de biossegurança. A consulta a um médico veterinário para avaliação específica das vulnerabilidades de cada exploração é fortemente recomendada.

As medidas básicas incluem: evitar visitas desnecessárias às instalações onde se encontram os animais, limitar o contacto com animais de outras explorações, desinfetar calçado e vestuário antes de entrar nas áreas de produção, e manter registos atualizados de todas as movimentações de animais.

Para animais de companhia, embora o risco seja significativamente inferior, convém evitar o contacto com animais de produção durante este período de alerta reforçado e manter as vacinações em dia conforme o protocolo veterinário estabelecido.

Vigilância contínua e colaboração entre autoridades

A DGAV mantém contacto permanente com as autoridades veterinárias dos restantes Estados-Membros através do sistema de alerta rápido da União Europeia. Este mecanismo permite a partilha em tempo real de informação sobre novos surtos, resultados laboratoriais e eficácia das medidas implementadas.

As redes de vigilância epidemiológica nacionais estão em estado de alerta máximo, com reforço da capacidade laboratorial para diagnóstico rápido e formação específica para veterinários oficiais e privados sobre identificação precoce de sintomas compatíveis com febre aftosa.

A colaboração entre autoridades públicas, veterinários privados e produtores é essencial para manter Portugal protegido desta ameaça sanitária que, embora ausente do território há 42 anos, demonstra na atual situação europeia que permanece uma realidade possível e exige vigilância permanente.

Nota: Este artigo tem carácter informativo. Para avaliação específica da situação da sua exploração ou animais, consulte um médico veterinário qualificado.

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